segunda-feira, junho 22, 2026

XII DOMINGO DO TEMPO COMUM













A Liturgia deste Domingo coloca diante de nós, que somos discípulos e discípulas de Jesus, um ponto decisivo para testemunhar a vida cristã de modo autêntico: a perseverança que se mantém firme mesmo quando a fé é provada. Não se trata de fidelidade superficial, sustentada por emoções passageiras, mas de uma constância que atravessa as dificuldades e se enraíza na fidelidade de Deus. As leituras nos ajudam a compreender que a provação não destrói a fé, mas a purifica e a amadurece. Isso significa que o sofrimento do justo não é abandono, mas um caminho no qual Deus pode educar o coração e conduzir a vida com sabedoria. Na prática, perseverar não é apenas resistir e, para isso, fazer esforços quase super-humanos; resistir significa permanecer unido ao Senhor mesmo quando não se compreende plenamente o caminho e, muito menos, quando se não se compreendem as provações. A graça sustenta o discípulo e o fortalece interiormente. Assim, a perseverança torna-se sinal visível de uma fé autêntica, que não depende de forças psicológicas e, nem mesmo forças espirituais mantidas com propagandas de rezas poderosas, mas de se colocar silenciosamente na presença de Deus. O discípulo e a discípula que permanecem firmes testemunham que suas vidas estão alicerçadas sobre algo sólido e verdadeiro. Esta é a base do discipulado: permanecer com Cristo em todas as situações, confiando que Ele conduz a história com amor e fidelidade.

 

Nesta mesma dinâmica, o Evangelho nos apresenta a coragem como expressão concreta da fé vivida com profundidade. Jesus exorta seus discípulos a não se deixarem dominar pelo medo, pois o temor paralisa e impede o testemunho. Isso significa que a coragem cristã não nasce da autossuficiência, de técnicas psicológicas para não ter medo, mas da confiança de que Deus está presente, cuidando e sustentando cada passo, cada momento de nossas vidas. Quem caminha na estrada de Jesus, no seguimento de Jesus, como refletimos nos dois Domingos anteriores, permanece firme e não teme. Na prática, a fé não pode permanecer escondida, mas precisa tornar-se visível na vida cotidiana, nas escolhas, nas atitudes e nas palavras. O discípulo e a discípula são chamados a testemunhar a fidelidade ao Evangelho mesmo diante das incompreensões, das críticas e das rejeições. Aqui se estabelece um contraste claro: enquanto o espírito do mundo conduz a apatia por medo de se confrontar com quem não é de Cristo e não vive o Evangelho, o espírito do Evangelho impulsiona ao testemunho por confiança. A coragem, portanto, não elimina as dificuldades, mas fortalece o coração para enfrentá-las com firmeza. Quem confia em Deus encontra liberdade interior para viver e anunciar a verdade sem temor. A coragem de testemunhar o Evangelho torna-se testemunho vivo de uma fé que não se esconde, mas ilumina o ambiente onde está inserida.

 

Por fim, a Liturgia nos conduz a compreender que a confiança em Deus é o fundamento que sustenta toda a caminhada do discípulo e da discípula; de todos nós que somos discípulos e discípulas de Jesus. O Senhor não abandona aqueles que lhe permanecem fiéis; Ele escuta o clamor dos que nele confiam e os sustenta em suas necessidades. Isso significa que a vida cristã não é marcada pela insegurança, mas por uma certeza (confiança) interior que é a fé de que Deus caminha conosco; Deus está comigo. Na prática, confiar é entregar a própria vida nas mãos do Senhor, mesmo quando surgem incertezas e desafios. Essa confiança torna-se refúgio seguro, impedindo que o medo paralise a missão e fortalecendo a esperança que impulsiona o testemunho. Entende que todos nós, que somos discípulos e discípulas de Jesus, somos chamados a viver com perseverança, coragem e confiança, assumindo o discipulado como um caminho concreto no cotidiano de nossas vidas. Na família, no trabalho, na comunidade, sua vida torna-se testemunho visível da fidelidade de Deus. E é justamente desta fidelidade que nasce uma esperança firme, capaz de iluminar o mundo e sustentar a caminhada da Igreja. Esta é a missão do cristão e da cristã: permanecer, testemunhar e confiar, sabendo que Deus nunca abandona aqueles que nele colocam sua esperança.