terça-feira, setembro 08, 2026

XXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM











Jesus reúne os seus discípulos e lhes ensina como proceder quando um irmão peca. Não se trata de um pecado qualquer, mas de uma falta que fere a comunidade, que prejudica a vida comum. O Senhor não manda desprezar, não ordena condenar sumariamente. Pelo contrário: manda ir ao encontro, em particular, a sós. Imagina a cena, irmão. Tu vês alguém que amas cometer um erro grave. A primeira tentação é comentar com outros, talvez até justificar a tua indignação. Cristo te pede algo diferente: vai diretamente a ele, sem testemunhas, sem humilhação pública.

Se o irmão te ouvir, diz Jesus, tu o ganhaste. Que palavra admirável! Ganhar um irmão. Não é triunfar sobre ele, mas reconduzi-lo à vida, à graça, à comunhão. Se não te ouvir, leva contigo mais uma ou duas pessoas. Não para acusá-lo em coro, mas para que a palavra da verdade seja confirmada, para que ele perceba a gravidade do seu caminho. Se ainda assim recusar, diz à Igreja. E se nem mesmo à Igreja der ouvidos, seja tratado como pagão ou publicano. Palavras duras, mas de um amor que jamais abandona.

A primeira leitura nos apresenta Ezequiel constituído vigia da casa de Israel. Deus lhe diz: se não advertires o ímpio, pedirei contas de ti pela sua morte. Que responsabilidade tremenda! Mas é a mesma que Cristo confia aos seus discípulos. Somos vigias uns dos outros. A correção fraterna não é opcional na vida cristã, como diriam os modernos. É mandamento de caridade.

Santo Agostinho ensina que quem cala diante do erro do irmão é cúmplice dele. "Se amas, corrige", diz o Bispo de Hipona. Porque o amor verdadeiro deseja o bem do outro, e o maior bem é a sua salvação eterna. A correção fraterna é ato de misericórdia, uma das obras espirituais que a Igreja sempre ensinou. Não corriges para te sentires superior, mas porque amas.

Contudo, Cristo estabelece um método. Primeiro, em particular. Depois, com testemunhas. Por fim, à Igreja. Há aqui uma pedagogia da caridade e da justiça. A caridade exige discrição, respeito pela dignidade do irmão. A justiça exige clareza, verdade, firmeza. Quando a Igreja fala, fala com a autoridade que Cristo lhe deu: o que ligardes na terra será ligado no céu. Esta não é apenas autoridade disciplinar, mas sacramental, espiritual, divina.

A promessa final do Evangelho ilumina tudo. Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí. A correção fraterna não é obra humana apenas. Cristo está presente quando procuramos, em seu nome, a conversão do irmão. Ele age na palavra, na presença das testemunhas, na voz da Igreja. Porque a Igreja não é sociedade meramente humana, mas Corpo Místico de Cristo, animada pelo Espírito Santo.

Como viver isto hoje? Primeiramente, examinando a tua própria consciência. Tens corrigido quando devias, ou preferiste a covardia do silêncio? Quantas vezes viste alguém da tua família, do teu trabalho, da tua comunidade paroquial caminhar para o erro e te calaste por medo, por comodismo, por falsa caridade? Lembra: Deus te pedirá contas. Mas lembra também: corrige com mansidão, com humildade, sem arrogância. Quem corrige deve estar em estado de graça, deve ter examinado primeiro a trave do próprio olho.

Depois, aprende a receber a correção. Quão difícil é isto! O orgulho nos faz rejeitar qualquer advertência. Mas o santo teme mais ofender a Deus do que ser corrigido pelos homens. Se alguém te adverte em particular, com caridade, agradece a Deus. Ele te enviou um vigia, um amigo da tua alma. Se a correção vier por meio da Igreja, dos sacramentos, da confissão, recebe com docilidade filial. A Igreja é Mãe e Mestra.

 

Finalmente, confia na promessa de Cristo. Onde dois ou três se reúnem em seu nome, ele está presente. Reúne-te com outros para rezar, para buscar a santidade, para edificar a comunidade. A vida cristã não é individualista. Precisamos uns dos outros. Precisamos corrigir e ser corrigidos, ensinar e ser ensinados, amar e ser amados. Assim caminhamos juntos para a Pátria celeste. Que o Senhor nos conceda corações mansos e fortes, capazes de falar a verdade com amor. Senhor, fazei de mim instrumento da vossa paz.