A
Liturgia da Palavra dá-nos, hoje, a orientação correta para vivermos
frutuosamente a Quaresma, tempo
favorável de graça, dia de salvação. Penitência e arrependimento não são
caminho de tristeza, de depressão, mas caminho de luz e de alegria, porque, se
nos levam a reconhecer a nossa verdade de pecadores, também nos abrem ao amor e
à misericórdia de Deus.
Renovados
pelo amor, podemos viver alegre e confiadamente na presença de Deus, nosso Pai,
cumprindo humildemente tudo quanto Lhe agrada e é útil para os irmãos. E a
presença do Pai, no mais íntimo de nós mesmos, garante-nos a verdadeira
alegria.
Jesus,
no evangelho, mostra-nos qual deve ser a nossa atitude quando praticamos obras
de penitência (tais como a esmola, a oração, o jejum), e insiste na retidão
interior, garantida pela intimidade com o Pai. Era essa a atitude e a
orientação do próprio Jesus em todas as suas palavras e obras. Nada fazia para
ser admirado pelos homens. Nós podemos ser tentados a fazer o bem para obtermos
a admiração dos outros. Mas essa atitude, por um lado, fecha-nos em nós mesmos,
por outro lado projeta-nos para fora de nós, tornando-nos dependentes da
opinião dos outros.
Há,
pois, que fazer o bem porque é bem, e porque Deus é Deus, e nos dá oportunidade
de vivermos em intimidade e solidariedade com Ele, para bem dos nossos irmãos.
Estar cheios de Deus, viver na sua presença, é a máxima alegria neste mundo, e
garante-nos essa mesma situação, levada à perfeição, no outro.
Converter-se
"ao Evangelho"! O Evangelho para nós, mais do que um livro, é uma
pessoa, Jesus Cristo. É necessária a "conversão" ao verdadeiro
conhecimento de Cristo. Não um conhecimento intelectual, como aquele que se
obtém nas aulas de teologia. É preciso um conhecimento de fé, uma experiência
viva, como aquela de fala S. Paulo: "Na verdade, em tudo isso só vejo
dano, comparado com o supremo conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor. Põe Ele
tudo desprezei e tenho em conta de esterco, a fim de ganhar Cristo ... Assim
poderei conhecê-I' o, a Ele, à força da Sua Ressurreição e à comunhão nos seus
sofrimentos, configurando-me à Sua morte, para ver se posso chegar à
ressurreição. Não que eu já tenha alcançado a meta, ou que já seja perfeito,
mas prossigo a minha carreira para ver se de algum modo a poderei alcançar,
visto quejá fui alcançado por Jesus Cristd' (Fil 3, 8.10-13).
Façamos
nesta Quaresma as obras de penitência que pudermos. Mas façamo-Ias na
intimidade e na presença do Senhor, que havemos de procurar na oração, na
Eucaristia, na comunidade... Não esqueçamos a ascese, especialmente a que nos é
exigida pelo fiel cumprimento dos nossos compromissos com Deus e com os irmãos.






















