terça-feira, setembro 15, 2026

EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ







Estamos no deserto, sob o sol implacável que queima a pele dos filhos de Israel. O povo caminha há dias, contornando Edom, e a impaciência toma conta dos corações. Falta água, o pão é escasso, e aquele maná que antes pareceu milagre agora provoca náusea. A murmuração se espalha como fogo: “Por que nos fizestes sair do Egito para morrermos aqui?”. O pecado da ingratidão atrai o castigo divino. Serpentes venenosas invadem o acampamento, suas presas injetam morte. O povo cai mordido, e o terror se instala.

 

Então Moisés intercede. Deus responde com um remédio paradoxal: uma serpente de bronze, erguida sobre uma haste. Quem olhar para ela, viverá. Imaginai a cena: um homem mordido, sentindo o veneno queimar suas veias, levanta os olhos para aquele metal reluzente ao sol. Um simples olhar, um ato de fé, e a vida retorna. Esta imagem do deserto atravessa os séculos e chega até nós, preparando nossos olhos para enxergar outro madeiro, outra elevação, outro remédio divino.

 

Nosso Senhor Jesus Cristo, conversando com Nicodemos na obscuridade da noite, revela o mistério da redenção. Ele mesmo estabelece a conexão: “Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado”. A serpente de bronze era figura; a Cruz é a realidade. O veneno que nos mata não vem de répteis do deserto, mas do pecado original e de nossas transgressões pessoais. Todos fomos mordidos. Todos carregamos em nós o veneno mortal da concupiscência, do orgulho, da rebelião contra Deus.

 

Pois bem, queridos irmãos, Deus nos amou de tal modo que deu seu Filho unigênito. Não enviou um profeta, não mandou um anjo. Deu o próprio Filho. São João Crisóstomo contempla este versículo e exclama que aqui está resumido todo o Evangelho: o amor infinito do Pai manifestado na entrega do Filho à morte de cruz. Cristo assumiu nossa natureza humana, desceu do céu, fez-se um de nós, para poder ser elevado naquele madeiro infame.

 

A Cruz não é derrota; é vitória. Não é vergonha; é glória. Santo Agostinho nos ensina que Cristo quis morrer no madeiro para que ali mesmo, onde a morte triunfara pela árvore do Éden, a vida triunfasse pela árvore da Cruz. O veneno da serpente antiga é vencido pelo remédio da serpente levantada, isto é, pelo Cristo crucificado que toma sobre si nosso pecado, nossa morte, nossa condenação. Ele se fez pecado por nós, como diz São Paulo, para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.

 

Mas notai bem: no deserto, era preciso olhar para a serpente de bronze. Não bastava estar no acampamento, não bastava ser filho de Israel. Era necessário um ato de fé, um erguer dos olhos, um voltar-se para o sinal divino. Assim também conosco. Cristo foi elevado na Cruz, mas é preciso crer nele. “Para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna”. A fé não é mero assentimento intelectual; é olhar confiante, abandono filial, adesão total da vontade ao amor crucificado.

 

Nosso Senhor Jesus Cristo, conversando com Nicodemos na obscuridade da noite, revela o mistério da redenção. Ele mesmo estabelece a conexão: “Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado”. A serpente de bronze era figura; a Cruz é a realidade. O veneno que nos mata não vem de répteis do deserto, mas do pecado original e de nossas transgressões pessoais. Todos fomos mordidos. Todos carregamos em nós o veneno mortal da concupiscência, do orgulho, da rebelião contra Deus.