O
modo como Jesus viveu sua “hora” (refletimos ontem) foi oferecendo sua vida
para que projeto do Pai se realizasse na terra. Que projeto é esse? Que cada
ser humano tenha vida plena, vida abundante; vida divinizada. Jesus realiza o
projeto do Pai na mais profunda FIDELIDADE. Aconteça o que acontecer, o projeto
do Pai é a prioridade da vida de Jesus e, para que esse projeto seja realizado,
ele enfrenta tudo, inclusive atravessar e caminhar na estrada do sofrimento
mais profundo, envolto em dor corporal, dor psicológica e a dor espiritual. O
grito de abandono, que ouvimos no Evangelho, manifesta a dor espiritual de
Jesus. Mesmo assim, ele se mantém fiel. A Cruz é o local onde a FIDELIDADE de
Jesus se realiza plenamente. Todo o sofrimento de Jesus, mas especialmente o
momento supremo desse sofrimento, revela a coerente FIDELIDADE de Jesus ao
projeto do Pai: Jesus sendo fiel viveu oferecendo sua vida ao projeto do Pai. E
assim viveu até o momento da Cruz, momento último e momento ápice da sua
oblação existencial.
A
fidelidade de Jesus, portanto, se manifesta pelo oferecimento da sua vida
atravessando o mais profundo sofrimento humano. A 1ª leitura apresenta o
sofrimento de Jesus na profecia do Servo Sofredor. Só quem já passou pelo
sofrimento psicológico de ser desprezado, como ouvimos na profecia, ser coberto
de dores, ser invisível porque causa nojo olhar tantas feridas, sinais do
sofrimento, em seu corpo entende um pouco como Jesus sofreu. Mesmo assim, ele
se mantém na FIDELIDADE: não reclama, suporta a angustia e a condenação
injusta. É a profecia da Paixão de Jesus presente na 1ª leitura. — Como Jesus é
capaz de sofrer e passar por tudo isso? Qual é a sua força espiritual e
psicológica para suportar tudo isso? A resposta é: FIDELIDADE. Jesus se mantém
fiel ao projeto do Pai. Se para ser fiel é preciso atravessar o caminho do
sofrimento, atravessa o caminho do sofrimento. Mesmo que se torne o opróbio do
inimigo, a causa da zombaria, o motivo do abandono completo, como cantávamos no
salmo, nada disso é forte o suficiente para abandonar a FIDELIDADE ao projeto
do Pai. Se mantém fiel até o fim; até a morte e morte de Cruz.
A
compreensão desse quadro de fidelidade (que não deixa de ser terrível e
horroroso) foi proposta na 2ª leitura: diz que Jesus aprendeu o significado da
obediência através do sofrimento. O modo de Jesus viver a obediência, de viver
sua “hora” na mais profunda FIDELIDADE ao projeto do Pai é pelo acolhimento
obediente do projeto divino. Isaias dizia que levado ao matadouro, ele não
abria a boca. Não reage agressivamente, mas se abandona, se entrega totalmente
nas mãos do Pai, que é consumado no seu grito final: “Pai, nas tuas mãos
entrego o meu espírito”, entrego a minha vida. Tudo isso pode passar a
impressão de que a fidelidade produz passividade. Não é isso. A fidelidade é
uma força, uma virtude, que existe dentro de nós e que nos garante viver a fé
de modo tão coerente a ponto de passar pelo sofrimento mais terrível e se
manter fiel. Jesus é muito claro no seu exemplo de fidelidade. Nada, nem o a
forma de sofrimento mais profundo foi capaz de desviá-lo do projeto do Pai, de
fazer a vontade do Pai. Como nós, eu e você, enfrentamos os desafios de nossas
vidas? Com a força da FIDELIDADE ou com a fraqueza das reclamações diante dos
desafios que a vida sempre nos oferece? Amém!

















