A
Liturgia deste Domingo coloca diante de nós, que somos discípulos de Jesus, um
ponto decisivo para testemunhar a vida cristã de modo autêntico: a perseverança
que se mantém firme mesmo quando a fé é provada. Não se trata de fidelidade
superficial, sustentada por emoções passageiras, mas de uma constância que
atravessa as dificuldades e se enraíza na fidelidade de Deus. As leituras nos
ajudam a compreender que a provação não destrói a fé, mas a purifica e a
amadurece. Isso significa que o sofrimento do justo não é abandono, mas um
caminho no qual Deus pode educar o coração e conduzir a vida com sabedoria. Na
prática, perseverar não é apenas resistir e, para isso, fazer esforços quase
super-humanos; resistir significa permanecer unido ao Senhor mesmo quando não
se compreende plenamente o caminho e, muito menos, quando se não se compreendem
as provações. A graça sustenta o discípulo e o fortalece interiormente. Assim,
a perseverança torna-se sinal visível de uma fé autêntica, que não depende de
forças psicológicas e, nem mesmo forças espirituais mantidas com propagandas de
rezas poderosas, mas de se colocar silenciosamente na presença de Deus. Os
discípulos que permanecem firmes
testemunham que suas vidas estão alicerçadas sobre algo sólido e verdadeiro.
Esta é a base do discipulado: permanecer com Cristo em todas as situações,
confiando que Ele conduz a história com amor e fidelidade.
Nesta
mesma dinâmica, o Evangelho nos apresenta a coragem como expressão concreta da
fé vivida com profundidade. Jesus exorta seus discípulos a não se deixarem
dominar pelo medo, pois o temor paralisa e impede o testemunho. Isso significa
que a coragem cristã não nasce da autossuficiência, de técnicas psicológicas
para não ter medo, mas da confiança de que Deus está presente, cuidando e
sustentando cada passo, cada momento de nossas vidas. Quem caminha na estrada
de Jesus, no seguimento de Jesus, como refletimos nos dois Domingos anteriores,
permanece firme e não teme. Na prática, a fé não pode permanecer escondida, mas
precisa tornar-se visível na vida cotidiana, nas escolhas, nas atitudes e nas
palavras. Os discípulos são chamados a testemunhar a fidelidade ao Evangelho
mesmo diante das incompreensões, das críticas e das rejeições. Aqui se
estabelece um contraste claro: enquanto o espírito do mundo conduz a apatia por
medo de se confrontar com quem não é de Cristo e não vive o Evangelho, o
espírito do Evangelho impulsiona ao testemunho por confiança. A coragem,
portanto, não elimina as dificuldades, mas fortalece o coração para
enfrentá-las com firmeza. Quem confia em Deus encontra liberdade interior para
viver e anunciar a verdade sem temor. A coragem de testemunhar o Evangelho
torna-se testemunho vivo de uma fé que não se esconde, mas ilumina o ambiente
onde está inserida.
Por
fim, a Liturgia nos conduz a compreender que a confiança em Deus é o fundamento
que sustenta toda a caminhada do discípulo ; de todos nós que somos
discípulos de Jesus. O Senhor não
abandona aqueles que lhe permanecem fiéis; Ele escuta o clamor dos que nele
confiam e os sustenta em suas necessidades. Isso significa que a vida cristã
não é marcada pela insegurança, mas por uma certeza (confiança) interior que é
a fé de que Deus caminha conosco; Deus está comigo. Na prática, confiar é
entregar a própria vida nas mãos do Senhor, mesmo quando surgem incertezas e
desafios. Essa confiança torna-se refúgio seguro, impedindo que o medo paralise
a missão e fortalecendo a esperança que impulsiona o testemunho. Entende que
todos nós, que somos discípulos de
Jesus, somos chamados a viver com perseverança, coragem e confiança, assumindo
o discipulado como um caminho concreto no cotidiano de nossas vidas. Na
família, no trabalho, na comunidade, sua vida torna-se testemunho visível da
fidelidade de Deus. E é justamente desta fidelidade que nasce uma esperança
firme, capaz de iluminar o mundo e sustentar a caminhada da Igreja. Esta é a
missão do cristão e da cristã: permanecer, testemunhar e confiar, sabendo que
Deus nunca abandona aqueles que nele colocam sua esperança
Fonte:
Sérgio Vale







