sábado, abril 04, 2026

SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO











O modo como Jesus viveu sua “hora” (refletimos ontem) foi oferecendo sua vida para que projeto do Pai se realizasse na terra. Que projeto é esse? Que cada ser humano tenha vida plena, vida abundante; vida divinizada. Jesus realiza o projeto do Pai na mais profunda FIDELIDADE. Aconteça o que acontecer, o projeto do Pai é a prioridade da vida de Jesus e, para que esse projeto seja realizado, ele enfrenta tudo, inclusive atravessar e caminhar na estrada do sofrimento mais profundo, envolto em dor corporal, dor psicológica e a dor espiritual. O grito de abandono, que ouvimos no Evangelho, manifesta a dor espiritual de Jesus. Mesmo assim, ele se mantém fiel. A Cruz é o local onde a FIDELIDADE de Jesus se realiza plenamente. Todo o sofrimento de Jesus, mas especialmente o momento supremo desse sofrimento, revela a coerente FIDELIDADE de Jesus ao projeto do Pai: Jesus sendo fiel viveu oferecendo sua vida ao projeto do Pai. E assim viveu até o momento da Cruz, momento último e momento ápice da sua oblação existencial.

A fidelidade de Jesus, portanto, se manifesta pelo oferecimento da sua vida atravessando o mais profundo sofrimento humano. A 1ª leitura apresenta o sofrimento de Jesus na profecia do Servo Sofredor. Só quem já passou pelo sofrimento psicológico de ser desprezado, como ouvimos na profecia, ser coberto de dores, ser invisível porque causa nojo olhar tantas feridas, sinais do sofrimento, em seu corpo entende um pouco como Jesus sofreu. Mesmo assim, ele se mantém na FIDELIDADE: não reclama, suporta a angustia e a condenação injusta. É a profecia da Paixão de Jesus presente na 1ª leitura. — Como Jesus é capaz de sofrer e passar por tudo isso? Qual é a sua força espiritual e psicológica para suportar tudo isso? A resposta é: FIDELIDADE. Jesus se mantém fiel ao projeto do Pai. Se para ser fiel é preciso atravessar o caminho do sofrimento, atravessa o caminho do sofrimento. Mesmo que se torne o opróbio do inimigo, a causa da zombaria, o motivo do abandono completo, como cantávamos no salmo, nada disso é forte o suficiente para abandonar a FIDELIDADE ao projeto do Pai. Se mantém fiel até o fim; até a morte e morte de Cruz.

A compreensão desse quadro de fidelidade (que não deixa de ser terrível e horroroso) foi proposta na 2ª leitura: diz que Jesus aprendeu o significado da obediência através do sofrimento. O modo de Jesus viver a obediência, de viver sua “hora” na mais profunda FIDELIDADE ao projeto do Pai é pelo acolhimento obediente do projeto divino. Isaias dizia que levado ao matadouro, ele não abria a boca. Não reage agressivamente, mas se abandona, se entrega totalmente nas mãos do Pai, que é consumado no seu grito final: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”, entrego a minha vida. Tudo isso pode passar a impressão de que a fidelidade produz passividade. Não é isso. A fidelidade é uma força, uma virtude, que existe dentro de nós e que nos garante viver a fé de modo tão coerente a ponto de passar pelo sofrimento mais terrível e se manter fiel. Jesus é muito claro no seu exemplo de fidelidade. Nada, nem o a forma de sofrimento mais profundo foi capaz de desviá-lo do projeto do Pai, de fazer a vontade do Pai. Como nós, eu e você, enfrentamos os desafios de nossas vidas? Com a força da FIDELIDADE ou com a fraqueza das reclamações diante dos desafios que a vida sempre nos oferece? Amém!



























LAVA-PÉS











“Jesus sabia que tinha chegado sua hora de passar deste mundo ao Pai”. Este é o primeiro pensamento que quero propor para celebrarmos o Tríduo Pascal da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Vou repetir a frase para que possamos compreender bem com qual espírito Jesus vive os últimos dias e momentos de sua vida terrena. A frase diz: “Jesus sabia que tinha chegado sua hora de passar deste mundo ao Pai.” São João está comunicando que Jesus tinha consciência de duas coisas: sua vida estava sendo ameaçada e ele estava prestes a voltar para o Pai. Sua missão estava sendo concluída e voltaria para o Pai. João usa o verbo PASSAR. Essa é a segundo comunicação do Evangelho: Jesus sabia que iria realizar uma PASSAGEM que, em hebraico se diz “pessah”, traduzido como Páscoa. A passagem de Jesus, portanto, na sua “hora”, é a sua Páscoa. Por onde Jesus iria passar ao Pai: passando pela morte. É a sua primeira páscoa: passar pela morte. Tudo isso é resumido em uma única palavra, por São João: “a hora de Jesus”.

 

Vamos colocar uma pergunta básica: como Jesus passa pela “hora”? A Liturgia traz duas explicações. A primeira apresentando a figura do Cordeiro Pascal, descrita na 1ª leitura. A imagem do Cordeiro Pascal, imolado, quer dizer, morto para salvar uma família com o seu sangue pintado na porta, revela a forma concreta de como Jesus vive a sua “hora”: fazendo-se Cordeiro Pascal, oferecendo seu corpo e seu sangue para salvar a vida humana. A vida de Jesus torna-se sacrifício, torna-se oferta, torna-se oblação. O modo de Jesus se preparar para a sua “hora” é oferecendo sua vida ao Pai. Isto é manifestado no seu corpo, no derramamento do seu sangue para em tudo realizar em completa fidelidade a vontade do Pai. O segundo modo como Jesus vive a sua “hora” continua sendo de oferecimento e, neste caso, na Eucaristia, oferecendo sua vida no pão e no vinho. É desse modo que Jesus vive sua “hora”, vive seus últimos momentos da vida: entregando seu sangue, entregando sua vida para salvar a vida de cada ser humano.

 

A pergunta que colocamos agora é esta: como Jesus viveu a sua “hora”? A resposta: na mais completa FIDELIDADE ao projeto do Pai. É o projeto do Pai que estrutura e orienta toda a vida de Jesus até o último momento de sua vida, como ele mesmo afirma que veio para fazer a vontade do Pai (Jo 4,34). É isto que o motiva a vida de Jesus: fazer a vontade do Pai. Quando chega sua “hora”, Jesus passa por toda forma de sofrimento humano, como refletiremos na celebração de amanhã. Mesmo assim, ele permanece fiel; permanece na FIDELIDADE.  Quando participamos da Missa, como estamos fazendo agora, ao comungar a Palavra do Evangelho e ao comungar o Corpo e o Sangue de Jesus, nós assumimos o compromisso: viver na FIDELIDADE ao projeto do Pai como Jesus. Como realizamos isso concretamente em nosso dia a dia? Colocando em prática o Mandamento Novo da fraternidade através do serviço fraterno, expresso no gesto do lava-pés, que realizaremos a seguir. É desse modo que nos mantemos fiel, que vivemos na FIDELIDADE, e participamos da entrega da vida de Jesus, entregando nossas vidas para o bem da vida humana. O compromisso expresso pelo salmista, no final do salmo responsorial, de cumprir sua promessa ao Senhor na frente do povo, quer dizer, que irá ser fiel, viver da fidelidade ao projeto divino, fala por nós, cristãos e cristãs, praticando o lava-pés e colocando em prática o Mandamento Novo dado por Jesus. Amém!