Queridos
irmãos, hoje a Igreja nos convida a olhar para a vida de Santa Águeda, uma
jovem mulher cuja fé atravessou o tempo como fogo que não se apaga.
Ao
celebrarmos sua memória, somos chamados, desde já, a sair de uma devoção
superficial e entrar numa fé que se decide no concreto da vida, no corpo, na
história e nas escolhas diárias.
Antes
de tudo, Santa Águeda nos lembra que a santidade não depende da idade, da força
física ou do poder humano. Pelo contrário, ela mostra que Deus age com especial
liberdade na fraqueza assumida com amor.
Ainda
jovem, vivendo num tempo em que a fé cristã custava caro, Águeda escolheu
pertencer a Cristo com o corpo e com o coração. Essa escolha não ficou no
discurso. Ela se tornou carne, sofrimento e fidelidade.
Além
disso, a vida de Águeda revela uma verdade que muitas vezes evitamos encarar:
seguir Cristo implica conflito. Ela enfrentou a violência, a humilhação e a dor
sem negociar a própria consciência.
Enquanto
o mundo tentava dobrá-la pela força, ela permaneceu firme pela fé. Não reagiu
com ódio, nem buscou vingança. Em vez disso, ofereceu a própria vida como
testemunho silencioso de que Deus vale mais do que qualquer segurança
passageira.
Coragem
para permanecer de pé
Nesse
caminho, Santa Águeda ensina que o corpo não é moeda de troca, mas lugar
sagrado. Ao defender sua dignidade, ela proclamou, com a própria vida, que o
ser humano não pertence ao poder, ao desejo ou à opressão, mas a Deus. Em
tempos como os nossos, nos quais o corpo tantas vezes vira objeto, consumo ou
espetáculo, o testemunho de Águeda soa como um grito claro e necessário.
Ao
mesmo tempo, sua fidelidade nos provoca uma pergunta inevitável: o que temos
defendido com a mesma firmeza? Muitas vezes cedemos por muito menos. Cedemos
por conforto, por medo, por aceitação, por silêncio conveniente. Diante disso,
Santa Águeda não nos acusa, mas nos chama. Ela aponta um caminho mais alto,
onde a fé não se adapta ao mundo, mas transforma o mundo a partir da verdade.
Por
fim, ao celebrarmos Santa Águeda, somos convidados a pedir uma graça concreta:
coragem interior. Coragem para dizer sim a Deus quando isso custa; para
proteger a própria dignidade e a do outro. Especialmente, coragem para
permanecer em pé quando tudo convida a ceder.
Que
o exemplo dessa santa mártir nos ensine a amar Cristo sem reservas e a viver
uma fé que não se esconde, não se vende e não se cala.
Santa
Águeda, intercedei por nós. Amém.
