segunda-feira, abril 13, 2026

II DOMINGO DA PÁSCOA











Logo no início deste Evangelho, encontramos os discípulos trancados. Eles fecharam as portas, mas não apenas por segurança. O medo fechou o coração deles. A dor da cruz ainda estava fresca, a esperança parecia quebrada, e o futuro parecia um vazio silencioso. No entanto, é justamente nesse cenário que Jesus entra. Sem pedir licença. Sem arrombar. Ele simplesmente aparece no meio deles e diz: “A paz esteja convosco.”

Em seguida, percebemos algo essencial para a nossa vida espiritual. Jesus não começa com cobrança, nem com correção. Ele oferece paz. Não qualquer paz, mas a paz que nasce da vitória sobre a morte. Aquela paz que não depende das circunstâncias. Aquela que acalma a alma quando tudo ao redor ainda parece bagunçado. E então, mostrando as mãos e o lado, Ele revela que não esconde as feridas. Ao contrário, Ele transforma as feridas em sinal de amor.

Depois disso, o Senhor faz algo ainda mais profundo. Ele envia. Ele diz: “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio.” Ou seja, não basta experimentar a paz, é preciso levá-la. Não basta encontrar Cristo, é necessário testemunhá-Lo. E junto com esse envio, Ele sopra o Espírito Santo. Esse sopro não é detalhe. Esse sopro recria. Assim como no início da criação, Deus soprou vida, agora Cristo sopra vida nova nos discípulos.

Entretanto, o Evangelho nos apresenta Tomé. E aqui a história ganha um rosto muito humano. Tomé não estava presente. Tomé não viu. E por isso, Tomé duvida. Mas, sejamos sinceros, quantas vezes nós também somos Tomé? Quantas vezes precisamos ver para crer? Quantas vezes colocamos condições para acreditar em Deus? Ele diz que só acreditará se tocar, quer prova. Ele quer controle, segurança.

Porém, oito dias depois, Jesus volta. Ele não rejeita Tomé e não o humilha. Ele vai ao encontro da dúvida de Tomé. E novamente diz: “A paz esteja convosco.” Logo depois, convida: “Coloca o teu dedo aqui.” Cristo entra na ferida da incredulidade com paciência. Ele não destrói o coração ferido. Ele reconstrói. E naquele instante, Tomé deixa de exigir provas e faz a mais bela profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus!”

Assim sendo, compreendemos algo fundamental. A fé não nasce da prova, nasce do encontro. Tomé não acredita porque tocou. Ele acredita porque foi tocado por dentro, e se deixa alcançar. Ele se rende. E Jesus então diz algo que atravessa os séculos e chega até nós: “Felizes os que creram sem terem visto.”

Portanto, este Evangelho nos provoca profundamente. Onde estão as portas fechadas da nossa vida? O que o medo ainda tranca dentro de nós? Quais são as dúvidas que insistem em nos afastar? Cristo continua entrando. Ele continua dizendo: “A paz esteja contigo.” Ele continua mostrando as feridas, não para causar dor, mas para provar amor.