A
pergunta de Jesus não nos pede simplesmente nossa opinião, mas nos interpela
principalmente sobre a nossa atitude diante dele. E essa atitude não
transparece só em nossas palavras, mas sobretudo em nosso seguimento concreto
de Jesus. Como escreveu algum teólogo: "A breve proposição: 'eu creio que
Jesus é o Filho de Deus' significa algo completamente diferente, se ela é
pronunciada por Francisco de Assis ou por um dos atuais ditadores
sul-americanos. O Deus desses homens não é o mesmo, ou, pelo menos, o Deus que
cada um invoca para dirigir sua conduta".
As
palavras de Jesus pedem uma opção radical. Ou Jesus é para nós um personagem a
mais, ao lado de muitos outros da história, ou Ele é a Pessoa decisiva que nos
traz a compreensão última da existência, a orientação decisiva para a nossa
vida e nos oferece a esperança definitiva.
A
pergunta "e vós, quem dizeis que Eu sou?" adquire então um conteúdo
novo. Não é mais apenas uma questão sobre Jesus, mas sobre nós mesmos. Quem sou
eu? Em quem eu creio? A partir de que oriento a minha vida? A que se reduz a
minha fé?
Todos
temos de lembrar sempre de novo que a fé não se identifica com as fórmulas que
pronunciamos. Para compreender melhor o alcance "do que eu creio", é
necessário verificar como vivo, a que aspiro, em que me comprometo.
Por
isso, a pergunta de Jesus, mais do que um exame sobre nossa ortodoxia, deveria
ser um apelo a um modo de vida cristão. Não se trata evidentemente de dizer ou
crer qualquer coisa sobre Cristo. Mas também não de fazer solenes profissões de
fé ortodoxa, para viver depois muito longe do espírito que essa mesma
proclamação de fé exige e traz consigo.
ADESÃO
VIVA A JESUS CRISTO
Não
é fácil tentar responder com sinceridade a pergunta de Jesus: "E vós, quem
dizeis que Eu sou?" Na verdade, quem é Jesus para nós? Sua pessoa nos
chega através de vinte séculos de imagens, fórmulas, devoções, experiências,
interpretações culturais... que vão desvelando e velando ao mesmo tempo sua
riqueza insondável.
Mas,
além disso, vamos revestindo Jesus do que somos cada um de nós. E projetamos
nele nossos desejos, aspirações, interesses e limitações. E, quase sem dar-nos
conta, o diminuímos e desfiguramos, inclusive quando tratamos de exaltá-lo.
Mas
Jesus continua vivo. Nós cristãos não pudemos dissecá-lo com nossa
mediocridade. Ele não permite que o disfarcemos. Não se deixa etiquetar nem
reduzir a uns ritos, fórmulas ou costumes.
Jesus
sempre desconcerta quem se aproxima dele com postura aberta e sincera. Sempre é
diferente do que esperávamos. Sempre abre novas brechas em nossa vida, rompe
nossos esquemas e nos atrai para uma vida nova. Quanto mais o conhecemos, mais
sabemos que ainda estamos começando a descobri-lo.
Jesus
é perigoso. Percebemos nele uma entrega aos seres humanos que desmascara nosso
egoísmo. Uma paixão pela justiça sacode nossas seguranças, privilégios e
egoísmos. Uma ternura que deixa a descoberto nossa mesquinhez. Uma liberdade
que rompe nossas mil escravidões e sujeições.
E,
sobretudo, intuímos nele um mistério de abertura e de proximidade a Deus que
nos atrai e convida a também abrir nossa existência ao Pai. Vamos conhecendo a
Jesus, na medida em que nos entregamos a Ele. Só há um caminho para
aprofundar-nos em seu mistério: segui-lo.
Seguir humildemente seus passos, abrir-nos com Ele ao Pai, reproduzir seus gestos de amor e ternura, olhar a vida com seus olhos, compartilhar seu destino doloroso, esperar sua ressurreição. E, sem dúvida, rezar muitas vezes do fundo do coração: "Creio, Senhor, mas ajuda à minha incredulidade".




