segunda-feira, julho 06, 2026

XIV DOMINGO DO TEMPO COMUM








Não se trata de umas ideias melosas, sentimentais! Não! Quando o Senhor nos convida a encontrar descanso Nele, está nos chamando à conversão à Sua Pessoa, a confiar Nele e a Ele entregar a nossa vida. Por isso mesmo, afirma: “Escondeste, Pai, estas coisas aos sábios e entendidos”, isto é, aos autossuficientes, ao que pensam que se bastam e podem fazer do seu jeito, vivendo a vida como se Deus não existisse, como se de Deus não precisassem!

Os “pequeninos” que aceitam Jesus e correm para repousar no Seu Coração são aqueles que desejam romper com a situação de pecado, vivendo a vida nova de filhos de Deus no Filho Jesus! Desses, São Paulo afirma na Segunda Leitura: “Vós não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito”, pois tendes o Espírito Santo de Jesus! E vede, Irmãos meus, a sentença clara do Apóstolo: “Se alguém não tem o Espírito de Cristo – isto é, não vive segundo o Santo Espírito de Cristo, deixando-se por Ele guiar – não pertence a Cristo!”

Portanto, nada de sentimentalismo meloso, nada de uma misericórdia desfibrada, descomprometida com a conversão: “Temos uma dívida não para com a carne – isto é, o pecado, o espírito do mundo, o viver segundo a nossa lógica -, para vivermos segundo a carne. Pois, se viverdes segundo a carne morrereis, mas se, pelo Espírito, matardes o procedimento carnal, então vivereis” a Vida nova no regaço do Coração do Rei manso e humilde!

Queridos Irmãos, vamos a Jesus que veio a nós como Rei pacífico! Que seja Ele o nosso Mestre, que seja o Seu Evangelho a nossa luz, que seja o Seu caminho a nossa verdade! Não podemos tranquilamente os dizer cristãos vivendo segundo uma mentalidade mundana ou mesmo vivendo segundo a nossa lógica! Ser discípulo do Senhor, ir até Ele, que nos convida “Vinda a Mim!”, exige – exigirá sempre! – o trabalhoso e constante processo de conversão!

Seria uma triste engano, seria uma mentira pensar que alguém pode ser cristão desrespeitando os preceitos do Senhor, vivendo de modo contrário a norma recebida Daquele que é manso e humilde de Coração. Duvidais disto? Então ouvi: “Se Me amais, observareis Meus mandamentos! Se alguém Me ama, guardará Minha palavra e Meu Pai o amará e a ele viremos e Nele estabeleceremos morada!” (Jo14,15.23) Que fique claro: não é qualquer amor que é cristão, não é uma conversa mole de uma amor qualquer que nos faz discípulos de Cristo! Amor verdadeiramente cristão, que nos une ao Senhor e aos irmãos, é aquele que brota do amor ao Cristo Jesus e do compromisso com Seus preceitos! Isto é viver segundo o Espírito, isto é estar aberto para o Senhor, isto é correr a corrida da vida para repousar no Seu Coração!















sexta-feira, julho 03, 2026

110 ANOS DA PRIMEIRA MISSA NA IGREJA DE SÃO CONRADO DE CONSTANÇA















No dia 26 de abril de 1500, um Domingo, foi celebrada a primeira Missa em terras brasileiras, na praia da Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, na Bahia. Presidida por Frei Henrique de Coimbra, membro da expedição de Pedro Álvares Cabral, esta celebração marcou o início da presença cristã no Brasil. Mais do que um acontecimento histórico, este momento representa o início de um caminho de fé que, ao longo dos séculos, moldou a cultura, a espiritualidade e a identidade do povo brasileiro.

A celebração da Eucaristia naquele contexto expressou o desejo de confiar a nova terra à proteção de Deus. Diante da vastidão do território recém-encontrado e do encontro com povos originários, a Missa foi sinal de gratidão e de reconhecimento da presença divina na história humana.

A cruz erguida naquele momento tornou-se símbolo de esperança, indicando que o anúncio do Evangelho acompanharia a formação da nova sociedade que ali começava a se desenvolver. A primeira Missa também recorda que a fé cristã chegou ao Brasil como anúncio da Boa-Nova de Jesus Cristo, chamada a promover a dignidade humana, a fraternidade e o respeito à vida. Ao longo da história, a Igreja contribuiu de diversas formas para a educação, a promoção social e o cuidado com os mais necessitados. Ao mesmo tempo, somos convidados a olhar este momento com espírito de discernimento histórico, reconhecendo a importância de anunciar o Evangelho sempre com respeito à dignidade e à cultura dos povos.

Celebrar a memória da primeira Missa em São Conrado  é renovar a consciência de que a fé faz parte da história do nosso povo. A Eucaristia, celebrada naquela quinta-feira 29 de junho  de 1916, continua sendo o centro da vida cristã, fonte de unidade e alimento espiritual para os fiéis. Assim como naquele primeiro momento, também hoje somos chamados a confiar nossa história pessoal e comunitária nas mãos de Deus. Este acontecimento nos recorda que a fé cristã é chamada a gerar frutos de esperança, justiça e fraternidade. A presença do Evangelho em nossa história nos convida a construir uma sociedade mais humana, marcada pela fraternidade e pelo respeito à dignidade de cada pessoa. Ao recordarmos a primeira Missa celebrada aqui , renovamos nossa gratidão pelo dom da fé e assumimos o compromisso de viver o Evangelho com autenticidade. Que a memória deste acontecimento nos ajude a fortalecer nossa esperança e a testemunhar, em nossa realidade atual, a presença de Cristo que continua a caminhar conosco, iluminando a história com a luz do seu amor.






















terça-feira, junho 30, 2026

SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO











Estamos em Cesareia de Filipe, longe do tumulto de Jerusalém, nas encostas do monte Hermon. Ali, onde os gentios erguiam templos aos deuses pagãos e onde as águas brotavam das rochas como nascente do Jordão, Jesus reúne os seus e lhes faz uma pergunta. Não é pergunta ociosa, nem curiosidade de mestre. É o momento em que o Verbo Encarnado exige de seus amigos uma resposta pessoal, uma decisão do coração. Os discípulos começam relatando o que dizem os outros: uns afirmam que Jesus é João Batista ressuscitado, outros que é Elias, outros ainda que é Jeremias ou algum profeta. Opiniões flutuantes, rumores de multidão. Mas então vem a pergunta decisiva, aquela que atravessa os séculos e chega até nós: “E vós, quem dizeis que eu sou?”

Pedro não hesita. Simão, o pescador impetuoso, responde com fé que não vem da carne nem do sangue: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Não diz apenas “um profeta”, nem “um enviado”. Proclama a divindade de Cristo, a filiação eterna, o mistério que nenhum olho humano pode penetrar sem a graça. E Jesus, ao ouvir essa confissão, não a corrige, não a atenua. Antes, revela que foi o Pai celeste quem abriu os olhos de Pedro. A fé verdadeira é dom de Deus, luz que desce do alto. Fixemos o olhar nesta cena: o Filho de Deus diante do homem que confessa sua divindade, e sobre esse homem, sobre essa confissão de fé, Cristo edificará sua Igreja.

A promessa de Cristo é solene e irrevogável. “Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja”. O jogo de palavras não é acidental: Simão recebe um nome novo, Kефа em aramaico, Petrus em latim, Pedra. Não é ele quem constrói a Igreja; é Cristo quem a edifica. Mas Cristo a edifica sobre Pedro, constituindo-o fundamento visível da unidade da fé. Santo Agostinho ensina que Pedro recebeu as chaves não para si somente, mas em nome de toda a Igreja, e que nele se simboliza a unidade do corpo místico. Todavia, as chaves foram entregues a Pedro pessoalmente, e nele aos seus sucessores, os Romanos Pontífices, para que a Igreja jamais ficasse órfã, jamais dispersa ao sabor das opiniões humanas.

O poder de ligar e desligar é poder de jurisdição e de doutrina. É autoridade para absolver e condenar, para definir o que pertence à fé e o que dela se afasta. Não é poder arbitrário, pois o que Pedro liga na terra já está ligado nos céus: ele não inventa a verdade, mas a guarda e a proclama com autoridade recebida do alto. O Catecismo da Igreja Católica nos recorda que o colégio dos Apóstolos, com Pedro à cabeça, recebeu a missão de ensinar, santificar e governar em nome de Cristo. Esta estrutura hierárquica não é acidente histórico, mas vontade expressa do Senhor.

Hoje celebramos Pedro e Paulo, colunas da Igreja de Roma. Pedro, a quem foram confiadas as chaves; Paulo, o Apóstolo dos gentios, que pregou Cristo até os confins do mundo conhecido. Ambos selaram com o sangue, nesta cidade santa, o testemunho de sua fé. A primeira leitura nos mostra Pedro nas correntes, guardado por soldados, destinado à morte. Mas a Igreja reza, e o anjo do Senhor o liberta. Eis o mistério: a Igreja pode ser perseguida, acorrentada, entregue aos verdugos, mas o poder do inferno não prevalecerá contra ela. Cristo o prometeu, e a história de vinte séculos o confirma.

Amados, a pergunta de Jesus não ficou em Cesareia de Filipe. Ele a dirige a cada um de nós, neste domingo, em meio às tribulações e confusões do nosso tempo: “E tu, quem dizes que eu sou?” Não basta repetir o que dizem os outros, nem seguir as modas teológicas ou as opiniões da maioria. É preciso responder com fé pessoal, firme, enraizada na Tradição da Igreja. Essa fé se alimenta da oração, dos sacramentos, da comunhão com o sucessor de Pedro. Quantos católicos hoje vivem como se a Igreja fosse uma associação humana qualquer, sujeita a reformas segundo o gosto do momento! Mas a Igreja é obra de Cristo, edificada sobre a rocha, e não sobre a areia das nossas preferências.

Concretamente, isto significa: acolher o ensinamento do Magistério mesmo quando contraria as tendências do mundo; rezar pelos nossos pastores, especialmente pelo Santo Padre; defender a fé com caridade mas sem contemporizar com o erro. Significa educar os filhos na doutrina católica íntegra, frequentar os sacramentos com devoção, viver a moral cristã sem envergonhar-nos dela. Pedro e Paulo não morreram para que tivéssemos uma fé acomodada, mas para que tivéssemos a fé que salva, a fé que transforma, a fé que vence o mundo.

Que a intercessão destes santos Apóstolos nos obtenha a graça de permanecer firmes na confissão de Pedro e no zelo de Paulo, até que possamos, como eles, apresentar-nos diante do Senhor com o testemunho de uma vida gasta por amor ao Evangelho. São Pedro e São Paulo, rogai por nós. Amém.




























segunda-feira, junho 22, 2026

XII DOMINGO DO TEMPO COMUM













A Liturgia deste Domingo coloca diante de nós, que somos discípulos de Jesus, um ponto decisivo para testemunhar a vida cristã de modo autêntico: a perseverança que se mantém firme mesmo quando a fé é provada. Não se trata de fidelidade superficial, sustentada por emoções passageiras, mas de uma constância que atravessa as dificuldades e se enraíza na fidelidade de Deus. As leituras nos ajudam a compreender que a provação não destrói a fé, mas a purifica e a amadurece. Isso significa que o sofrimento do justo não é abandono, mas um caminho no qual Deus pode educar o coração e conduzir a vida com sabedoria. Na prática, perseverar não é apenas resistir e, para isso, fazer esforços quase super-humanos; resistir significa permanecer unido ao Senhor mesmo quando não se compreende plenamente o caminho e, muito menos, quando se não se compreendem as provações. A graça sustenta o discípulo e o fortalece interiormente. Assim, a perseverança torna-se sinal visível de uma fé autêntica, que não depende de forças psicológicas e, nem mesmo forças espirituais mantidas com propagandas de rezas poderosas, mas de se colocar silenciosamente na presença de Deus. Os discípulos  que permanecem firmes testemunham que suas vidas estão alicerçadas sobre algo sólido e verdadeiro. Esta é a base do discipulado: permanecer com Cristo em todas as situações, confiando que Ele conduz a história com amor e fidelidade.

 

Nesta mesma dinâmica, o Evangelho nos apresenta a coragem como expressão concreta da fé vivida com profundidade. Jesus exorta seus discípulos a não se deixarem dominar pelo medo, pois o temor paralisa e impede o testemunho. Isso significa que a coragem cristã não nasce da autossuficiência, de técnicas psicológicas para não ter medo, mas da confiança de que Deus está presente, cuidando e sustentando cada passo, cada momento de nossas vidas. Quem caminha na estrada de Jesus, no seguimento de Jesus, como refletimos nos dois Domingos anteriores, permanece firme e não teme. Na prática, a fé não pode permanecer escondida, mas precisa tornar-se visível na vida cotidiana, nas escolhas, nas atitudes e nas palavras. Os discípulos são chamados a testemunhar a fidelidade ao Evangelho mesmo diante das incompreensões, das críticas e das rejeições. Aqui se estabelece um contraste claro: enquanto o espírito do mundo conduz a apatia por medo de se confrontar com quem não é de Cristo e não vive o Evangelho, o espírito do Evangelho impulsiona ao testemunho por confiança. A coragem, portanto, não elimina as dificuldades, mas fortalece o coração para enfrentá-las com firmeza. Quem confia em Deus encontra liberdade interior para viver e anunciar a verdade sem temor. A coragem de testemunhar o Evangelho torna-se testemunho vivo de uma fé que não se esconde, mas ilumina o ambiente onde está inserida.

 

Por fim, a Liturgia nos conduz a compreender que a confiança em Deus é o fundamento que sustenta toda a caminhada do discípulo ; de todos nós que somos discípulos  de Jesus. O Senhor não abandona aqueles que lhe permanecem fiéis; Ele escuta o clamor dos que nele confiam e os sustenta em suas necessidades. Isso significa que a vida cristã não é marcada pela insegurança, mas por uma certeza (confiança) interior que é a fé de que Deus caminha conosco; Deus está comigo. Na prática, confiar é entregar a própria vida nas mãos do Senhor, mesmo quando surgem incertezas e desafios. Essa confiança torna-se refúgio seguro, impedindo que o medo paralise a missão e fortalecendo a esperança que impulsiona o testemunho. Entende que todos nós, que somos discípulos  de Jesus, somos chamados a viver com perseverança, coragem e confiança, assumindo o discipulado como um caminho concreto no cotidiano de nossas vidas. Na família, no trabalho, na comunidade, sua vida torna-se testemunho visível da fidelidade de Deus. E é justamente desta fidelidade que nasce uma esperança firme, capaz de iluminar o mundo e sustentar a caminhada da Igreja. Esta é a missão do cristão e da cristã: permanecer, testemunhar e confiar, sabendo que Deus nunca abandona aqueles que nele colocam sua esperança

 

Fonte: Sérgio Vale