segunda-feira, agosto 24, 2026

XXI DOMINGO DO TEMPO COMUM










A pergunta de Jesus não nos pede simplesmente nossa opinião, mas nos interpela principalmente sobre a nossa atitude diante dele. E essa atitude não transparece só em nossas palavras, mas sobretudo em nosso seguimento concreto de Jesus. Como escreveu algum teólogo: "A breve proposição: 'eu creio que Jesus é o Filho de Deus' significa algo completamente diferente, se ela é pronunciada por Francisco de Assis ou por um dos atuais ditadores sul-americanos. O Deus desses homens não é o mesmo, ou, pelo menos, o Deus que cada um invoca para dirigir sua conduta".

As palavras de Jesus pedem uma opção radical. Ou Jesus é para nós um personagem a mais, ao lado de muitos outros da história, ou Ele é a Pessoa decisiva que nos traz a compreensão última da existência, a orientação decisiva para a nossa vida e nos oferece a esperança definitiva.

A pergunta "e vós, quem dizeis que Eu sou?" adquire então um conteúdo novo. Não é mais apenas uma questão sobre Jesus, mas sobre nós mesmos. Quem sou eu? Em quem eu creio? A partir de que oriento a minha vida? A que se reduz a minha fé?

Todos temos de lembrar sempre de novo que a fé não se identifica com as fórmulas que pronunciamos. Para compreender melhor o alcance "do que eu creio", é necessário verificar como vivo, a que aspiro, em que me comprometo.

Por isso, a pergunta de Jesus, mais do que um exame sobre nossa ortodoxia, deveria ser um apelo a um modo de vida cristão. Não se trata evidentemente de dizer ou crer qualquer coisa sobre Cristo. Mas também não de fazer solenes profissões de fé ortodoxa, para viver depois muito longe do espírito que essa mesma proclamação de fé exige e traz consigo.

 

ADESÃO VIVA A JESUS CRISTO

Não é fácil tentar responder com sinceridade a pergunta de Jesus: "E vós, quem dizeis que Eu sou?" Na verdade, quem é Jesus para nós? Sua pessoa nos chega através de vinte séculos de imagens, fórmulas, devoções, experiências, interpretações culturais... que vão desvelando e velando ao mesmo tempo sua riqueza insondável.

Mas, além disso, vamos revestindo Jesus do que somos cada um de nós. E projetamos nele nossos desejos, aspirações, interesses e limitações. E, quase sem dar-nos conta, o diminuímos e desfiguramos, inclusive quando tratamos de exaltá-lo.

Mas Jesus continua vivo. Nós cristãos não pudemos dissecá-lo com nossa mediocridade. Ele não permite que o disfarcemos. Não se deixa etiquetar nem reduzir a uns ritos, fórmulas ou costumes.

Jesus sempre desconcerta quem se aproxima dele com postura aberta e sincera. Sempre é diferente do que esperávamos. Sempre abre novas brechas em nossa vida, rompe nossos esquemas e nos atrai para uma vida nova. Quanto mais o conhecemos, mais sabemos que ainda estamos começando a descobri-lo.

Jesus é perigoso. Percebemos nele uma entrega aos seres humanos que desmascara nosso egoísmo. Uma paixão pela justiça sacode nossas seguranças, privilégios e egoísmos. Uma ternura que deixa a descoberto nossa mesquinhez. Uma liberdade que rompe nossas mil escravidões e sujeições.

E, sobretudo, intuímos nele um mistério de abertura e de proximidade a Deus que nos atrai e convida a também abrir nossa existência ao Pai. Vamos conhecendo a Jesus, na medida em que nos entregamos a Ele. Só há um caminho para aprofundar-nos em seu mistério: segui-lo.

Seguir humildemente seus passos, abrir-nos com Ele ao Pai, reproduzir seus gestos de amor e ternura, olhar a vida com seus olhos, compartilhar seu destino doloroso, esperar sua ressurreição. E, sem dúvida, rezar muitas vezes do fundo do coração: "Creio, Senhor, mas ajuda à minha incredulidade".