A
Igreja celebra hoje (23) São Jorge, mártir. Ele viveu nos primeiros séculos do
cristianismo e foi um soldado romano. Por se negar a cultuar os ídolos e falsos
deuses, como lhe mandou o imperador, e se manter firme em sua fé cristã, foi
martirizado.
Sua
devoção se espalhou pelo mundo. São Jorge é o padroeiro da Inglaterra, dos
escoteiros, protetor dos soldados, agricultores, arqueiros, ferreiros,
prisioneiros. No Brasil, é conhecido por ser padroeiro do estado do Rio de
Janeiro e do time de futebol Corinthians.
Segundo
a Legenda Áurea, do beato Jacopo da Varazze, são Jorge nasceu em Capadócia,
atual Turquia, então parte do Império Romano.
Diz
o livro que eram imperadores na época Diocleciano e Maximiano e que, sob o
governador Daciano houve uma grande perseguição aos cristãos. Diante disso,
Jorge “ficou profundamente tocado”, distribuiu seus bens aos pobres e “trocou
as vestes militares pelas dos cristãos”. Vivendo entre eles, dizia: “Todos os
deuses dos gentios são demônio, foi o Senhor quem fez os Céus”.
O
governador “ficou irado” e, como não conseguia demovê-lo, submeteu-o a várias
torturas, das quais saia ileso. Por fim, teve a cabeça cortada.
Leganda
Áurea cita santo Ambrósio, segundo quem, “Jorge, fidelíssimo guerreira de
Cristo, professou com intrepidez o cristianismo enquanto muitos renegavam o
Filho de Deus. Recebeu da graça divino tão grande constância, que desprezou as
ordens do poder tirânico e não temeu as dores de incontáveis suplícios. Ó feliz
e ínclito paladino do Senhor, que não foi seduzido pelas promessas de um reino
temporal, e enganando o perseguidor precipitou no abismo as falsas divindades”.
São
Jorge e o dragão
A
Legenda Áurea conta que, certa vez, Jorge foi para Silena, cidade da província
da Líbia. Próximo à cidade havia um grande lago, onde vivia “um pestífero e
enorme dragão, que muitas vezes afugentou o povo armado que tentara atacá-lo”.
Para acalmá-lo e evitar que ele se aproximasse da cidade, os moradores lhe
davam diariamente dois carneiros. Quando os carneiros começaram a ficar
escassos, foram substituídos por vítimas humanas escolhidas por sorteio.
Chegou
então a vez da filha do rei ser dada ao dragão. Quando ela se aproximava do
bicho, Jorge passou pela região e atacou o dragão para salvá-la. Ele recomendou
que a filha do rei coloca-se seu cinto no pescoço do dragão. Assim ela fez e o
dragão a seguiu manso.
Quando
chegaram à cidade, o povo ficou assustado. Mas, Jorge disse: “Nada temam, o
Senhor me enviou para que eu os libertasse das desgraças causadas por esse
dragão. Creiam em Cristo e recebam o batismo, que eu matarei o dragão”.
Segundo
a Legenda Áurea, nesse dia, 20 mil homens foram batizados, sem contar mulheres
e crianças.
“Em
homenagem à bem-aventurada Maria e ao beato Jorge, o rei mandou construir uma
enorme igreja, sob cujo altar surgiu uma fonte de água curativa para todos os
enfermos. O rei ofereceu ao bem-aventurado Jorge imensa quantidade de dinheiro,
mas ele não aceitou e mandou doá-lo aos pobres. Jorge deu então ao rei quatro
breves conselhos: cuidar das igrejas de Deus, honrar os padres, ouvir com
atenção o ofício divino e nunca esquecer os pobres”, conta a Legenda Áurea.
Em
sua imagem, o santo é representado muitas vezes com sua armadura romana,
montado no cavalo e, com uma lança, atingindo um dragão.
Fonte
ACI Digital



