O
que Jesus nos ensina aqui? Ensina que o caminho da salvação passa pela Cruz.
Não há atalho. Não há glória sem sofrimento, não há ressurreição sem morte.
Santo Agostinho, meditando sobre esta passagem, recorda que Cristo quis sofrer
não por necessidade, mas por amor. Ele escolheu a Cruz para nos mostrar o
caminho. Se o Mestre passou pela Cruz, como o discípulo poderá evitá-la?
A
lógica divina é oposta à lógica do mundo. O mundo diz: salva-te a ti mesmo,
busca teu conforto, evita o sofrimento a todo custo. Cristo diz: "Quem
quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de
mim vai encontrá-la". Estas palavras não são poesia. São a lei fundamental
do Reino de Deus. Quem se agarra à própria vida, aos próprios projetos, à
própria vontade, perde tudo. Quem se entrega, quem se doa, quem aceita morrer
para si mesmo, esse encontra a vida verdadeira.
Aceitar
perder a vida, isto é, a sua psiquê, enquanto princípio vital, é muito mais do
que perder uma mão, um pé ou um olho. Aceitar Jesus e a sua Boa Nova é
encontrar a própria psiquê, aceitando ser para si mesmo e para o mundo uma
“pedra de tropeço” no sentido positivo: ser uma chance de conversão diante do
perigo e da sedução do sucesso, poder e vida fácil, que se concretizam nas
injustiças, corrupção, fraudes, roubos e na ganância que fere a consciência, o
coração e a fé dos mais fracos e simples.
(Obs
, o que é PSIQUÊ ?
Mente
humana: Ideal para contextos científicos, cognitivos ou cotidianos que
enfatizam o pensamento e a razão. Alma humana: Perfeita para textos literários,
filosóficos ou religiosos que buscam uma conotação mais profunda ou espiritual
.Vida interior / Interioridade humana: Excelentes para abordagens humanistas ou
poéticas que descrevem o mundo subjetivo de uma pessoa.)
Somos
interpelados a refletir sobre a existência de duas fortes mentalidades,
geralmente em oposição entre elas: a lógica humana e a lógica de Deus. A
primeira aparece descrita nas figuras de Jeremias, que se lamenta por não ver
resultados na missão, e de Pedro, que rejeita aceitar que seu Mestre sofra e
seja vencido. A segunda, pelo comportamento de Deus assumido por Jesus Cristo.
Em qual das duas nos encontramos?
Com
base nisso, é preciso analisar, profundamente, essas duas mentalidades e suas
características, a fim de compreender o caminho de conversão que devemos fazer
diariamente no confronto com Deus e sua vontade. Se o verbo “negue-se”,
expressão da mudança de mentalidade, pode nos causar certo constrangimento,
devemos pensar nele como “escolha” livre e consciente, pois fazer a vontade de
Deus é o que, de fato, nos importa. Somos felizes na obediência a Deus e à sua
vontade, seguindo o exemplo de Jesus. A grande lição a ser percebida,
refletida, assimilada e colocada em prática é a obediência da fé pela qual se
experimenta no nosso modo de sentir, pensar e agir, a força da presença viva e
operante do Novo Adão sobre o nosso velho Adão.
Renunciar
a si mesmo não é desprezar-se. É colocar Deus em primeiro lugar. É preferir a
vontade de Deus à nossa. Quantas vezes queremos um cristianismo sem Cruz!
Queremos Jesus consolador, mas não Jesus crucificado. Queremos a bênção, mas
não a renúncia. Porém, Cristo é claro: "Se alguém quer me seguir, renuncie
a si mesmo, tome a sua cruz e me siga". Não há outro caminho.
Que
adianta ganhar o mundo inteiro e perder a alma? Esta pergunta deve ressoar em
nossos corações. Quantos vendem a alma por um prazer, por dinheiro, por
aplausos! No fim, que lhes resta? Pois Cristo virá na glória de seu Pai e
retribuirá a cada um segundo suas obras. Vivamos, portanto, com os olhos fixos
na eternidade. Carreguemos a cruz de cada dia com amor. Assim, morreremos para
nós mesmos e viveremos para Deus.







