terça-feira, novembro 28, 2023

MISSA DE ENCERRAMENTO DA COMEMORAÇÃO DOS 900 ANOS DA CANONIZAÇÃO DE SÃO CONRADO DE CONSTANÇA











Esta passagem do evangelho quer nos mostrar que ninguém pode negligenciar o amor aos irmãos, não podemos ser indiferentes ao sofrimento dos desprotegidos. Um dos pormenores mais sugestivos é a identificação de Cristo com os famintos, os abandonados, os pequenos: todos eles são membros de Cristo e não os amar é não amar Cristo.  A mensagem é esta: o egoísmo e a indiferença para com o irmão não têm lugar no Reino de Deus.  E o mais terrível é a pena que está incluída nas palavras de Jesus: “Afastai-vos de mim”.  Por isso, tenhamos sempre consciência de que tudo que fizermos ao nosso próximo, imagem de Deus, aparecerá no último dia.  Pelo bem praticado, será grande a nossa recompensa: estar com Deus. Em última análise, é esse o critério que irá decidir a nossa entrada ou a nossa exclusão no Reino de Deus.

Pode-se observar o laço indissolúvel que Jesus estabelece entre a fé e o amor aos mais indefesos e desprotegidos.  Mesmo os “benditos” do Pai, chamados a receber o Reino, ficam espantados, porque fizeram o bem, sem saber a quem. Eles descobrirão, finalmente, na luz de Deus, o rosto de Cristo, que se escondia no mais pobre, no desfigurado e desconhecido, naquele que encontraram pelo caminho.   Para o cristão, a prática das obras de misericórdia, deriva, antes de mais, da sua relação autêntica com Jesus!

Mas podemos perguntar por que o Senhor Jesus se baseará no bem feito ao próximo? E por que justamente aos famintos, aos nus, aos estrangeiros, aos sedentos, aos doentes e aos prisioneiros? Certamente porque estas categorias resumem o que nós somos e o que Cristo fez por nós. Cada um de nós é um faminto, um nu, um estrangeiro, um doente e um prisioneiro.  Somos famintos e sedentos de justiça, nus em virtude do pecado, estrangeiros nesse mundo, doentes e prisioneiros das nossas paixões. Mas Cristo nos visita e cuida de todas essas necessidades. Nós, se queremos entrar na vida eterna, devemos nos tornar semelhantes ao Cristo, e isto se dá de forma sublime quando servimos ao próximo como ele mesmo nos serve, pois também ele veio “para servir e não para ser servido” (Mt 20,28).

Na vida de São Francisco de Assis há um episódio muito expressivo.  Na fase da sua conversão, ele se encontrou com um leproso no campo.  Depois de vencer o receio, desce do cavalo, dá a esmola pedida e beija o doente.  E ao sair, volta o seu olhar para o leproso para despedir-se, mas não vê mais ninguém, porque o leproso era o próprio Cristo que fora ao seu encontro.  É Cristo que se identifica com os mais pobres e necessitados.  Não há conversão verdadeira, isto é, não seremos verdadeiros discípulos de Cristo e “benditos do Pai” (v. 34), se não tivermos o coração e as mãos abertas para os necessitados.

Fazer o bem ao irmão é fazer o bem a Cristo. O irmão é uma graça de Deus, que nos abre a porta do Céu, pois fazemos o bem a nós mesmos, quando realizamos algo em prol do outro. Em outras palavras, a salvação vem pelo nosso próximo. Cada doente, cada necessitado, merece o nosso respeito e o nosso amor, porque, através deles, Deus nos indica o caminho para o céu.  E o bem feito ao nosso próximo será como o bem feito ao próprio Cristo.

Por isto, podemos dizer que a realeza de Cristo está na linha do serviço. É preciso colocar em prática o mandamento novo do amor. E o amor ao irmão é, portanto, uma condição essencial para fazer parte do Reino. Devemos estar conscientes de que o Reino de Deus está no meio de nós; a nossa missão é fazer com que ele seja uma realidade viva e presente no nosso mundo.

Tenhamos consciência que a meta final da nossa caminhada é o Reino de Deus, uma realidade de vida plena e definitiva. E podemos perguntar:  Como é que aí chegamos? É São Paulo que nos responde na segunda leitura: “Identificando-nos com Cristo”.  No dia do juízo final possamos todos nós ouvir este convite de Jesus: “Vinde, benditos de Meu Pai, recebei em herança o Reino que para vós está preparado desde a criação do mundo… ” (Mt 25, 34.36).





















segunda-feira, novembro 27, 2023

MISSA DO CRISMA, FESTA DE SÃO CONRADO DE CONSTANÇA









Em setembro de 948, o abade de Einsiedeln, Eberhaad, pediu a São Conrado, Bispo de Constância, que se dignasse fazer a consagração da igreja de sua Abadia.

O Prelado atendendo a solicitação, dirigiu-se ao Convento, acompanhado do Santo Bispo de Augsbourg, Ulric, e de uma comissão de cavalheiros da sociedade.

No dia fixado para a cerimônia, São Conrado e alguns religiosos se dirigiram a igreja, alta noite, e se puseram em oração.

De repente, viram que a igreja se iluminara de uma luz celeste e que o próprio Jesus Cristo, acolitado pelos quatro evangelistas, celebrava no altar o oficio da Dedicação.

Anjos espargiam perfumes à direita e à esquerda do Divino Pontífice; o apóstolo São Pedro e o Papa São Gregório seguravam as insígnias do pontificado; e diante do altar se achava a Santa Mãe de Deus, circundada de uma auréola de glória.

Um coro de anjos, regido por São Miguel, fazia vibrar as abóbadas do templo com seus cantos celestiais.

Santo Estêvão e São Lourenço, os mais ilustres mártires diáconos, desempenham as suas funções.

São Conrado refere em uma de suas obras as diversas exclamações dos anjos no canto do Sanctus, do Agnus Dei e do Dominus vobiscum final.

Ao Sanctus, entre outras, diziam eles:

“Tende piedade de nós, ó Deus, cuja santidade refulge no santuário da Virgem gloriosa. Bendito seja o Filho de Maria, que vem a esse lugar para reinar eternamente!”

 

Maravilhado com semelhante aparição, o Bispo continuou a rezar até onze horas do dia.

E o povo esperava com ansiedade o início da cerimônia, sem que, no entanto, alguém ousasse indagar a causa dessa demora.

Afinal, alguns religiosos se acercam do Prelado e lhe pedem que comece a solenidade.

Mas São Conrado, sem deixar o lugar onde rezava, conta com simplicidade tudo o que presenciara e ouvira.

Sua narração fez supor que ele estivesse sob a ilusão de um sonho.

Finalmente, o santo Bispo, cedendo às instâncias de todos, dispôs-se a proceder a consagração da igreja.

Foi então que aos ouvidos dos fiéis escutaram estas palavras, pronunciadas por uma voz angélica, que repercutiu em toda a assembleia, dizendo mais de uma vez, na linguagem da Igreja:

“Cessa, cessa, frater! Capella divinitas consecrata est: detende-vos, detende-vos, meu irmão, a capela já foi divinamente consagrada.”

 

Dezessete anos mais tarde, São Contado, Santo Ulrico e outras testemunhas oculares do acontecimento, encontrando-se reunidos em Roma, prestaram acerca dele um solene testemunho.

E depois de todas as necessárias informações jurídicas, Leão VIII deu publicidade ao fato por meio de uma bula especial, que foi confirmada pelos papas Inocêncio IV, Martinho V, Nicolau IV, Eugênio VI, Nicolau V, Pio II, Júlio II, Leão X, Pio IV, Gregório XIII, Clemente VII e Urbano VIII.

E, a 15 de maio de 1793, Pio VI ratificou os atos de seus predecessores, a despeito dos céticos, sempre prontos a duvidar do que lhes não convém, e cheios de credulidade absurda para com o que os lisonjeia.

 

Fonte: https://oracoesemilagresmedievais.blogspot.com/2020/05/santuario-dos-eremitas-onde-cristo.html


















sábado, novembro 25, 2023

6º DIA DO JUBILEU DE SÃO CONRADO DE CONSTANÇA





E o Altar? Qual o zelo e atenção que lhe dedicamos? Qual seu significado para nós? Estes e outros questionamentos queremos abordar e iluminar conforme a mais antiga Tradição da Igreja e a Instrução Geral do Missal Romano, pois o altar deve ocupar um lugar no espaço litúrgico, onde seja de fato o centro para onde espontaneamente se volte à atenção de toda assembleia.

¨O altar é a mesa própria para o sacrifício e o banquete Pascal¨ (IGMR, 3).

Portanto, não se trata de uma mesa qualquer, trata-se de uma mesa sagrada para a Igreja. E mesmo que pudéssemos celebrar o memorial de Cristo numa mesa que não tenha sido dedicada para este fim, é sempre recomendável que a comunidade cristã tenha um altar estável, visível, em proporção ao espaço litúrgico, para celebrar a Ceia do Senhor.

Por isso, ao entrarmos numa Igreja e sempre que passarmos diante do altar, devemos nos acostumar a voltar nosso olhar e atenção para ele, e saudá-lo com uma inclinação de corpo ou de cabeça, em atitude de respeito e terno amor para com Jesus Cristo, Pedra viva que sustenta a comunidade cristã. A inclinação é um sinal de veneração e humildade que deve ser feito por todos os fiéis, em todos os momentos, não somente nos horários da celebração.

É claro que essa centralidade do altar deve ser levada em conta também durante as celebrações com alguns gestos litúrgicos: com a inclinação do corpo quando passamos por ele, a incensação e o beijo. Uma vez que a consciência da Igreja é a de que  ¨o altar é o próprio Cristo¨, a Igreja que é sua Esposa, ao encontrar-se com Ele no início da missa, em gesto de adoração, beija-o. É, portanto, um beijo esponsal.

Se o altar é o centro da assembleia reunida, devemos evitar  que a cadeira da presidência e os assentos dos acólitos e ministros extraordinários sejam colocados na frente dele, pois os ministros ficando de costas para o altar, enfraquecem sua centralidade. Ele é um sinal sacramental e para demonstrar isso, o altar de nossas Igrejas é ¨dedicado¨ em solene celebração.

Outro sinal significativo vem desde os primeiros séculos da Igreja onde era costume que os altares fossem construídos sobre o túmulo dos mártires. A Igreja manteve essa tradição e conserva até hoje o gesto de colocar no altar, algumas relíquias dos mártires. Havia uma consciência de que os corpos daqueles que deram seu sangue a exemplo de Jesus honram o altar do Senhor. Como as relíquias dos santos mártires são difíceis de ser encontradas, a Igreja prevê que possam ser utilizadas também relíquias dos santos. No altar de nossa Catedral (Colatina/ES) estão despositadas as relíquias de Santa Margarida Maria Alacoque, Beato Cláudio de La Colombiére, São Geraldo Magela, Santa Terezinha do Menino Jesus e dos mártires São Sebastião, Santa Inês e Santa Maria Gorete.

Esse sinal significa que o sacrifício de Cristo ¨cabeça¨ estende-se no sacrifício dos membros do corpo, não apenas aos declarados pela Igreja como santos, mas, a todos os batizados, portanto, cada um de nós.

O altar cristão que é sinal do verdadeiro altar, que é Cristo, é também um sinal daquilo em que nós cristãos devemos nos transformar. Somos, de certa maneira, ¨altar espiritual¨. Por isso que após a preparação da mesa no ofertório, logo que as espécies do pão e do vinho, a cruz, o altar e o que preside a celebração são incensados, segue-se a incensação de toda assembleia. Terminada a celebração, devemos cuidar para que o altar não se torne uma mesa qualquer onde são colocados: objetos litúrgicos, folhetos, presentes, vasos….pois o altar continua sendo um sinal sacramental.

Como vemos, é preciso cuidar do altar de maneira que ele possa evocar, de verdade, o mistério de Cristo e da Igreja, pois, o altar é a mesa própria para o sacrifício e o banquete Pascal. Não percamos o foco, pois o altar é o sinal do próprio Cristo e sobre ele, ao celebrarmos a Eucaristia, somos convidados também a fazermos de nossa vida um altar onde nos oferecemos com Jesus, oferta perfeita do Pai. Participemos, assim, em comunhão do Mistério Pascal em torno do Altar do Senhor  com o máximo respeito e veneração, por tudo aquilo que ele significa para a Igreja.


Fonte: Diocese de Colatina













sexta-feira, novembro 24, 2023

5º DIA DA CELEBRAÇÃO DO JUBILEU DOS 900 ANOS DÁ CANONIZAÇÃO DE SÃO CONRADO DE CONSTANÇA






Conrado nasceu de família de nobres, em Wajngarten, por volta do ano 900.

Recebeu a formação espiritual, como frater adscriptus, no mosteiro de São Galo, onde foi confiado à escola da catedral de Constança.

Em 934, na presença de São Ulric, bispo de Augusta, com quem mantinha relações amistosas, foi eleito bispo de Constança, onde se distinguiu por construir e equipar igrejas e hospitais. Embora não tenha exercido atividade política, parece ter sido muito apreciado por Otão I, com quem provavelmente se encontrou durante a viagem a Roma para a coroação imperial (964).

De acordo com uma fonte desconhecida, ele teria estado três vezes em Jerusalém.

Morreu em 26 de novembro de 975 e foi sepultado na basílica de São Maurício, que ele mesmo havia mandado construir.

O bispo Ulric de Costança (1111-1127) implorou ao Papa Calixto II que canonizasse Conrado: o pontífice respondeu para enviar uma “Vida” do santo a Roma. A que havia sido escrita por Udalscalco foi enviada em nome do próprio Ulric. Calisto II, em carta datada de 28 de março de 1123, dirigida ao bispo, clero e povo de Constança, declarou Conrado santo: no dia 26 de novembro seguinte ocorreu a transferência solene dos restos mortais.

No ano de 1526, na época da Reforma, os restos sagrados foram lançados no lago de Constança; apenas sua cabeça foi salva.

Conrado é um dos patronos de Constança e Freiburg em Breisgau: seu culto é difundido na Suíça germanófona, no mosteiro de São Galo e em Einsiedeln, na Suábia e em Ottobeuren.

Na iconografia, o santo bispo é muitas vezes representado com um cálice no qual caiu uma aranha: a razão se origina do episódio segundo o qual Conrado teria engolido sem hesitação e sem danos uma aranha venenosa caída no cálice durante a missa.










BENÇÃO DO BAIRRO DE SÃO CONRADO

 






Ouvi-nos, Senhor, Pai santo, Deus eterno e Todo-Poderoso, e dignai-Vos mandar do céu o Vosso santo anjo para que ele guarde, ajude, proteja, visite e defenda todos os que moram neste bairro .

Dai-nos a paz, o amor, a saúde, a prosperidade. Defendei-nos de todos os perigos e inimigos do corpo e da alma e dai, a cada um de nós, uma boa hora de morte. Pela intercessão de São Conrado de Constança. Por Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amém.