segunda-feira, agosto 31, 2026

XXII DOMINGO DO TEMPO COMUM

 






O que Jesus nos ensina aqui? Ensina que o caminho da salvação passa pela Cruz. Não há atalho. Não há glória sem sofrimento, não há ressurreição sem morte. Santo Agostinho, meditando sobre esta passagem, recorda que Cristo quis sofrer não por necessidade, mas por amor. Ele escolheu a Cruz para nos mostrar o caminho. Se o Mestre passou pela Cruz, como o discípulo poderá evitá-la?

A lógica divina é oposta à lógica do mundo. O mundo diz: salva-te a ti mesmo, busca teu conforto, evita o sofrimento a todo custo. Cristo diz: "Quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim vai encontrá-la". Estas palavras não são poesia. São a lei fundamental do Reino de Deus. Quem se agarra à própria vida, aos próprios projetos, à própria vontade, perde tudo. Quem se entrega, quem se doa, quem aceita morrer para si mesmo, esse encontra a vida verdadeira.

Aceitar perder a vida, isto é, a sua psiquê, enquanto princípio vital, é muito mais do que perder uma mão, um pé ou um olho. Aceitar Jesus e a sua Boa Nova é encontrar a própria psiquê, aceitando ser para si mesmo e para o mundo uma “pedra de tropeço” no sentido positivo: ser uma chance de conversão diante do perigo e da sedução do sucesso, poder e vida fácil, que se concretizam nas injustiças, corrupção, fraudes, roubos e na ganância que fere a consciência, o coração e a fé dos mais fracos e simples.

(Obs , o que é PSIQUÊ ?

Mente humana: Ideal para contextos científicos, cognitivos ou cotidianos que enfatizam o pensamento e a razão. Alma humana: Perfeita para textos literários, filosóficos ou religiosos que buscam uma conotação mais profunda ou espiritual .Vida interior / Interioridade humana: Excelentes para abordagens humanistas ou poéticas que descrevem o mundo subjetivo de uma pessoa.)

Somos interpelados a refletir sobre a existência de duas fortes mentalidades, geralmente em oposição entre elas: a lógica humana e a lógica de Deus. A primeira aparece descrita nas figuras de Jeremias, que se lamenta por não ver resultados na missão, e de Pedro, que rejeita aceitar que seu Mestre sofra e seja vencido. A segunda, pelo comportamento de Deus assumido por Jesus Cristo. Em qual das duas nos encontramos?

Com base nisso, é preciso analisar, profundamente, essas duas mentalidades e suas características, a fim de compreender o caminho de conversão que devemos fazer diariamente no confronto com Deus e sua vontade. Se o verbo “negue-se”, expressão da mudança de mentalidade, pode nos causar certo constrangimento, devemos pensar nele como “escolha” livre e consciente, pois fazer a vontade de Deus é o que, de fato, nos importa. Somos felizes na obediência a Deus e à sua vontade, seguindo o exemplo de Jesus. A grande lição a ser percebida, refletida, assimilada e colocada em prática é a obediência da fé pela qual se experimenta no nosso modo de sentir, pensar e agir, a força da presença viva e operante do Novo Adão sobre o nosso velho Adão.

Renunciar a si mesmo não é desprezar-se. É colocar Deus em primeiro lugar. É preferir a vontade de Deus à nossa. Quantas vezes queremos um cristianismo sem Cruz! Queremos Jesus consolador, mas não Jesus crucificado. Queremos a bênção, mas não a renúncia. Porém, Cristo é claro: "Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga". Não há outro caminho.

Que adianta ganhar o mundo inteiro e perder a alma? Esta pergunta deve ressoar em nossos corações. Quantos vendem a alma por um prazer, por dinheiro, por aplausos! No fim, que lhes resta? Pois Cristo virá na glória de seu Pai e retribuirá a cada um segundo suas obras. Vivamos, portanto, com os olhos fixos na eternidade. Carreguemos a cruz de cada dia com amor. Assim, morreremos para nós mesmos e viveremos para Deus.