No
Evangelho (Jo 6,51-58), meditamos alguns versículos da catequese que João
apresenta para a multidão que Jesus segue depois que ele multiplicou os pães,
os peixes e saciou sua fome de alimento perecível e aguçou a fome de alimento
eterno.
Jesus,
a Palavra viva de Deus que se tornou carne, se reúne na última ceia com seus
discípulos. Antes de oferecer-se na Cruz, oferece-se como Pão que dá vida nova
ao mundo. A oferta que Ele faz de si mesmo na Cruz foi antecipada na oferta da
Eucaristia e a oferta da Eucaristia expressa sua doação plena na cruz pela
nossa redenção. A celebração é encerrada com salmos e com a decisão de ir ao
Monte das Oliveiras, lugar onde Jesus iniciará sua Paixão. Os discípulos o
acompanham como expressão de que a Igreja deve sofrer e se doar pelo seu Mestre
como Ele próprio o fez pela Igreja e por toda humanidade.
Permanece
em Jesus quem o comunga e permanecer em Jesus significa viver o seu projeto do
Reino.
Na
festa de Corpus Christi, a cada ano, a Igreja atualiza o mistério vivido na
Quinta-feira Santa, mas o celebra com uma espiritualidade marcada pela
Ressurreição. Se na Última Ceia, depois de partilhar o pão, os apóstolos seguem
em procissão com Jesus para o Horto das Oliveiras para uma noite de agonia,
traição e perseguição rumo a via cruz, na noite de Corpus Christi, retomamos
esta procissão, mas já na alegria da Ressurreição rumo a vida eterna.
Estamos
vivendo um ano por demais cansativo. Cansativo e exaustivo como tantos anos já
vividos pela humanidade que caminha “neste vale de lágrimas”. Estamos cansados
das numerosas guerras, cansados dos líderes políticos narcisistas, cansados do
egocentrismo que permeia as mídias sociais, cansados das mazelas humanas… Então
por que caminhar em uma procissão, se estamos tão cansados física e
psicologicamente? Porque nossa existência é um ato de peregrinação. Caminhar
para retornar para onde nunca deveríamos ter saído: a Graça de Deus. A
procissão do Corpus Christi ensina-nos que a Eucaristia nos quer libertar de
qualquer abatimento e desencorajamento. Poderemos percorrer todo o caminho, se
tivermos como alimento Aquele que é Palavra e Pão de vida. O Cristo quer
fazer-nos levantar, para que possamos retomar o caminho com a força que Deus
nos dá mediante Jesus Cristo, Verbo tornado alimento.
Comungar
o Senhor, seu Corpo e seu Sangue, significa comungar seu desejo de alimentar a
vida plena da humanidade. Assim, compreendemos que para verdadeira experiência
eucarística, é necessário, que aqueles que comungam, ofertem a própria vida
conforme o coração divino presente na Eucaristia. Não apenas receber a comunhão
– não importando se foi recebida por meio da mão ou na boca – é necessário se
tornar também comunhão. A Eucaristia é o princípio da comunhão na vida da
Igreja e convoca a todos para a mesma missão em busca da unidade. O mundo com
suas divisões ideológicas e culturais, não deve influenciar a caminhada da
Igreja. Devemos acolher a todos, mas sem renunciarmos aos compromissos e
exigências que a fidelidade ao Evangelho impõe.
Somos
convidados a adorar o Senhor. Somos convidados a receber a Eucaristia e nos
tornarmos também Eucaristia. Quando comungamos nos tornamos sacrários vivos.
Cristo se faz realmente presente na Hóstia consagrada e em nós quando o
comungamos. Na procissão que realizamos depois da comunhão levamos o ostensório
onde apresentamos ao mundo nosso Salvador. No entanto não esqueçamos que na
mesma procissão somos testemunhas vivas de sua presença pela Eucaristia que
comungamos e pelo testemunho que damos através da vivência da fé cotidiana.
Hoje,
quando o sacerdote depois de elevar sagrado Corpo e o sagrado Sangue e afirmar:
“Eis o mistério da fé”, plenos de alegria afirmemos com fé e coração
eucarístico: “Todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice,
anunciamos, Senhor a vossa morte, enquanto esperamos vossa vinda.” Que nós, em
nossa vida e missão, tenhamos certeza de que a Igreja nasce e vive da
Eucaristia e que a Eucaristia realiza em nós, ainda aqui na terra, a comunhão
que viveremos no céu com Deus que é: Pai, Filho e Espírito Santo.












