Imaginemos
a cena: uma jovem de Nazaré, recém-visitada pelo Anjo, acaba de receber em seu
seio virginal o Verbo Eterno. Poderia ter ficado em casa, guardando para si o
segredo divino. Poderia ter-se recolhido, esperando que os meses passassem em
silêncio. Mas não. O Evangelho nos diz que Maria partiu apressadamente para a
região montanhosa da Judeia. Levava consigo o próprio Deus; por isso não podia
demorar-se.
Entrou
na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. Bastou aquela saudação, aquela voz
portadora do Verbo, para que tudo se transfigurasse. O menino João, ainda no
ventre materno, reconheceu a presença do seu Senhor e saltou de alegria.
Isabel, cheia do Espírito Santo, proclamou a primeira bem-aventurança mariana
da história: “Bendita és tu entre as mulheres”. Toda a criação se punha em
júbilo diante da Mãe de Deus. Maria, humilde serva, tornara-se arca viva da
Nova Aliança.
A
antiga Arca foi levada por Davi para a montanha de Sião. A nova Arca sobe
apressadamente à montanha da Judeia, levando em si o Rei dos reis. Davi dançou
diante da Arca; João Batista saltou diante de Maria. A antiga Arca permaneceu
três meses na casa de Obed-Edom; Maria ficou três meses na casa de Isabel. Tudo
se cumpre, tudo se eleva, tudo se transfigura. A tipologia é perfeita. Deus
preparou desde sempre esta Mulher bendita para ser o sacrário vivo de sua
presença.
Por
isso a Igreja, fiel à Tradição apostólica e guiada pelo Espírito Santo,
proclama o dogma da Assunção. Maria, preservada do pecado original, não
conheceu a corrupção do túmulo. Seu corpo virginal, que gerara o Corpo de
Cristo, foi elevado à glória celeste. Como ensina o Catecismo, “a Imaculada,
preservada imune de toda mancha da culpa original, terminado o curso da vida
terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”. O que Cristo
prometeu a todos os justos na ressurreição final, antecipou-o em sua Mãe
Santíssima.
Santo
Agostinho dizia que Maria concebeu Cristo primeiro na fé, depois no ventre. A
Assunção é o coroamento dessa fé. Isabel proclamou: “Bem-aventurada aquela que
acreditou”. Maria acreditou até o fim, até o Calvário, até o Cenáculo. Por isso
foi glorificada até o fim, até o trono celeste, até a coroa de doze estrelas. A
humildade que a fez serva mereceu-lhe a exaltação que a fez Rainha.
Amados,
esta solenidade não é apenas festa de Maria. É festa de nossa esperança. Vendo
a Mãe coroada no céu, sabemos que nosso destino não é o pó, mas a glória. Maria
assunta é primicia e penhor da
ressurreição que nos aguarda. São Paulo ensina que Cristo é a primicia dos que
dormem; Maria é a primeira dos redimidos a participar plenamente do triunfo
pascal. O que nela se cumpriu antecipadamente, cumprir-se-á em todos os que
perseveram na graça.
Como
vivemos esta verdade no dia a dia? Imitando a pressa de Maria. Ela correu à
montanha porque levava Cristo; nós também devemos correr, porque o recebemos na
Eucaristia. Cada comunhão bem feita é um novo Magnificat: Cristo habita
em nós, e por Ele nossa alma engrandece o Senhor. Não podemos guardar a graça
para nós mesmos. É preciso visitar, servir, consolar, santificar. Maria não
pregou; bastou sua presença para santificar João Batista. Nossa presença
cristã, se formos fiéis, também santificará o mundo.
Olhemos
para o céu onde Maria reina. Ela intercede por nós, seus filhos. Combate o
dragão infernal que quer devorar nossa alma. Prepara-nos um lugar no deserto
deste mundo, onde possamos perseverar até o fim. Corramos, portanto, com pressa
santa, levando Cristo aos irmãos. Guardemos a pureza do corpo e da alma, pois
somos templos do Espírito Santo. Um dia, se formos fiéis, seremos também
glorificados em corpo e alma, conforme a promessa. Maria Santíssima, Rainha
assumpta ao céu, rogai por nós.








