terça-feira, agosto 18, 2026

SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE MARIA






Imaginemos a cena: uma jovem de Nazaré, recém-visitada pelo Anjo, acaba de receber em seu seio virginal o Verbo Eterno. Poderia ter ficado em casa, guardando para si o segredo divino. Poderia ter-se recolhido, esperando que os meses passassem em silêncio. Mas não. O Evangelho nos diz que Maria partiu apressadamente para a região montanhosa da Judeia. Levava consigo o próprio Deus; por isso não podia demorar-se.

Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. Bastou aquela saudação, aquela voz portadora do Verbo, para que tudo se transfigurasse. O menino João, ainda no ventre materno, reconheceu a presença do seu Senhor e saltou de alegria. Isabel, cheia do Espírito Santo, proclamou a primeira bem-aventurança mariana da história: “Bendita és tu entre as mulheres”. Toda a criação se punha em júbilo diante da Mãe de Deus. Maria, humilde serva, tornara-se arca viva da Nova Aliança.

A antiga Arca foi levada por Davi para a montanha de Sião. A nova Arca sobe apressadamente à montanha da Judeia, levando em si o Rei dos reis. Davi dançou diante da Arca; João Batista saltou diante de Maria. A antiga Arca permaneceu três meses na casa de Obed-Edom; Maria ficou três meses na casa de Isabel. Tudo se cumpre, tudo se eleva, tudo se transfigura. A tipologia é perfeita. Deus preparou desde sempre esta Mulher bendita para ser o sacrário vivo de sua presença.

Por isso a Igreja, fiel à Tradição apostólica e guiada pelo Espírito Santo, proclama o dogma da Assunção. Maria, preservada do pecado original, não conheceu a corrupção do túmulo. Seu corpo virginal, que gerara o Corpo de Cristo, foi elevado à glória celeste. Como ensina o Catecismo, “a Imaculada, preservada imune de toda mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”. O que Cristo prometeu a todos os justos na ressurreição final, antecipou-o em sua Mãe Santíssima.

Santo Agostinho dizia que Maria concebeu Cristo primeiro na fé, depois no ventre. A Assunção é o coroamento dessa fé. Isabel proclamou: “Bem-aventurada aquela que acreditou”. Maria acreditou até o fim, até o Calvário, até o Cenáculo. Por isso foi glorificada até o fim, até o trono celeste, até a coroa de doze estrelas. A humildade que a fez serva mereceu-lhe a exaltação que a fez Rainha.

Amados, esta solenidade não é apenas festa de Maria. É festa de nossa esperança. Vendo a Mãe coroada no céu, sabemos que nosso destino não é o pó, mas a glória. Maria assunta é primicia  e penhor da ressurreição que nos aguarda. São Paulo ensina que Cristo é a primicia dos que dormem; Maria é a primeira dos redimidos a participar plenamente do triunfo pascal. O que nela se cumpriu antecipadamente, cumprir-se-á em todos os que perseveram na graça.

Como vivemos esta verdade no dia a dia? Imitando a pressa de Maria. Ela correu à montanha porque levava Cristo; nós também devemos correr, porque o recebemos na Eucaristia. Cada comunhão bem feita é um novo Magnificat:  Cristo habita em nós, e por Ele nossa alma engrandece o Senhor. Não podemos guardar a graça para nós mesmos. É preciso visitar, servir, consolar, santificar. Maria não pregou; bastou sua presença para santificar João Batista. Nossa presença cristã, se formos fiéis, também santificará o mundo.

Olhemos para o céu onde Maria reina. Ela intercede por nós, seus filhos. Combate o dragão infernal que quer devorar nossa alma. Prepara-nos um lugar no deserto deste mundo, onde possamos perseverar até o fim. Corramos, portanto, com pressa santa, levando Cristo aos irmãos. Guardemos a pureza do corpo e da alma, pois somos templos do Espírito Santo. Um dia, se formos fiéis, seremos também glorificados em corpo e alma, conforme a promessa. Maria Santíssima, Rainha assumpta ao céu, rogai por nós.