Neste
segundo domingo da Quaresma façamos, também nós, a experiência de subir com
Jesus ao monte… Enquanto subimos, podemos conversar com Ele e, com toda a
sinceridade, dizer-Lhe as nossas dúvidas e inquietações. Podemos dizer-Lhe que,
por vezes, nos sentimos perdidos e desanimados diante da forma como o nosso
mundo se constrói; podemos dizer-lhe que o caminho que Ele aponta é duro e
exigente e que não sabemos se teremos a coragem de o percorrer até ao fim;
podemos até dizer-lhe, talvez com alguma vergonha, que às vezes duvidamos dele
e corremos atrás de outras apostas, mais cômodas, mais atraentes e menos
arriscadas… E, depois de lhe dizermos isso tudo, deixemos que Jesus nos fale,
nos explique o seu projeto, nos renove o seu desafio… E vamos, também, prestar
atenção à voz de Deus que nos garante: “olhem que esse Jesus que Eu enviei ao
vosso encontro é o meu Filho, o meu eleito, aquele a quem Eu entreguei o
projeto de um mundo mais humano e mais fraterno… Confirmo a verdade do caminho
que Ele vos propõe. Escutai-O, ide com Ele, acolhei as suas propostas e
indicações, mesmo que tenhais de remar contra a maré. O caminho que Ele vos
aponta pode passar pela cruz, mas conduz à Vida verdadeira, à ressurreição”.
Este
é o meu Filho, o meu Eleito: escutai-o”. É verdade: precisamos de escutar Jesus
mais e melhor. Quando o “escutamos” – quer dizer, quando ouvimos o que Ele nos
diz, quando acolhemos no coração as suas indicações e quando procuramos
concretizá-las na vida – começamos a ver tudo com uma luz mais clara. Começamos
a perceber qual é a maneira mais humana de enfrentar os problemas da vida e os
males do nosso mundo; damos conta dos grandes erros que os seres humanos podem
cometer e descobrimos as soluções que Deus nos aponta… Escutar Jesus pode
curar-nos das nossas cegueiras seculares, dos preconceitos que nos impedem de
acolher a novidade de Deus, dos medos que nos paralisam; escutar Jesus pode
libertar-nos de desalentos e covardias, e abrir o nosso coração à esperança.
O
tempo de Quaresma é um tempo favorável de conversão, de transformação, de
renovação. Traz-nos um convite a questionarmos a nossa forma de encarar a vida,
os valores que priorizamos, as opções que vamos fazendo, as nossas certezas e
apostas, os nossos interesses e projetos… O que é que eu, pessoalmente,
necessito de mudar, na minha forma de pensar e de agir, a fim de me tornar um
discípulo coerente e comprometido, que segue Jesus no caminho do amor levado
até às últimas consequências, até ao dom total de si próprio?