“Jesus sabia que tinha
chegado sua hora de passar deste mundo ao Pai”.
Este é o primeiro pensamento que quero propor para celebrarmos o Tríduo Pascal
da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Vou repetir a frase para que possamos
compreender bem com qual espírito Jesus vive os últimos dias e momentos de sua
vida terrena. A frase diz: “Jesus sabia que tinha chegado sua hora de
passar deste mundo ao Pai.” São João está comunicando que Jesus tinha
consciência de duas coisas: sua vida estava sendo ameaçada e ele estava prestes
a voltar para o Pai. Sua missão estava sendo concluída e voltaria para o Pai.
João usa o verbo PASSAR. Essa é a segundo comunicação do Evangelho:
Jesus sabia que iria realizar uma PASSAGEM que, em hebraico se diz “pessah”,
traduzido como Páscoa. A passagem de Jesus, portanto, na sua “hora”,
é a sua Páscoa. Por onde Jesus iria passar ao Pai: passando pela morte. É a sua
primeira páscoa: passar pela morte. Tudo isso é resumido em uma única palavra,
por São João: “a hora de Jesus”.
Vamos
colocar uma pergunta básica: como Jesus passa pela “hora”? A Liturgia
traz duas explicações. A primeira apresentando a figura do Cordeiro
Pascal, descrita na 1ª leitura. A imagem do Cordeiro Pascal, imolado, quer
dizer, morto para salvar uma família com o seu sangue pintado na porta, revela
a forma concreta de como Jesus vive a sua “hora”: fazendo-se Cordeiro
Pascal, oferecendo seu corpo e seu sangue para salvar a vida humana. A vida de
Jesus torna-se sacrifício, torna-se oferta, torna-se oblação. O modo de Jesus
se preparar para a sua “hora” é oferecendo sua vida ao Pai. Isto é
manifestado no seu corpo, no derramamento do seu sangue para em tudo realizar
em completa fidelidade a vontade do Pai. O segundo modo como Jesus vive a sua “hora” continua
sendo de oferecimento e, neste caso, na Eucaristia, oferecendo sua vida no pão
e no vinho. É desse modo que Jesus vive sua “hora”, vive seus últimos
momentos da vida: entregando seu sangue, entregando sua vida para salvar a vida
de cada ser humano.
A
pergunta que colocamos agora é esta: como Jesus viveu a sua “hora”? A
resposta: na mais completa FIDELIDADE ao projeto do Pai. É o projeto do Pai que
estrutura e orienta toda a vida de Jesus até o último momento de sua vida, como
ele mesmo afirma que veio para fazer a vontade do Pai (Jo 4,34). É isto que o
motiva a vida de Jesus: fazer a vontade do Pai. Quando chega sua “hora”,
Jesus passa por toda forma de sofrimento humano, como refletiremos na
celebração de amanhã. Mesmo assim, ele permanece fiel; permanece na
FIDELIDADE. Quando participamos da Missa, como estamos fazendo agora, ao
comungar a Palavra do Evangelho e ao comungar o Corpo e o Sangue de Jesus, nós
assumimos o compromisso: viver na FIDELIDADE ao projeto do Pai como Jesus. Como
realizamos isso concretamente em nosso dia a dia? Colocando em prática o
Mandamento Novo da fraternidade através do serviço fraterno, expresso no gesto
do lava-pés, que realizaremos a seguir. É desse modo que nos mantemos fiel, que
vivemos na FIDELIDADE, e participamos da entrega da vida de Jesus, entregando
nossas vidas para o bem da vida humana. O compromisso expresso pelo salmista,
no final do salmo responsorial, de cumprir sua promessa ao Senhor na frente do
povo, quer dizer, que irá ser fiel, viver da fidelidade ao projeto divino, fala
por nós, cristãos e cristãs, praticando o lava-pés e colocando em prática o
Mandamento Novo dado por Jesus. Amém!






















