quinta-feira, agosto 31, 2017

MÊS DA BÍBLIA



Quão saborosas são para mim vossas palavras, mais doces que o mel à minha boca” (Sl 118, 103).
“Vossa palavra é um facho que ilumina meus passos. E uma luz em meu caminho” (Sl 118, 105).
A Igreja no Brasil dedica todo o Mês de Setembro a Bíblia. Sem dúvida é uma iniciativa muito salutar. A motivação provém do fato da  Igreja celebrar no dia 30 de setembro a memória do grande santo e doutor da Igreja, São Jerônimo, que a pedido do Papa Dâmaso (366-384) preparou uma excelente tradução da Bíblia em latim, a partir do hebraico e do grego; a chamada Vulgata. Foi um trabalho gigantesco que demandou cerca de 35 anos nas grutas de Belém, onde ele realizava esse ofício, vivendo uma austera vida de oração e penitência. São Jerônimo dizia que quem não conhece os Evangelhos não conhece Jesus.
São Jerônimo (347-420), chamado de “Doutor Bíblico”,  nasceu na Dalmácia e educou-se em Roma; é o mais erudito dos Padres da Igreja latina; sabia o grego, latim e hebraico. Viveu alguns anos na Palestina como eremita. Em 379, foi ordenado sacerdote pelo bispo Paulino de Antioquia; foi ouvinte de São Gregório Nazianzeno e amigo de São Gregório de Nissa. De 382 a 385 foi secretário do Papa São Dâmaso. Pregava o ideal de santidade entre as mulheres da nobreza romana (Marcela, Paula e Eustochium) e combatia os maus costumes do clero. Na figura de São Jerônimo destacam-se a austeridade, o temperamento forte, o amor a Igreja e à Sé de Pedro.
Conhecer a Palavra de Deus é fundamental para todo cristão. A Carta aos hebreus diz que “a Palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes, e atinge até à divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4,12).
Jesus conhecia profundamente a Bíblia e a citava.  Isso é o suficiente para que todos nós façamos o mesmo. Na tentação do deserto ele venceu o demônio lançando em seu rosto, por três vezes, a santa Palavra.  Quando o tentador pediu que Ele transformasse as pedras em pães, para provar Sua filiação divina, Jesus lhe disse: “O homem não vive só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor” (Dt 8,3c).
Quando o tentador exigiu que Ele se jogasse do alto do templo, Jesus respondeu: “Não tentarás o Senhor; vosso Deus” (Dt 6,16a). E quando Satanás tentou fazer com que Ele o adorasse, ouviu mais uma vez a Palavra de Deus: “Adorarás o Senhor, teu Deus, e só a ele servirás” (Dt 6,13).
O demônio não tem força diante da Palavra de Deus lançada em seu rosto; por isso, cada um de nós precisa conhecer o poder dela. Jesus morreu rezando todo o Salmo 21: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Sl 21,2).
É preciso ler e estudar a Bíblia regularmente, todos os dias; aquecer a alma com um trecho dela; e saber usá-la nos momentos de dor, dúvida, angústia, medo, etc. Abra a Palavra, deixe Deus falar a seu coração. E fale com Deus; é a maneira mais fácil de rezar.
O Espírito Santo nos ensina essa verdade, pela boca do profeta Isaías; cuja boca tornou “semelhante a uma espada afiada” (Is 49,2):
“Tal como a chuva e a neve caem do céu e para lá não voltam sem ter regado a terra, sem a ter fecundado, e feito germinar as plantas, sem dar o grão a semear e o pão a comer, assim acontece à palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado a minha vontade e cumprido a sua missão” (Is 55,10).
Leia também: Os livros da Bíblia
A palavra de Deus é transformadora, santificante. São Paulo explica isso a seu jovem discípulo Timóteo, com toda convicção:
“Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para persuadir, para corrigir e formar na justiça” (2Tm 3,16).
Ela é, portanto um instrumento indispensável para a nossa santificação. Não conseguiremos ter “os mesmos sentimentos de Cristo” (Fil 2,5) sem ouvir, ler, meditar, estudar e conhecer a sua santa palavra. São Jerônimo, dizia que “quem não conhece o Evangelho não conhece Jesus Cristo”.
Jesus nos ensina que “a Escritura não pode ser desprezada” (Jo 10,34). São Paulo recomendava a Timóteo”: “aplica-te à leitura da Palavra” (1Tm 4,13). Ela não é palavra humana, mas “palavra de Deus…! Que age eficazmente em vós” (1Ts 2,13).
Jesus é a própria Palavra de Deus, o Verbo de Deus que se fez carne (Jo 1,1s). No livro do Apocalipse São João viu o Filho do homem…” e de sua boca saia uma espada afiada, de dois gumes” (Ap 1,16). É o símbolo tradicional da irresistível penetração da palavra de Deus.
São Pedro diz que renascemos pela força dessa palavra.
“Pois haveis renascidos, não duma semente corruptível, mas pela Palavra de Deus, semente incorruptível, viva e eterna”, (1 Pd 1,23) e, como disse o profeta Isaías: “a palavra do Senhor permanece eternamente” (Is 11,6-8).
Quando avisaram a Jesus que a Sua mãe e os seus irmãos queriam vê-lo, o Senhor disse: “Minha mãe e meus irmãos são estes que ouvem a palavra de Deus e a observam” (Lc 8,21). “Antes bem-aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e a observam!” (Lc 11,28).
Pela boca do profeta Amós, o Espírito Santo disse: “Eis que vem os dias… em que enviarei fome sobre a terra, não uma fome de pão, nem uma sede de água, mas fome e sede de ouvir a palavra do Senhor” (Am 8,11). Graças a Deus esses dias chegaram!
Quando Jesus explicava as Escrituras para os discípulos de Emaús, eles sentiam “que se lhes abrasava os corações” (Lc 24,32). Todos os santos, sem exceção, mergulharam fundo as suas vidas nas santas Escrituras e deixaram-se guiar  pelos ensinamento da Igreja.
São Pedro disse: “Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus” (2 Pd 1,20-21).
Assista também: Setembro: Mês da Bíblia
É preciso estudar a Bíblia, fazer um curso bíblico, porque nem sempre sua leitura é fácil de ser compreendida. Ela não é um livro de ciência, mas, sim, de fé. Utilizando os mais diversos gêneros literários, ela narra acontecimentos da vida de um povo guiado por Deus, desde quatro mil anos atrás, atravessando os mais variados contextos sociais, políticos, econômicos, etc. Por isso, a Palavra de Deus não pode sempre ser tomada ao “pé da letra”, ou seja, literalmente, embora muitas vezes o deva ser. “Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica” (2 Cor 3,6c).
É por isso, que Jesus confiou sua interpretação a Igreja Católica, que a faz através do Sagrado Magistério, dirigido pela cátedra de Pedro (o Papa), e da Sagrada Tradição Apostólica, que constitui o acervo sagrado de todo o passado da Igreja e de tudo quanto o Espírito Santo lhe revelou no passado e continua fazendo no presente. (cf. Jo 14, 15.25; 16,12-13). A Igreja não erra na interpretação da Bíblia, e isso é dogma de fé. Jesus mesmo lhe garantiu isto: “Quando vier o Paráclito, o Espírito da verdade, ensinar-vos-á toda a verdade” (Jo 16,13a).
A Bíblia interpretada erroneamente pode levar a perdição; é o que diz São Pedro quando fala sobre as Cartas de São Paulo: “É o que ele faz em todas as suas cartas… Nelas há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras” (2Pd 3,16s).
E a Igreja não despreza a ciência; muito pelo contrário, a valoriza tremendamente para iluminar a fé. Em Jerusalém, por exemplo, está a Escola Bíblica que se dedica a estudar exegese, hermenêutica, línguas antigas, geologia, história antiga, paleontologia, arqueologia, e tantas outras ciências, a fim de que cada palavra, cada versículo e cada texto da Bíblia para interpretar corretamente a Revelação de Deus.
Prof. Felipe Aquino

quarta-feira, agosto 30, 2017

MÃE E FILHO SANTOS




                                                                                                                                            

          
Dois santos admiráveis foram celebrados nessa semana: Santa Mônica (dia 27) e Santo Agostinho (dia 28), do século IV, cuja vida faz bem relembrar.

Aurélio Agostinho nasceu em Tagaste, na Região de Cartago, na África, filho de Patrício, pagão, e Mônica, cristã fervorosa. Segundo narra ele próprio, Agostinho bebeu o amor de Jesus com o leite de sua mãe. Infelizmente, porém, como acontece muitas vezes, a influência do pai fez com que se retardasse o seu batismo, que ele acabou não recebendo na infância nem na juventude. Estudou literatura, filosofia, gramática e retórica, das quais foi professor. Afastou-se dos ensinamentos da mãe e, por causa de más companhias, entregou-se aos vícios. Cometeu maldades, viveu no pecado durante sua juventude, teve uma amante e um filho, e, pior, caiu na heresia gnóstica dos maniqueus, para os quais trabalhou na tradução de livros.

Sua mãe, Santa Mônica, rezava e chorava por ele todos os dias. “Fica tranquila”, disse-lhe certa vez um bispo, “é impossível que pereça um filho de tantas lágrimas!” E foi sua oração e suas lágrimas que conseguiram a volta para Deus desse filho querido transviado.

Agostinho dizia-se um apaixonado pela verdade, que, de tanto buscar, acabou reencontrando na Igreja Católica: “ó beleza, sempre antiga e sempre nova, quão tarde eu te amei!”; “fizestes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração está inquieto, enquanto não descansa em Vós!”: são frases comoventes escritas por ele nas suas célebres “Confissões”, onde relata a sua vida de pecador arrependido. Transferiu-se com sua mãe para Milão, na Itália. Dotado de inteligência admirável, a retórica, da qual era professor, o fez se aproximar de Santo Ambrósio, Bispo de Milão, também mestre nessa disciplina. Levado pela mãe a ouvir os célebres sermões do santo bispo e nutrido com a leitura da Sagrada Escritura e da vida dos santos, Agostinho converteu-se realmente, recebeu o Batismo aos 33 anos e dedicou-se a uma vida de estudos e oração. Ordenado sacerdote e bispo, além de pastor dedicado e zeloso, foi intelectual brilhantíssimo, dos maiores gênios já produzidos em dois mil anos da História da Igreja. Escreveu numerosas obras de filosofia, teologia e espiritualidade, que ainda exercem enorme influência. Foi, por isso, proclamado Doutor da Igreja. De Santo Agostinho, disse o Papa Leão XIII: “É um gênio vigoroso que, dominando todas as ciências humanas e divinas, combateu todos os erros de seu tempo”. Sua vida demonstra o poder da graça de Deus que vence o pecado e sempre, como Pai, espera a volta do filho pródigo.

Sua mãe, Santa Mônica, é o exemplo da mulher forte, de oração poderosa, que rezou a vida toda pela conversão do seu filho, o que conseguiu de maneira admirável. Exemplo para todas as mães que, mesmo tendo ensinado o bom caminho aos seus filhos, os vêm desviados nas sendas do mal. A oração e as lágrimas de uma mãe são eficazes diante de Deus. E a vida de Santo Agostinho é uma lição para nunca desesperarmos da conversão de ninguém, por mais pecador que seja, e para sempre estarmos sinceramente à procura da verdade e do bem. 


Dom Fernando Arêas Rifan*

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/



segunda-feira, agosto 28, 2017

MARTÍRIO DE SÃO JOÃO BATISTA








São João Batista, chamado o batizador, filho de Zacarias e de Santa Isabel, ambos de família sacerdotal, é um dos poucos santos que tem duas festas no Calendário Litúrgico da Igreja: 24 de junho – Natividade, e 29 de agosto – martírio. João significa “Deus é propício”; foi um milagre de Deus, pois sua mãe era estéril e engravidou já velha.

João foi o precursor do Messias, encarnou o caráter forte de Elias, o maior dos profetas do AT. Ambos aparecem a Jesus em sua transfiguração no Tabor. A sua missão é semelhante “no espírito e no poder” à do profeta Elias, que enfrenta as centenas de falsos profetas de Baal, sem medo, na fé.

Já no ventre de sua mãe, João tem o primeiro encontro com Jesus (também no ventre de Maria), “estremecendo de alegria” no ventre de Isabel. Veio para “endireitar os caminhos do Senhor,” e foi santificado pela graça divina antes de nascer. “Eis, disse Isabel, repleta do Espírito Santo, a Maria – quando tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria em meu ventre.”

Santo Agostinho nos diz que São João Batista já era comemorado a 24 de junho na Igreja africana (século IV). Jesus disse que ele foi “o maior entre os nascidos de mulher”: é o último profeta e o primeiro apóstolo, enquanto precede o Messias e lhe dá testemunho. “É mais que um profeta, disse Jesus. É dele que está escrito: eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele preparará o teu caminho diante de ti.”

João foi como Jesus “sinal de contradição”, pregava contra a  hipocrisia e a imoralidade, por isso pagou com o martírio o rigor moral que ele não só pregava, sem ceder, também diante da ameaça de morte de Herodes Antipas, no ano décimo quinto do imperador Tibério (27-28 a.C.).  A sua palavra de fogo parece na verdade com o “espírito de Elias”. Sua figura vai desaparecendo à medida que vai surgindo “o mais forte,” Jesus. “É preciso que ele cresça e eu desapareça” (Jo 3,30). Um verdadeiro discípulo de Jesus.

João não teve medo – como muitos de nós hoje – de reprovar publicamente o comportamento pecaminoso de Herodes Antipas e da cunhada Horodíades, o que custou-lhe a dura prisão em Maqueronte, na margem oriental do Mar Morto e depois a morte por decapitação.

A lição de João Batista, mártir da fé e da moral, não pode ser esquecida e nem escondida; muitos na Igreja foram mártires em situações semelhantes por denunciarem a imoralidade de sua época. Hoje, esta imoralidade é maior ainda, ferindo o coração de Deus, calcando aos pés o Evangelho, profanando a vida das mulheres, das crianças não nascidas, da família, da dignidade humana. Quem será o João Batista de hoje a pregar contra o sexo fora do casamento, a prática homossexual, o aborto, a eutanásia, a inseminação artificial, a pornografia deslavada, os inúmeros adultérios, da corrupção endêmica, da malversação do dinheiro público?… Certamente João não se calaria diante de tudo isso. E sofreria de novo a morte.

Será que teremos hoje a coragem de João, de enfrentar quem sabe os processos, a perseguição, o “martírio da ridicularização” de que falava Bento XVI? Ou será que seremos uma Igreja omissa, calada, amedrontada diante dos Herodes Antipas de hoje? Será que lâmpada será colocada sob a mesa, deixando o mundo nas trevas do pecado e da morte? Será que nos acostumaremos com o mal negando dois mil anos de ensinamentos da Igreja?

Que a intercessão de São João Batista nos dê força, coragem e  sabedoria para enfrentar o mal em nossos dias.

Prof. Felipe Aquino



21º DOMINGO DO TEMPO COMUM



A pergunta de Jesus não nos pede simplesmente nossa opinião, mas nos interpela principalmente sobre a nossa atitude diante dele. E essa atitude não transparece só em palavras , mas sobretudo em nosso seguimento concreto de Jesus . Como escreveu algum teólogo : “a breve proposição : eu creio que Jesus é o Filho de Deus” significa algo completamente diferente , se ela é pronunciada por Francisco de Assis ou por um dos atuais ditadores da América do Sul ou em qualquer parte do Mundo . O Deus desses homens não é o mesmo, ou, pelo menos , o Deus que cada um invoca para dirigir sua conduta'.

As palavras de Jesus pedem uma opção radical : ou Jesus é para nós um personagem a mais, ao lado de muitos outros da história, ou Ele é a Pessoa decisiva que nos traz a compreensão última da existência , a orientação decisiva para nossa vida e nos oferece a esperança definitiva.

A pergunta “e vós , quem dizeis que Eu sou?” Adquire então um conteúdo novo. Não é mais apenas uma questão sobre Jesus, mas sobre nós mesmos. Quem sou eu? Em quem eu creio? A partir de que oriento a minha vida? A que se reduz a minha fé?

Todos temos de lembrar sempre de novo que a fé não se identifica com as fórmulas que pronunciamos . Para compreender melhor o alcance “do que eu creio”, é necessário verificar como vivo , a que aspiro , em que me comprometo.

Por isso , a pergunta de Jesus, mais do que um exame sobre nossa ortodoxia, deveria ser um apelo a um modo de vida cristão. Não se trata evidentemente de dizer ou crer qualquer coisa sobre Cristo , mas também não é fazer solenes profissões de fé ortodoxa , para viver depois muito longe do espírito que essa mesma proclamação de fé exige e traz consigo .  















sexta-feira, agosto 25, 2017

DIA DOS CATEQUISTAS



Neste último Domingo de Agosto comemora-se o “Dia Nacional do Catequista”. Em muitas outras oportunidades ressaltamos a imprescindível necessidade do ministério catequético na comunidade. A catequese é um dos pilares da comunidade. Servindo-se dos símbolos que indicam sustentação e fundamento da Igreja, poderíamos dizer que a catequese é uma estaca, uma pedra, que garante à comunidade permanecer firme no projeto evangelizador.
A Igreja sempre cultivou a catequese e a adaptou para que fosse útil e compreensível ao seu tempo. A finalidade da catequese já foi, em tempos idos, doutrinar os cristãos na fé. Mesmo que os elementos doutrinais façam parte da catequese, hoje, sua principal finalidade é educar ao acolhimento e ao seguimento da Boa Nova do Evangelho. Neste propósito, um dos meios adotados consiste em iniciar as pessoas no caminho do Evangelho. É a Iniciação Cristã.
Quando a isso, considero que o programa e o projeto da iniciação cristã continuam atuais e, por isso, válidos para nossos dias. Mas, não existe a necessidade de repropor ou realizá-lo tal como era feito antigamente. É importante, sim, manter as características originais do mesmo e seu principio pedagógico em vista da formação do discipulado. Isto significa que a finalidade consiste em favorecer nos catequizandos o progressivo conhecimento e consciência da fé e a condução dos catequizandos a um relacionamento intimo com Jesus. Com isso, a catequese pretende ser um projeto de vida e não apenas um curso em preparação para a recepção dos sacramentos. Não ser apenas uma preparação à recepção dos sacramentos, mas um itinerário para formar discípulos de Jesus; para formar cristãos autênticos.
Para que isso aconteça é preciso adequar a proposta catequética a cada momento da vida do catequizando. A cada momento corresponde uma proposta de vivência da fé até o ponto que haja uma personalização da fé. Tudo isso para que os catequizandos não apenas conheçam a doutrina, mas assumam o modo de pensar e de agir de Jesus.
(Francisco Régis)




Em 2014 
São José de Anchieta 
Padroeiro dos catequistas 

Com a elevação aos altares como santo, foi aprovada a proposta do Cardeal Arcebispo de São Dom Odilo Pedro Scherer, realizada na 51ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Aparecida (SP) no ano passado de que São José de Anchieta se torne o patrono nacional dos catequistas do Brasil.
Segundo dom Odilo, a proposta foi feita no contexto das iniciativas realizadas em prol da canonização do Beato Anchieta, após um pedido da Associação Internacional Anchieta (AIA), presidida pelo padre César Augusto dos Santos, vice-postulador da causa de canonização de Anchieta e diretor do Programa Brasileiro da Rádio Vaticano. O Cardeal explicou que o principal objetivo é “torná-lo mais conhecido e popularizar uma devoção”.
Por sua parte, O Pe. César dos Santos acredita que declarar o novo santo como patrono dos catequistas “é uma questão de justiça”. “Se alguém catequizou esse país, se alguém deu a vida pela Catequese do país, se alguém se entregou totalmente a esta causa, foi Anchieta”, afirmou o religioso. Segundo ele, “Anchieta deu toda a sua juventude, toda a sua inteligência, toda a sua vida para trazer Jesus Cristo a este povo”.
O arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da CNBB, cardeal Raymundo Damasceno Assis, destaca a importância da vida e missão de São José de Anchieta que optou por uma catequese acessível e aculturada, utilizando da poesia, do teatro e de recursos próprios da época.
“Ele é um modelo de evangelizador e missionário de todos os tempos e todas as épocas. Nos ensinou que o Evangelho, ao ser anunciado, deve ser inculturado, levando em conta a cultura das pessoas ao qual se destina”, disse dom Damasceno após o reconhecimento de José de Anchieta como santo padroeiro dos catequistas brasileiros.

www.acidigital.com

quinta-feira, agosto 24, 2017

FESTA DE SÃO BARTOLOMEU



Bartolomeu significa “filho daquele que suspende as águas” ou “filho daquele que se suspende”. O nome vem de bar, “filho”, tholos “altura” e moys “água”.

Bartolomeu, também chamado Natanael, foi um dos doze primeiros apóstolos de Jesus. É assim descrito nos evangelhos de João, Mateus, Marcos e Lucas, e também nos Atos dos Apóstolos.

Bartolomeu nasceu em Caná, na Galileia, uma pequena aldeia a quatorze quilômetros de Nazaré. Era filho do agricultor Tholmai. No Evangelho, ele também é chamado de Natanael. Em hebraico, a palavra “bar” que dizer “filho” e “tholmai” significa “agricultor”. Por isso os historiadores são unânimes em afirmar que Bartolomeu-Natanael trata-se de uma só pessoa. Seu melhor amigo era Filipe e ambos eram viajantes. Foi o apóstolo Filipe que o apresentou ao Messias.

Até esse seu primeiro encontro com Jesus, Bartolomeu era cético e, às vezes, irônico com relação às coisas de Deus. Porém, depois de convertido, tornou-se um dos apóstolos mais ativos e presentes na vida pública de Jesus. Mas a melhor descrição que temos de Bartolomeu foi feita pelo próprio Mestre: “Aqui está um verdadeiro israelita, no qual não há fingimento”.

Ele teve o privilégio de estar ao lado de Jesus durante quase toda a missão do Mestre na terra. Compartilhou seu cotidiano, presenciou seus milagres, ouviu seus ensinamentos, viu Cristo ressuscitado nas margens do lago de Tiberíades e, finalmente, assistiu sua ascensão ao céu.

Depois de Pentecostes, Bartolomeu foi pregar a Boa-Nova. Encerradas essas narrativas dos evangelhos históricos, entram as narrativas dos apócrifos, isto é, das antigas tradições. A mais conhecida é da Armênia, que conta que Bartolomeu foi evangelizar as regiões da Índia, Armênia Menor e Mesopotâmia.

Superou dificuldades incríveis, de idioma e cultura, e converteu muitas pessoas e várias cidades à fé do Cristo, pregando segundo o evangelho de são Mateus. Foi na Armênia, depois de converter o rei Polímio, a esposa e mais doze cidades, que ele teria sofrido o martírio, motivado pela inveja dos sacerdotes pagãos, os quais insuflaram Astiages, irmão do rei, e conseguiram uma ordem para matar o apóstolo. Bartolomeu foi esfolado vivo e, como não morreu, foi decapitado. Era o dia 24 de agosto de 51.

A Igreja comemora são Bartolomeu Apóstolo no dia de sua morte. Ele se tornou o modelo para quem se deixa conduzir pelo outro ao Senhor Jesus Cristo.

Bartolomeu, também chamado Natanael, foi um dos doze primeiros apóstolos de Jesus. É assim descrito nos evangelhos de João, Mateus, Marcos e Lucas, e também nos Atos dos Apóstolos.

Bartolomeu nasceu em Caná, na Galileia, uma pequena aldeia a quatorze quilômetros de Nazaré. Era filho do agricultor Tholmai. No Evangelho, ele também é chamado de Natanael. Em hebraico, a palavra “bar” que dizer “filho” e “tholmai” significa “agricultor”. Por isso os historiadores são unânimes em afirmar que Bartolomeu-Natanael trata-se de uma só pessoa. Seu melhor amigo era Filipe e ambos eram viajantes. Foi o apóstolo Filipe que o apresentou ao Messias.

Até esse seu primeiro encontro com Jesus, Bartolomeu era cético e, às vezes, irônico com relação às coisas de Deus. Porém, depois de convertido, tornou-se um dos apóstolos mais ativos e presentes na vida pública de Jesus. Mas a melhor descrição que temos de Bartolomeu foi feita pelo próprio Mestre: “Aqui está um verdadeiro israelita, no qual não há fingimento”.

Ele teve o privilégio de estar ao lado de Jesus durante quase toda a missão do Mestre na terra. Compartilhou seu cotidiano, presenciou seus milagres, ouviu seus ensinamentos, viu Cristo ressuscitado nas margens do lago de Tiberíades e, finalmente, assistiu sua ascensão ao céu.

Depois de Pentecostes, Bartolomeu foi pregar a Boa-Nova. Encerradas essas narrativas dos evangelhos históricos, entram as narrativas dos apócrifos, isto é, das antigas tradições. A mais conhecida é da Armênia, que conta que Bartolomeu foi evangelizar as regiões da Índia, Armênia Menor e Mesopotâmia.

Superou dificuldades incríveis, de idioma e cultura, e converteu muitas pessoas e várias cidades à fé do Cristo, pregando segundo o evangelho de são Mateus. Foi na Armênia, depois de converter o rei Polímio, a esposa e mais doze cidades, que ele teria sofrido o martírio, motivado pela inveja dos sacerdotes pagãos, os quais insuflaram Astiages, irmão do rei, e conseguiram uma ordem para matar o apóstolo. Bartolomeu foi esfolado vivo e, como não morreu, foi decapitado. Era o dia 24 de agosto de 51.

A Igreja comemora são Bartolomeu Apóstolo no dia de sua morte. Ele se tornou o modelo para quem se deixa conduzir pelo outro ao Senhor Jesus Cristo.



quarta-feira, agosto 23, 2017

15 ANOS DE GRAÇAS



No dia 19 de agosto passado, às 18 horas, celebrou a Missa Solene Pontifical em nossa Igreja Principal o Exmo. Sr. Núncio Apostólico, Dom Giovanni D’Aniello, com a presença de vários Bispos, especialmente Dom Orani João Tempesta, Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, e de Dom Roberto Francisco Ferreria Paz, Bispo Diocesano de Campos, dezenas de sacerdotes e milhares de fiéis, principalmente das diversas paróquias de nossa Administração Apostólica, em ação de graças pelos 15 anos da criação da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, grande graça e misericórdia que Deus nos concedeu por intermédio de sua Igreja, através do Santo Padre, o Papa S. João Paulo II.
Aflitos, com a situação canônica irregular em que nos encontrávamos, escrevemos ao Papa: “Beatíssimo Padre, humildemente prostrados aos pés de Vossa Santidade, nós, Sacerdotes da União Sacerdotal São João Maria Vianney, da Diocese de Campos..., pedimos vênia para formular ao Vigário de Cristo o nosso pedido e manifestar-lhe a nossa gratidão. Não temos nenhum título para Lhe apresentar: somos os últimos sacerdotes do seu presbitério. Não possuímos nem distinções, nem qualidades, nem méritos. A nossa condição, honrosa, aliás, de ser ovelha desse rebanho basta para atrair a atenção de Vossa Santidade. O único título que, pela graça de Deus, ostentamos com brio é o de católicos apostólicos romanos. E em nome dessa nossa Fé católica apostólica romana temos nos esforçado por guardar a Sagrada Tradição doutrinária e litúrgica que a Santa Igreja nos legou, esperando desse modo estar prestando o melhor serviço à Vossa Santidade e à Igreja. Beatíssimo Padre, embora sempre nos tenhamos considerado dentro da Igreja Católica, da qual nunca jamais tivemos a intenção de nos separar, contudo devido à situação da Igreja e a problemas que afetaram os católicos da linha tradicional, que são do conhecimento de Vossa Santidade e cremos, enchem o seu coração e o nosso de dor e angústia, fomos considerados juridicamente à margem da Igreja. É esse o nosso pedido: que sejamos aceitos e reconhecidos como católicos... E se, por acaso, no calor da batalha em defesa da verdade católica, cometemos algum erro ou causamos algum desgosto a Vossa Santidade, embora a nossa intenção tenha sido servir à Igreja, humildemente suplicamos o seu paternal perdão...” (15/8/2001).
Em sua resposta afirmativa, o Papa afirma: “acolhendo com afeto o vosso pedido de ser recebidos na plena comunhão da Igreja Católica, reconhecemos canonicamente a vossa pertença a ela”, e nos assegura que a nossa União Sacerdotal será “erigida canonicamente como Administração Apostólica de caráter pessoal, diretamente dependente da Sé Apostólica”, “forma jurídica de reconhecimento da vossa realidade eclesial, para assegurar o respeito de vossas características peculiares”. A realização dessa vontade do Papa concretizou-se no dia 18 de janeiro de 2002, na Catedral diocesana de Campos. Agora celebramos 15 anos desta grande graça e de todas as outras daí consequentes.  Uma grande vitória da Igreja! Deo gratias

Dom Fernando Arêas Rifan

 




SANTA ROSA DE LIMA



Nascida em Lima, no Peru, em 30 de abril de 1586, com o nome de Isabel Mariana de Jesus Paredes Flores y Oliva. Ainda criança, ouvira de uma índia, Mariana que era bonita como uma rosa e todos da família logo concordaram, assim, este tornou-se seu apelido. Também nos tempos de menina conta-se que ela mesma disse que gostaria de ser chamada como Rosa de Santa Maria.
Sua infância foi marcada por grandes momentos de oração e meditação, tornou-se devota de Nossa Senhora e recorria sempre à proteção da Virgem Mãe de Deus. Em sua história há relatos de que certo dia, Rosa rezava para sua imagem da Virgem Maria com o Menino Jesus em seus braços e ouviu uma voz que vinha da imagem assim dizendo: “Rosa, dedique a mim todo o seu amor…”
E assim, a menina Rosa decidiu que dali em diante atenderia ao apelo de Deus e dedicaria sua vida e seu amor somente a Jesus. Mesmo ao longo da vida quando recebia propostas de casamento, Rosa afirmava categoricamente que era fiel a Jesus: “o prazer e a felicidade que o mundo pode me oferecer são simplesmente uma sombra em comparação com o que sinto”. Nessa época também decidiu cortar seus longos cabelos e cobrir seu rosto com véu.
Rosa era sempre comprometida com suas orações, ainda que tivesse muito trabalho como doméstica ou na lavoura. Além disso, ela visitava frequentemente os pobres e enfermos. Muitos milagres de curas, conversões, propiciações de chuvas e amenizações do clima são atribuídos a santa.
Um fato de destaque sobre Rosa era que, por ser devota de Nossa Senhora, sempre fazia pedidos a Santa Virgem para que houvesse o crescimento da Igreja, sobretudo entre os indígenas americanos.
Em certa ocasião, pediu a Nossa Senhora para que a indicasse em qual ordem ela deveria servir e, assim, rezava sempre com esse pedido. Com a prece diária, Rosa notou que sempre que orava surgia uma borboleta preta e branca. Compreendendo isso como um sinal de Deus, Rosa entendeu que deveria ingressar na Ordem Terceira da Congregação de São Domingos, cujas vestimentas eram nas cores preto e o branco. As cores da pequena borboleta que a visitava diariamente eram as mesmas do hábito de Santa Catarina de Sena, a santa pela qual tinha tanta devoção e a quem deseja tanto imitar. Em 1606, aos vinte anos, ingressou na Ordem Terceira Dominicana.
A partir disso, todo ano durante a festa de São Bartolomeu Rosa passava o dia em oração, aos que perguntavam o porquê, ela dizia: “É porque este é o dia das minhas núpcias eternas”. A cada 24 de agosto o fato se repetia em 1617, Rosa não suportou mais uma grave enfermidade e veio a falecer no dia de São Bartolomeu com apenas 31 anos.
Seu túmulo, os locais onde viveu e trabalhou pela Igreja bem cedo tornaram-se locais de peregrinações. Muitos milagres começaram a acontecer. A beatificação de Rosa de Santa Maria deu-se no ano de 1667, logo no primeiro ano do pontificado do Papa Clemente IX. A concretização de sua canonização demorou um pouco mais para acontecer. O Papa Clemente X relutava em elevá-la à glória dos altares. Mas o Papa convenceu-se de que deveria canonizá-la depois que presenciou uma milagrosa chuva de pétalas de rosas que caiu sobre ele e que todos atribuíram à ação da Beata Rosa de Santa Maria.
Clemente X a canonizou em 12 de abril de 1671. Rosa, a menina que um dia foi crismada por São Turíbio de Mongrovejo, passou a ser conhecida no mundo católico como Santa Rosa de Lima. Era a primeira mulher da América a receber essa honra tão excelsa. Santa Rosa de Lima é a padroeira da América Latina e das Filipinas.



terça-feira, agosto 22, 2017

NOSSA SENHORA RAINHA





FESTA DE NOSSA SENHORA RAINHA
22 DE AGOSTO




Estimados irmãos e irmãs

Celebra-se hoje a memória litúrgica da Bem-Aventurada Virgem Maria invocada com o título: «Rainha». É uma festa de instituição recente, embora sejam antigas a sua origem e devoção: com efeito, foi estabelecida pelo Venerável Pio XII em 1954, no encerramento do Ano Mariano, fixando a sua data em 31 de Maio (cf. Carta encíclica Ad caeli Reginam, 11 de Outubro de 1954: aas, 46 [1954], 625-640). Nesta circunstância, o Papa disse que Maria é Rainha mais do que qualquer outra criatura em virtude da elevação da sua alma e da excelência dos dons recebidos. Ela não cessa de conceder todos os tesouros do seu amor e dos seus desvelos à humanidade (cf. Discurso em honra de Maria Rainha, 1 de Novembro de 1954). Pois bem, após a reforma pós-conciliar do calendário litúrgico, foi inserida oito dias depois da solenidade da Assunção para ressaltar o vínculo entre a realeza de Maria e a sua glorificação em alma e corpo ao lado do seu Filho. Na Constituição sobre a Igreja, do Concílio Vaticano II, lemos assim: «Maria foi elevada à glória celeste e exaltada por Deus como Rainha do universo, para assim se conformar mais plenamente com o seu Filho» (cf. Lumen gentium, 59).
Esta é a raiz da festa de hoje: Maria é Rainha porque foi associada de modo único ao seu Filho, tanto no caminho terreno como na glória do Céu. O grande santo da Síria, Efrém o Sírio, acerca da realeza de Maria, afirma que deriva da sua maternidade: Ela é Mãe do Senhor, do Rei dos reis (cf. Is 9, 1-6) e indica-nos Jesus como nossa vida, salvação e esperança. O Beato Paulo VI recordava na sua Exortação apostólica Marialis Cultus: «Na Virgem Maria, de facto, tudo é relativo a Cristo e dependente d’Ele: foi em vista d’Ele que Deus Pai, desde toda a eternidade, a escolheu como Mãe toda santa e a plenificou com dons do Espírito a ninguém mais concedidos» (n. 25).
Mas agora perguntemo-nos: o que quer dizer Maria Rainha? É só um título unido a outros, a coroa, um ornamento com outros? O que quer dizer? O que é esta realeza? Como já se indicou, é uma consequência do seu estar unida ao Filho, do seu estar no Céu, isto é, em comunhão com Deus; Ela participa na responsabilidade de Deus pelo mundo e no amor de Deus pelo mundo. Existe uma ideia vulgar, comum, de rei ou rainha: seria uma pessoa com poder e riquezas. Mas este não é o tipo de realeza de Jesus e de Maria. Pensemos no Senhor: a realeza, o ser rei de Cristo está imbuído de humildade, serviço e amor: é sobretudo servir, ajudar e amar. Recordemos que Jesus foi proclamado rei na cruz com esta inscrição redigida por Pilatos: «rei dos judeus» (cf. Mc 15, 26). Naquele momento na cruz mostra-se que Ele é rei; e como é rei? Sofrendo connosco, por nós, amando até ao fim, e assim governa e cria verdade, amor e justiça. Ou pensemos também noutro momento: na última Ceia inclina-se para lavar os pés aos seus. Portanto, a realeza de Jesus nada tem a ver com a dos poderosos da terra. É um rei que serve os seus servidores; assim demonstrou durante toda a sua vida. E o mesmo é válido para Maria: é rainha ao serviço de Deus e da humanidade, é rainha do amor que vive o dom de si a Deus para entrar no desígnio da salvação do homem. Ao anjo, responde: Eis-me, sou a serva do Senhor (cf. Lc 1, 38), e no Magnificat canta: Deus considerou a humildade da sua serva (cf. Lc 1, 48). Ela auxilia-nos. É rainha precisamente amando-nos, ajudando-nos em todas as nossas necessidades; é a nossa irmã e serva humilde.
E assim já chegamos ao ponto: como exerce Maria esta realeza de serviço e amor? Velando sobre nós, seus filhos: os filhos que se dirigem a Ela na oração, para lhe agradecer ou para lhe pedir a sua tutela maternal e a sua ajuda celestial, talvez depois de se ter extraviado pelo caminho, oprimidos pela dor ou angústia, pelas vicissitudes tristes e difíceis da vida. Na serenidade ou na escuridão da existência, dirijamo-nos a Maria confiando-nos à sua intercessão continua, porque do Filho nos possa alcançar toda a graça e misericórdia necessárias para o nosso peregrinar ao longo das sendas do mundo. Àquele que rege o mundo e tem nas suas mãos o destino do universo dirijamo-nos confiantes, por meio da Virgem Maria. Ela, desde há séculos, é invocada como Rainha celeste dos Céus; oito vezes, depois da recitação do santo Rosário, é implorada nas ladainhas lauretanas como Rainha dos Anjos, dos Patriarcas, dos Profetas, dos Apóstolos, dos Mártires, dos Confessores, das Virgens, de todos os Santos e das Famílias. O ritmo destas antigas invocações e preces diárias, como a Salve Regina, ajuda-nos a compreender que a Virgem Santa, como nossa Mãe ao lado do Filho Jesus na glória do Céu, está sempre connosco, no curso quotidiano da nossa vida.
Portanto, Rainha é título de confiança, alegria e amor. E sabemos que Aquela que tem nas suas mãos em parte o destino do mundo é boa, que nos ama e nos ajuda nas nossas dificuldades.
Caros amigos, a devoção a Nossa Senhora é um elemento importante da vida espiritual. Na nossa oração não cessemos de nos dirigir com confiança a Ela. Maria não deixará de interceder por nós junto do seu Filho. Olhando para Ele, imitemos a fé, a disponibilidade completa ao desígnio de amor de Deus, o acolhimento generoso de Jesus. Aprendamos a viver de Maria. Maria é a Rainha do céu próxima de Deus, mas é também a Mãe que está perto de cada um de nós, que nos ama e ouve a nossa voz. Obrigado pela atenção!