segunda-feira, junho 17, 2019

SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE






Na Solenidade da Santíssima Trindade, vamos colocar uma pergunta essencial para nossa vida de fé: como podemos nos encontrar com Deus? A catequese é conhecida, mas vale a pena ser recordada em três modos, iluminando-nos a Palavra que acabamos de ouvir. O primeiro modo é pela contemplação da criação divina. Podemos nos encontrar com Deus na contemplação das paisagens, na vida dos animais, naquilo que acontece na natureza. Em cada vida da criação, no dizer da 1ª leitura, existe uma marca divina. O salmo responsorial reforçava esta proposta: “contemplando estes céus que plasmastes”. A contemplação, portanto, é um modo de entrar em contato com Deus. Quando silenciamos diante de uma paisagem bonita, por exemplo, podemos perceber que Deus passou por ali. O salmo termina com a vida dos animais, dos peixes e das aves... vê-los significa que a sabedoria divina deixou também naquelas formas de vida a sua marca. E o que dizer da ordem da criação? De tudo que funciona perfeitamente? Nesta ordem nós nos deparamos com a sabedoria divina regendo tudo.

O segundo modo para entrar em contato direto e existencial com Deus encontra-se na pessoa de Jesus Cristo. Este é, sem dúvida alguma, o modo mais fácil de entrar em contato com Deus, principalmente considerando seu amor e sua humanidade. Poderíamos nos perguntar se valorizamos a mediação de Jesus Cristo entre nós e Deus. Jesus é o nosso único mediador. Hoje, são apresentados muitos caminhos para se relacionar a Deus e, estranhamente, até mesmo entre cristãos praticantes, Jesus Cristo é apenas um dos modos entre outros. Muitos cristãos não consideram Jesus como o modo primordial e o único caminho, verdade e vida que nos conduz ao encontro com Deus. Alguns caminhos são, inclusive, incompatíveis com a própria fé cristã, como é o caso do espiritismo e de muitas filosofias orientais. Por isso, tomem cuidado para não cair no relativismo, achando que é tudo a mesma coisa.

Por fim, um terceiro modo de entrar em contato com Deus é considerando o papel do Espírito Santo na vida cristã. Ouvimos no Evangelho que o Espírito santo tem a função de aprofundar o Evangelho em nossas vidas e torná-lo vivencial. Tudo aquilo que precisávamos conhecer da Revelação foi revelado por Jesus. Mas, o aprofundamento e o modo de viver o Evangelho, isto é obra do Espírito Santo. E, também neste ponto, parece ser pouco claro em nossos dias, quando se considera a busca de videntes e de "pessoas especiais" que parecem ter contato direto com Deus. Muitos cristãos, infelizmente, em vez de trilhar o caminho normal de ir ao encontro de Deus pela pessoa de Jesus e pelo seu Evangelho, vão atrás de videntes, do extraordinário, do milagroso... Quando acolhemos o Evangelho, o Espírito Santo entra em nós e nos conduz ao conhecimento e à vivência do Evangelho na simplicidade da vida. Amém.










sexta-feira, junho 14, 2019

O MAIS EXCELSO ÍCONE RUSSO DA TRINDADE SANTÍSSIMA





Tido em alta estima por cristãos do Oriente e do Ocidente, este ícone é uma das mais profundas visualizações jamais produzidas sobre o Deus Uno e Trino

“É absurdo e impróprio pintar em ícones a Deus Pai com barba cinza e o Filho Unigênito em seu seio com uma pomba entre ambos, posto que ninguém viu o Pai segundo a Sua Divindade, que o Pai não tem carne […] e que o Espírito Santo não é, em essência, uma pomba, mas, em essência, Deus” (Grande Sínodo de Moscou, 1667).
Para a Igreja Ortodoxa Russa, representar a Santíssima Trindade na arte tem sido uma questão controversa ao longo dos últimos mil anos. Embora o Concílio de Niceia, em 787, tenha permitido a representação artística de Deus, a Igreja Ortodoxa Russa se mostrou descontente com as imagens populares de Deus Pai e de Deus Espírito Santo.

Eles consideraram que o homem de barba grisalha e a pomba não faziam jus ao mistério insondável do Deus trino e uno. Em vez daquelas difundidas imagens de Deus, eles optaram por usar o ícone da Trindade de Andrei Rublev como adequado para representar o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

O ícone russo é difícil de entender para as pessoas de fora da tradição ortodoxa, e, à primeira vista, nem parece representar a Santíssima Trindade. A cena central do ícone vem do livro do Gênesis, quando Abraão recebe três estranhos em sua tenda:

“O Senhor apareceu a Abraão nos carvalhos de Mambré, quando ele estava assentado à entrada de sua tenda, no maior calor do dia. Abraão levantou os olhos e viu três homens de pé diante dele. Levantou-se no mesmo instante da entrada de sua tenda, veio-lhes ao encontro e prostrou-se por terra (…) Abraão serviu aos peregrinos [pães, um novilho tenro, manteiga e leite], conservando-se de pé junto deles, sob a árvore, enquanto comiam” (cf. Gênesis 18, 1-8).

O ícone de Rublev apresenta a cena com os três anjos, semelhantes na aparência, sentados a uma mesa. A casa de Abraão aparece ao fundo, bem como um carvalho atrás dos três convidados. Embora o ícone pinte esta cena do Antigo Testamento, Rublev usou o episódio bíblico para fazer uma representação visual da Trindade que se encaixa nas estritas diretrizes da Igreja Ortodoxa Russa.

O simbolismo da imagem é complexo e procura resumir a doutrina teológica da Igreja sobre a Santíssima Trindade. Primeiro: os três anjos são idênticos em aparência, correspondendo à fé na unicidade de Deus em três Pessoas. No entanto, cada anjo veste uma roupa diferente, trazendo à mente que cada pessoa da Trindade é distinta. O fato de Rublev recorrer aos anjos para retratar a Trindade é também um lembrete da natureza de Deus, que é espírito puro.

Os anjos são mostrados da esquerda para a direita na ordem em que professamos nossa fé no Credo: Pai, Filho e Espírito Santo. O primeiro anjo veste azul, simbolizando a natureza divina de Deus, e uma sobrepeça púrpura, indicando a realeza do Pai.

O segundo anjo é o mais familiar, vestindo trajes tipicamente usados por Jesus na iconografia tradicional. A cor carmesim simboliza a humanidade de Cristo, enquanto o azul é indicativo da sua divindade. O carvalho atrás do anjo nos lembra a árvore da vida, no Jardim do Éden, bem como a cruz sobre a qual o Cristo salvou o mundo do pecado de Adão.

O terceiro anjo veste o azul da divindade e uma sobrepeça verde, cor que aponta para a terra e para a missão da renovação do Espírito Santo. O verde é também a cor litúrgica usada em Pentecostes na tradição ortodoxa e bizantina. Os dois anjos à direita do ícone têm a cabeça ligeiramente inclinada em direção ao outro, ilustrando que o Filho e o Espírito procedem do Pai.

No centro do ícone há uma mesa que se assemelha a um altar. Colocado sobre a mesa, um cálice dourado contém o bezerro que Abraão preparara para seus hóspedes; o anjo central parece estar abençoando a refeição. A combinação dos elementos nos lembra o sacramento da Eucaristia.

Embora não seja a representação mais direta da Santíssima Trindade, é uma das mais profundas jamais produzidas. Permanece nas tradições ortodoxas e bizantinas a principal maneira de representar o Deus Uno e Trino. Este ícone, de fato, é tido em alta estima também na Igreja Católica Romana e é frequentemente usado por catequistas para ensinar sobre o mistério da Trindade.

E a Trindade é, em suma, um mistério – e sempre o será nesta terra. Às vezes, porém, nos são concedidos vislumbres da vida divina, e o ícone de Rublev nos permite espreitar brevemente por trás do véu.


quinta-feira, junho 13, 2019

SANTO ANTÔNIO







       
       Este mês de junho é repleto de comemorações: é o mês do Divino Espírito Santo, mês do Coração de Jesus, mês eucarístico (Corpus Christi), e o mês das tradicionais festas juninas, em honra de três santos de especial importância: Santo Antônio, dia 13, São João Batista, dia 24, e São Pedro, dia 29. Infelizmente, como muitas outras festas religiosas, as festas juninas são também um pouco desvirtuadas, ficando-se nos acessórios e esquecendo-se do principal. Hoje vamos nos deter no santo dos milagres, Santo Antônio, cuja festa celebraremos amanhã. 
        Santo Antônio de Pádua é também chamado, sobretudo pelos portugueses, Santo Antônio de Lisboa. Ele nasceu em Lisboa, chamava-se Fernando, foi cônego da Ordem da Cruz em Lisboa e, depois, em Coimbra. Ali, como hospedeiro, recebeu alguns franciscanos que estavam de partida para Marrocos, na África, onde iriam trabalhar na evangelização dos muçulmanos. Lá foram martirizados e seus corpos foram trazidos para Coimbra, onde foram vistos pelo Cônego Fernando, que, assim, concebeu um grande desejo de ser também franciscano para também receber a palma do martírio. Entrou, pois, na Ordem Franciscana, recém fundada por São Francisco de Assis, recebendo o nome de Antônio. Foi, como era seu desejo, enviado à África, mas seu navio passou por grande tempestade e foi atirado nas costas da Itália. Lá teve oportunidade de conhecer São Francisco pessoalmente.
        Frei Antônio ficou obscuro até que um dia, tendo faltado um pregador numa grande festa, pediram-lhe que fizesse a homilia. Então se revelou o grande gênio da oratória que ele era e seu profundo conhecimento das Sagradas Escrituras, fruto dos seus estudos e da sua vida de oração. Foi então nomeado o pregador oficial dos Franciscanos e professor de Teologia.
Pregou na Itália e na França, recebendo as alcunhas de “Doutor Evangélico” e “Martelo dos hereges”. Deus o abençoou com muitos milagres que confirmavam sua pregação. É chamado “o santo dos milagres”, tal a quantidade de fatos extraordinários e sobrenaturais que acompanhavam o seu ministério. Sua língua está miraculosamente conservada em Pádua, há mais de 700 anos.
        Um dos grandes milagres da sua vida aconteceu em Rimini, na Itália, quando, ao pregar na praça, percebeu o total desinteresse dos ouvintes. Então lhes disse: “já que não me dais atenção, vou pregar aos peixes”. E foi fazer o seu sermão na praia. Ao começar, os peixes acorreram em profusão, ficando em ordem de altura, e balançando a cabeça em sinal de atenção. É claro que o povo todo o acompanhou admirado e daí por diante acudiu atento à sua pregação.
        Os últimos seis meses da sua vida, passou em Pádua, na Itália, pregando sempre o Evangelho. Ali, exausto, aos 36 anos de idade, veio a falecer. Seu corpo ali se conserva, objeto de veneração de peregrinos de todo o mundo. Foi canonizado em menos de um ano após sua morte. Sua devoção está espalhada por toda a Igreja e seus exemplos são dignos de memória e imitação por todos os cristãos.

Fonte: Dom Fernando Arêas Rifan

quarta-feira, junho 12, 2019

MARIA, MÃE DA IGREJA









Mãe que gera a maravilha da fé

“Tal é o mistério de hoje, que suscita uma maravilha infinita: Deus uniu-se à humanidade para sempre. Deus e o homem sempre juntos: eis a boa notícia no início do ano. Deus não é um senhor distante que habita solitário nos céus, mas o Amor encarnado, nascido como nós duma mãe para ser irmão de cada um. Está nos joelhos de sua mãe, que é também nossa mãe, e de lá derrama uma nova ternura sobre a humanidade. Nós compreendemos melhor o amor divino, que é paterno e materno, como o duma mãe que não cessa de crer nos filhos e nunca os abandona. O Deus-conosco nos ama independentemente dos nossos erros, dos nossos pecados, do modo como fazemos caminhar o mundo. Deus crê na humanidade, da qual sobressai, primeira e incomparável, a sua Mãe.”

“No início do ano, pedimos-Lhe a graça de nos maravilharmos perante o Deus das surpresas”, disse ainda Francisco. “Renovamos a maravilha das origens, quando nasceu em nós a fé. A Mãe de Deus nos ajuda: a Theotokos, que gerou o Senhor, gera-nos para o Senhor. É mãe e gera sempre de novo, nos filhos, a maravilha da fé. A vida, sem nos maravilharmos, torna-se cinzenta, rotineira; e de igual modo a fé. Também a Igreja precisa renovar a sua maravilha por ser casa do Deus vivo, Esposa do Senhor, Mãe que gera filhos; caso contrário, corre o risco de assemelhar-se a um lindo museu do passado. Mas, Nossa Senhora introduz na Igreja a atmosfera de casa, duma casa habitada pelo Deus da novidade. Acolhamos maravilhados o mistério da Mãe de Deus, como os habitantes de Éfeso no tempo do Concílio lá realizado! Como eles, aclamemos a Santa Mãe de Deus! Deixemo-nos olhar, deixemo-nos abraçar, deixemo-nos tomar pela mão… por Ela.”


Deixemo-nos olhar

“Deixemo-nos olhar”, frisou ainda o Papa, “sobretudo nos momentos de necessidade, quando nos encontramos presos nos nós mais intrincados da vida, justamente olhamos para Nossa Senhora. Mas é lindo, primeiramente, deixar-se olhar por Nossa Senhora. Quando nos olha, Ela não vê pecadores, mas filhos. Diz-se que os olhos são o espelho da alma; os olhos da Cheia de Graça espelham a beleza de Deus, refletem sobre nós o paraíso. Jesus disse que os olhos são a lâmpada do corpo (Mt 6, 22): os olhos de Nossa Senhora sabem iluminar toda a escuridão, reacendem por todo o lado a esperança. O seu olhar, voltado para nós, diz: Queridos filhos, coragem! Estou aqui Eu, a sua mãe.”

Segundo o Pontífice, “este olhar materno, que infunde confiança, ajuda a crescer na fé. A fé é um vínculo com Deus que envolve a pessoa inteira, mas, para ser guardado, precisa da Mãe de Deus. O seu olhar materno ajuda a vermo-nos como filhos amados no povo fiel de Deus e a amarmo-nos entre nós, independentemente dos limites e opções de cada um.”

“Nossa Senhora nos enraíza na Igreja, onde a unidade conta mais que a diversidade, e nos exorta a cuidarmos uns dos outros. O olhar de Maria lembra que, para a fé, é essencial a ternura, que impede a apatia. Quando há lugar na fé para a Mãe de Deus, nunca se perde o centro: o Senhor. Com efeito, Maria nunca aponta para Si mesma, mas para Jesus e os irmãos, porque Maria é mãe.”

“Olhar da Mãe, olhar das mães. Um mundo que olha para o futuro, privado de olhar materno, é míope. Aumentará talvez os lucros, mas jamais será capaz de ver, nos homens, filhos. Haverá ganhos, mas não serão para todos. Habitaremos na mesma casa, mas não como irmãos. A família humana fundamenta-se nas mães. Um mundo, onde a ternura materna acaba desclassificada a mero sentimento, poderá ser rico de coisas, mas não rico de amanhã. Mãe de Deus, ensina-nos o seu olhar sobre a vida e volte o seu olhar para nós, para as nossas misérias.” “Esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei”, disse o Papa, citando um trecho da oração da Salve Rainha.


Deixemo-nos abraçar

“Deixemo-nos abraçar”, sublinhou ainda Francisco. “Depois do olhar, entra em cena o coração, no qual Maria, diz o Evangelho de hoje , «conservava todas estas coisas, meditando-as» (Lc 2, 19). Por outras palavras, Nossa Senhora tinha tudo no coração, abraçava tudo, eventos favoráveis e contrários. E tudo meditava, isto é, levava a Deus. Eis o seu segredo. Da mesma forma, tem no coração a vida de cada um de nós: deseja abraçar todas as nossas situações e apresentá-las a Deus.”

“Na vida fragmentada de hoje, onde nos arriscamos a perder o fio à meada, é essencial o abraço da Mãe. Há tanta dispersão e solidão por aí! O mundo está todo conectado, mas parece cada vez mais desunido. Precisamos nos confiar à Mãe. Na Sagrada Escritura, Ela abraça muitas situações concretas e está presente onde há necessidade: vai encontrar a prima Isabel, socorre os esposos de Caná, encoraja os discípulos no Cenáculo... Maria é remédio para a solidão e a desagregação. É a Mãe da consolação, a Mãe que “consola”: está com quem se sente só. Ela sabe que, para consolar, não bastam as palavras; é necessária a presença. E Maria está presente como mãe. Permitamos-lhe que abrace a nossa vida. Na Salve Rainha, chamamos Maria de vida nossa: parece exagerado, porque a vida é Cristo (cf. Jo 14, 6), mas Maria está tão unida a Ele e tão perto de nós que não há nada melhor do que colocar a vida em suas mãos e reconhecê-la vida, doçura e esperança nossa.


Deixemo-nos tomar pela mão

Por fim, “deixemo-nos tomar pela mão”, disse o Papa. “As mães tomam pela mão os filhos e os introduz amorosamente na vida. Mas hoje, quantos filhos, seguindo por conta própria, perdem a direção, creem-se fortes e extraviam-se, livres e tornam-se escravos! Quantos, esquecidos do carinho materno, vivem zangados e indiferentes a tudo! Quantos, infelizmente, reagem a tudo e a todos com veneno e maldade! Mostrar-se maus, às vezes, até parece um sinal de força; mas é só fraqueza! Precisamos aprender com as mães que o heroísmo está em doar-se, a força em ter piedade, e a sabedoria na mansidão.”

“Deus não prescindiu da Mãe: por esta razão nós precisamos dela”. Ele nos doou a sua Mãe “e não num momento qualquer, mas quando estava pregado na cruz: Eis a tua mãe (Jo 19, 27), disse Ele ao discípulo, a cada discípulo. Nossa Senhora não é opcional: deve ser acolhida na vida. É a Rainha da paz, que vence o mal e guia pelos caminhos do bem, que devolve a unidade entre os filhos, que educa para a compaixão.”

Francisco concluiu, pedindo a Maria para que nos tome pela mão, nos ajude a superar “as curvas mais fechadas da história”, a “descobrir os laços que nos unem”, a nos reunir “sob o seu manto,  na ternura do amor verdadeiro, onde se reconstitui a família humana”.

terça-feira, junho 11, 2019

SOLENIDADE DE PENTECOSTES









A Solenidade de Pentecostes está intimamente ligada à Páscoa de Jesus Cristo. É o fruto da Páscoa de Jesus, pois ele disse que iria ao Pai e que intercederia ao Pai que enviasse o seu Santo Espírito. É o que celebramos hoje, não apenas como memória daquela promessa, mas também como intercessores diante de Deus, juntamente com Jesus, para que possamos acolher o Espírito de Deus em nossas vidas. O primeiro motivo para esta intercessão consiste no fato que o Espírito Santo conduz a comunidade, seja eclesial que toda a sociedade, a promover a unidade e a respeitar as diferenças. O Espírito Santo não conduz a Igreja à uniformidade, que é um modo agressivo de impor um jeito de viver e de crer. O Espírito Santo conduz e favorece a unidade na comunidade. Na uniformidade, todos precisam agir e pensar do mesmo modo, na unidade, que é fruto do Espírito Santo, o diferente não é inimigo, é uma fonte de enriquecimento uns dos outros.

O Espírito Santo sempre é promotor da unidade no amor. Na uniformidade existe a obrigação de todos fazerem do mesmo modo. Isto não é pensamento divino. O Espírito Santo não quer que todos sejamos idênticos (como clones) no modo de pensar e de agir, quer que sejamos unidos, que vivamos na unidade, porque ele é capaz de nos enriquecer com as diferenças e pelas diferenças nos tornar mais humanos e santificados. O Espírito Santo habita em nós para que sejamos instrumentos na formação e no cultivo da unidade que se fundamenta no amor. Para isso, diziam Paulo e Jesus, existe a necessidade de acolher o novo do Evangelho para viver os mandamentos de Jesus e iluminar a vida pessoal com a luz do Evangelho.

A tentativa de prender o Espírito Santo num cenáculo é uma impossibilidade, porque o Espírito de Deus é a liberdade e conduz para a liberdade. O cenáculo é um local onde os discípulos rezavam e se escondiam com medo dos judeus. Com a vinda do Espírito Santo, as portas do cenáculo foram abertas, para que os discípulos de Jesus rezem em todos os cantos da terra e não tenham medo de testemunhar a renovação da face da terra que acontece pela ação e pelo poder do Espírito Santo. Se o Espírito Divino está em nós, somos livres e promovemos a liberdade. Este movimento de liberdade alcança toda a terra e a renova, como cantado no salmo responsorial. Intercedamos, hoje e sempre, a presença renovadora do Espírito Santo de Deus para vivermos na liberdade dos filhos e filhas de Deus e para sermos instrumentos da unidade que acolhe e convive com quem pensa e vive diferente. Vinde Espírito Santo e renovai a face da terra. Amém!












segunda-feira, junho 10, 2019

VISITA DE DOM JUAREZ AS COMUNIDADES DE PEDRA BONITA E VILA CANOA







Visita de Dom Juarez Delorto Secco as comunidades de Pedra Bonita e Vila Canoa por ocasião da festa de São José de Anchieta, em 08 de junho de 2019.



São José de Anchieta

O primeiro missionário evangelizador em terras brasileiras

O sacerdote Jesuíta José de Anchieta nos remete, de maneira quase que inevitável, ao passado da nossa nação. É impossível falar desse Apóstolo do Brasil, como é conhecido, sem recordar fatos históricos da colonização desta Terra de Santa Cruz. O reconhecimento da sua santidade vinha sendo aguardado pela Igreja do Brasil por mais de 400 anos. O Papa Francisco pôs fim a essa espera ao assinar, no dia 3 de abril de 2014, o decreto de santidade de José de Anchieta.

O santo, de origem espanhola, desembarcou no Brasil, vindo de Portugal, em 1553, na flor de sua juventude, aos 19 anos. Ainda não era sacerdote, contudo já havia professado os votos de pobreza, castidade e obediência. “Com coração juvenil, amou, desde o primeiro contato, o povo brasileiro. A ele, dedicou sua grande inteligência, cultura e erudição, a capacidade de amar e de sofrer por amor. A ele, consagrou suas qualidades humanas, a capacidade de lutar, de ser destemido e a sua espiritualidade”, assim o descreveu o Cardeal Raymundo Damasceno na santa Missa em ação de Graças pela canonização de José de Anchieta, celebrada em Roma no dia 24 de abril de 2014.


A arte de evangelizar

Em terras brasileiras, José de Anchieta vivia a pobreza e a simplicidade entre os índios, os marginalizados e os negros. Da sua primeira vivência entre os índios, descreve numa carta enviada à Europa o costume apresentado por eles de colocar folhas de bananeiras como toalha sobre a mesa, observando que não sabia ao certo a razão desse cuidado, considerando que o alimento eles não tinham. Ainda assim, assegurava que ele e os demais padres Jesuítas estavam felizes e que não sentia saudades da vida confortável que tinha na Europa.

Foi um incansável evangelizador em nossas terras e sua criatividade é notória. Catequizava os índios com a poesia e o teatro. Ousadia que “nos interpela sobre os métodos de evangelização que usamos hoje”, aponta Dom Damasceno. Por isso, o santo Anchieta é para nós inspiração, já que hoje se faz urgente uma autêntica evangelização inculturada, ou seja, capaz de evangelizar as culturas para inculturar o Evangelho.


A trilha do Santo

Amante e observador da natureza, José de Anchieta escreveu a conhecida Carta de São Vicente contendo a primeira descrição detalhada da Mata Atlântica, importante bioma brasileiro. Anchieta costumava abrir picadas pela mata litorânea entre Iriritiba e a ilha de Vitória, com pequenas paradas para a oração e o repouso nas localidades de Anchieta (que foi chamada também Benevente e Reritiba), Guarapari, Setiba, Ponta da Fruta e Barra do Jucu.

Mais recentemente, na década de 70, o professor, arquiteto e historiador Benedito Lima de Toledo decidiu desbravar o caminho criado pelo santo. “O que se sabia há 40 anos atrás é que aquele sacerdote havia vencido a Serra do Mar por um caminho às margens do Rio Perequê”. Curioso por saber o que o padre Anchieta experienciou mata adentro, o professor montou uma equipe que, munidos de kits para expedições, partiu para resgatar essa história. Deparam-se com “uma das paisagens mais belas da região: a conjunção de três afluentes formando, o que, se presume, seja a Grota do Perequê, ponto de um caminho conhecido por Caminho do Monge, outra denominação do Caminho do Padre José de Anchieta”. [1]

Um dos resultados dessas expedições do padre Anchieta pela serra do mar deu origem à cidade de São Paulo. O santo registrou numa carta enviada ao seu superior provincial, em Portugal, que ao chegar ao planalto de Piritininga encontraram “ares frios e temperados como os da Espanha” e “uma terra mui sadia, fresca e de boas águas”. E esse foi o local adequado para se iniciar um novo povoado: numa colina alta e plana, cercada por dois rios, o Tamanduateí e o Anhangabaú. Em 25 de janeiro de 1554, o sacerdote Manoel da Nóbrega, na presença do seminarista José de Anchieta, celebrou a primeira Missa no local do Colégio São Paulo de Piratininga, fundado pelos Jesuítas, e que deu origem ao povoado que se formou ao redor.

Atualmente a trilha do santo Anchieta, com cerca de 105 quilômetros, vem sendo percorrido a pé por turistas e peregrinos.


Onde houver ódio que eu leve o amor…

Como bom devoto de São Francisco de Assis, José de Anchieta atuou também como mediador da paz. Em 1563 ele intermediou as negociações da Confederação dos Tamoios entre os portugueses e os indígenas. Permaneceu por vários meses como refém dos índio, período no qual compôs um conhecido poema dedicado à Bem-Aventurada Virgem Maria – expressão máxima do seu amor e devoção à Mãe de Deus. Conta-se que ele teria escrito esse poema nas areias da praia; memorizou cada palavra e, mais tarde, passou para o papel.

Certamente esse período de confinamento foi para ele um dos mais difíceis. Já que teve que passar dias sem a Eucaristia e as visitas diárias que fazia ao Santíssimo Sacramento. Apenas quando um sacerdote chegava à aldeia indígena é que Anchieta podia participar da santa Missa e receber o sua amado Jesus-hóstia. O seu amor e saudade pela Sagrada Eucaristia está registrada em diversos poemas que compôs. Num deles declamou: “Oh que pão, oh que comida, oh que divino manjar Se nos dá no santo altar cada dia”.

Anos depois (1566), Anchieta foi à Capitania da Bahia a fim de informar ao governador Mem de Sá sobre o andamento da guerra contra os franceses, possibilitando o envio de reforços portugueses ao Rio de Janeiro. Nesta mesma época, aos 32 anos, José de Anchieta foi ordenado sacerdote. O santo, apaixonado pela Eucaristia, tratou logo de providenciar um altar portátil, e dessa maneira, nem mesmo em suas viagens marítimas pela costa do Brasil ele deixou de celebrar a santa Missa. Descia em cada porto, montava o seu altar portátil e ali adorava a Jesus Eucarístico.

Em 1569, José de Anchieta participou da fundação do povoado de Reritiba, atual Anchieta, no Espírito Santo. Dirigiu o Colégio dos Jesuítas do Rio de Janeiro de 1570 a 1573. E em 1577 foi nomeado Provincial da Companhia de Jesus no Brasil, função que exerceu por dez anos. Em 1587 foi para Reritiba, manteve-se à frente do Colégio dos Jesuítas em Vitória – ES.


O primeiro devoto do Coração de Jesus no Brasil

Atualmente, o maior conhecedor da vida do santo Anchieta é o padre Hélio Abranches Viotti, SJ, professor de história do Brasil nas Faculdades dos Jesuítas, membro de institutos históricos e academias de letras que desde 1922 pertence à Companhia de Jesus. Padre Hélio conta que José de Anchieta foi um grande devoto do Sagrado Coração de Jesus. “Ele já se antecipava nessa devoção”, comenta o sacerdote ao falar do verso “a lança que abriu-lhe o peito…” de um dos poema de Anchieta. O seu amor e devoção pelo ao Coração de Jesus são lindamente expressas também com estas palavras, parte de um poema: “Ei-lo, rasgado jaz nesse tronco inimigo, e com sangue a escorrer paga teu furto antigo! Vê como larga chaga abre o peito, e deságua misturado com sangue um rio todo d’água”.

No fim de sua vida, o sacerdote Anchieta retirou-se para Reritiba, local onde faleceu em 1595. Nesse mesmo ano foi aberto o processo informativo para a sua beatificação. Em 1980 – o Papa João Paulo II declara-o bem-aventurado, e nesse ano de 2014, por fim, foi finalizado o processo de canonização, mesmo sem a comprovação dos milagres alcançados por sua intercessão.

“São José de Anchieta soube comunicar aquilo que experimentou na comunhão com o Senhor, aquilo que tinha visto e ouvido Dele; essa é a razão de sua santidade. Não teve medo da alegria”, apontou o Papa Francisco na Missa em ação de graças pela canonização desse santo.















BÊNÇÃO COM A RELÍQUIA DE SÃO JOSÉ DE ANCHIETA






sexta-feira, junho 07, 2019

SÃO JOSÉ DE ANCHIETA






José de Anchieta nasceu no dia 19 de março de 1534, na cidade de São Cristóvão da Laguna, na ilha de Tenerife, do arquipélago das Canárias, Espanha. Foi educado na ilha até os quatorze anos de idade. Depois, seus pais, descendentes de nobres, decidiram que ele continuaria sua formação na Universidade de Coimbra, em Portugal. Era um jovem inteligente, alegre, estimado e querido por todos. Exímio escritor, sempre se confessou influenciado pelos escritos de são Francisco Xavier. Amava a poesia e mais ainda, gostava de declamar. Por causa da voz doce e melodiosa, era chamado pelos companheiros de 'canarinho'.

Mas também tinha forte inclinação para a solidão. Tinha o hábito de recolher-se na sua cela ou de retirar-se para um local ermo a fim de dedicar-se à oração e à contemplação. Certa vez, isolou-se na catedral de Coimbra e, quando rezava no altar de Nossa Senhora, compreendeu a missão que o aguardava. Naquele mesmo instante, sentiu o chamado para dedicar sua vida ao serviço de Deus. Tinha dezessete anos e fez o voto de consagrar-se à Virgem Maria.

Ingressou na Companhia de Jesus e, quando se tornou jesuíta, seguiu para o Brasil, em 1553, como missionário. Chegou na Bahia junto com mais seis jesuítas, todos doentes, inclusive ele, que nunca mais se recuperou. Em 1554, chegou à capitania de São Vicente, onde, junto com o provincial do Brasil, padre Manoel da Nóbrega, fundou, no planalto de Piratininga, aquela que seria a cidade de São Paulo, a maior da América do Sul. No local foi instalado um colégio e seu trabalho missionário começou.

José de Anchieta não apenas catequizava os índios. Dava condições para que se adaptassem à chegada dos colonizadores, fortalecendo, assim, a resistência cultural. Foi o primeiro a escrever uma 'gramática tupi-guarani', mas, ao mesmo tempo, ensinava aos silvícolas noções de higiene, medicina, música e literatura. Por outro lado, fazia questão de aprender com eles, desenvolvendo diversos estudos da fauna, da flora e do idioma.

Anchieta era também um poeta, além de escritor. É célebre o dia em que, estando sem papel e lápis à mão, escreveu nas areias da praia o célebre 'Poema à Virgem', que decorou antes que o mar apagasse seus versos. A profundidade do seu trabalho missionário, de toda a sua vida dedicada ao bem do próximo aqui no Brasil, foi exclusivamente em favor do futuro e da sobrevivência dos índios, bem como para preservar sua influência na cultura geral de um novo povo.

Com a morte do padre Manoel da Nóbrega em 1567, o cargo de provincial do Brasil passou a ser ocupado pelo padre José de Anchieta. Neste posto mais alto da Companhia de Jesus, viajou por todo o país orientando os trabalhos missionários.

José de Anchieta morreu no dia 9 de junho de 1597, na pequena vila de Reritiba, atual cidade de Anchieta, no Espírito Santo, sendo reconhecido como o 'Apóstolo do Brasil'. Foi beatificado pelo papa João Paulo II em 1980. E, canonizado, no dia 3 de abril de 2014. A festa litúrgica foi instituída no dia de sua morte.



quinta-feira, junho 06, 2019

QUEM É O ESPÍRITO SANTO?







Segundo o Catecismo da Igreja Católica, o Espírito Santo é a "Terceira Pessoa da Santíssima Trindade". Quer dizer, havendo um só Deus, existem nele três pessoas diferentes: Pai, Filho e Espírito Santo. Esta verdade foi revelada por Jesus em seu Evangelho.

O Espírito Santo coopera com o Pai e o Filho desde o começo da história até sua consumação, quando o Espírito se revela e nos é dado, quando é reconhecido e acolhido como pessoa. O Senhor Jesus no-lo apresenta e se refere a Ele não como uma potência impessoal, mas como uma Pessoa diferente, com seu próprio atuar e um caráter pessoal.



O Espírito Santo, o Dom de Deus


"Deus é Amor" (Jo 4,8-16) e o Amor que é o primeiro Dom, contém todos os demais. Este amor "Deus o derramou em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Rm 5,5).

Poste que morremos, ou ao menos, fomos feridos pelo pecado, o primeiro efeito do Dom do Amor é a remissão de nossos pecados. A Comunhão com o Espírito Santo, "A graça do Senhor Jesus Cristo, e a caridade de Deus, e a comunicação do Espírito Santo sejam todos vossos" (2Cor 13,13;) é a que, na Igreja, volta a dar ao batizados a semelhança divina perdida com o pecado.

Pelo Espírito Santo nós podemos dizer que "Jesus é o Senhor", quer dizer para entrar em contato com Cristo é necessário Ter sido atraído pelo Espírito Santo.

Mediante o Batismo nos é dado a graça do novo nascimento em Deus Pai por meio de seu Filho no Espírito Santo. Porque os que são portadores do Espírito de Deus são conduzidos ao Filho; mas o Filho os apresenta ao Pai, e o Pai lhes concede a incorruptibilidade. Portanto, sem o Espírito não é possível ver ao Filho de Deus, e sem o Filho, ninguém pode aproximar-se do Pai, porque o conhecimento do Pai é o Filho, e o conhecimento do Filho de Deus se alcança pelo Espírito Santo.

Vida e Fé. O Espírito Santo com sua graça é o "primeiro" que nos desperta na fé e nos inicia na vida nova. Ele é quem nos precede e desperta em nós a fé. Entretanto, é o "último" na revelação das pessoas da Santíssima Trindade.

O Espírito Santo coopera com o Pai e o Filho desde o começo do Desígnio de nossa salvação e até sua consumação. Somente nos "últimos tempos", inaugurados com a Encarnação redentora do Filho, é quando o Espírito se revela e nos é dado, e é reconhecido e acolhido como Pessoa.

O Paráclito. Palavra do grego "parakletos", o mediador, o defensor, o consolador. Jesus nos apresenta ao Espírito Santo dizendo: "O Pai vos dará outro Paráclito" (Jo 14,16). O advogado defensor é aquele que, pondo-se de parte dos que são culpáveis devido a seus pecados os defende do castigo merecido, os salva do perigo de perder a vida e a salvação eterna. Isto é o que Cristo realizou, e o Espírito Santo é chamado "outro paráclito" porque continua fazendo operante a redenção com a que Cristo nos livrou do pecado e da morte eterna.

Espírito da Verdade: Jesus afirma de si mesmo: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida" (Jo 14,6). E ao prometer o Espírito Santo naquele "discurso de despedida" com seus apóstolos na Última Ceia, diz que será quem depois de sua partida, manterá entre os discípulos a mesma verdade que Ele anunciou e revelou.

O Paráclito, é a verdade, como o é Cristo. Os campos de ação em que atua o Espírito Santo são o espírito humano e a história do mundo. A distinção entre a verdade e o erro é o primeiro momento de tal atuação.

Permanecer e atuar na verdade é o problema essencial para os Apóstolos e para os discípulos de Cristo, desde os primeiros anos da Igreja até o final dos tempos, e é o Espírito Santo quem torna possível que a verdade sobre Deus, o homem e seu destino, chegue até nossos dias sem alterações.



Símbolos


O Espírito Santo é representado de diferentes formas:

Água: O simbolismo da água é significativo da ação do Espírito Santo no Batismo, já que a água se transforma em sinal sacramental do novo nascimento.

Unção: Simboliza a força. A unção com o óleo é sinônimo do Espírito Santo. No sacramento da Confirmação o confirmando é ungido para prepará-lo para ser testemunha de Cristo.

Fogo: Simboliza a energia transformadora dos atos do Espírito.

Nuvem e Luz: Símbolos inseparáveis nas manifestações do Espírito Santo. Assim desce sobre a Virgem Maria para "cobri-la com sua sombra" . No monte Tabor, na Transfiguração, no dia da Ascensão; aparece uma sombra e uma nuvem.

Selo: é um símbolo próximo ao da unção. Indica o caráter indelével da unção do Espírito nos sacramentos e falam da consagração do cristão.

A Mão: Mediante a imposição das mãos os Apóstolos e agora os Bispos, transmitem o "Dom do Espírito".

A Pomba: No Batismo de Jesus, o Espírito Santo aparece em forma de pomba e posa sobre Ele.

quarta-feira, junho 05, 2019

O SOPRO DIVINO






Domingo próximo será a festa do DIVINO, ou seja, a solenidade de Pentecostes, na qual celebraremos a vinda do Divino Espírito Santo sobre os Apóstolos reunidos com Nossa Senhora: a inauguração da Igreja de Cristo, seu Corpo Místico vivo, pela ação do Espírito Santo.

Deus, ao criar Adão, o primeiro homem, após formar o seu corpo do pó do solo, soprou sobre ele um “sopro de vida”, surgindo assim o ser humano completo, corpo e alma (Gn 2, 7). Jesus, durante sua vida pública, formou o corpo da Igreja: convocou os Apóstolos, a quem deu a sua autoridade, escolheu Pedro para o chefe, a “pedra”, e deu-lhes o poder de transmitir a graça e os seus ensinamentos. Estava formada a hierarquia, a Igreja docente, que, junto com os outros discípulos, a Igreja discente, formava o corpo da Igreja. Faltava agora a alma, o sopro da vida. Sopro em latim é “spiritus”. Sopro divino, a alma da Igreja, é o Espírito Santo, que Jesus enviou sobre os Apóstolos, sobre a sua nascente Igreja. Agora a obra está completa.

Assim o Espírito Santo completou a obra de Cristo, santificando os Apóstolos, transformando-os de fracos em fortes, de medrosos em corajosos, de ignorantes em sábios, para assim pregarem o Evangelho de Jesus a todos os povos, enfrentando a sabedoria pagã, as perseguições e até a morte, pela causa de Cristo. E até hoje, é o Espírito Santo que dá força aos mártires, testemunhas do Evangelho até o derramamento do sangue, o vigor aos missionários e pregadores, a ciência aos doutores, a pureza às virgens, a perseverança aos justos e a conversão aos pecadores. É o Espírito Santo que garante a indefectibilidade e a infalibilidade à Igreja, até ao fim do mundo. Nenhuma sociedade humana sobreviveria a tantas perseguições, tantas heresias e cismas, tantos inimigos externos e internos, tanta gente ruim no seu seio (nós, por exemplo!), leigos, padres, Bispos e Papas ruins, tantos escândalos da parte dos seus membros, tantas dificuldades, se não fosse a ação do Espírito Santo que a mantém incólume no meio de todas essas tempestades, até a consumação dos séculos.

É essa ação do Espírito Santo que produziu os santos, que fazem a glória da Igreja, e são milhares e milhares. Conhecemos alguns por nome, respeitados por todo o mundo, mesmo pelos não católicos e não cristãos: quem não respeita e admira a santidade de um São Francisco de Assis, a ciência de um Santo Agostinho, um São Jerônimo e um Santo Tomás de Aquino, a firmeza de São Sebastião, a pureza de Santa Inês e Santa Cecília, a candura de Santa Teresinha do Menino Jesus, a caridade de Santa Teresa de Calcutá e da Beata Dulce dos Pobres, etc. É o Espírito Santo, presente na Igreja, que cumpre a promessa de Jesus: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28, 20).

A Igreja reproduz a condição do seu Divino Fundador, Jesus, Deus e homem. Como Deus, perfeitíssimo como o Pai, como homem, sujeito a fraquezas como nós, exceto no pecado. Também a Igreja, humana e fraca nos seus membros, que somos todos nós, é divina nos seus ensinamentos, graça e perfeição, pela presença do Espírito Santo, continuador da obra de Jesus.  

Dom Fernando Rifan

segunda-feira, junho 03, 2019

SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR








A ressurreição/ascensão de Jesus convida-nos a ver a vida com outros olhos – os olhos da esperança. Diz-nos que o sofrimento, a perseguição, o ódio, a morte, não são a última palavra para definir o quadro do nosso caminho; diz-nos que no final de um caminho percorrido na doação, na entrega, no amor vivido até às últimas consequências, está a vida definitiva, a vida de comunhão com Deus. Esta esperança permite-nos enfrentar o medo, os nossos limites humanos, o fanatismo, o egoísmo dos fazedores de pecado e permite-nos olhar com serenidade para esse qualquer coisa de novo que nos espera, para esse futuro de vida plena que é o nosso destino final.

A ascensão de Jesus e, sobretudo, as palavras finais de Jesus, que convocam os discípulos para a missão, sugerem a nossa responsabilidade na construção desse mundo novo onde habita a justiça e a paz; sugerem que a proposta libertadora que Jesus fez a todos os homens está agora nas nossas mãos e que é nossa responsabilidade torná-la realidade; sugerem que nós, os seguidores de Jesus, temos de construir, com o esforço de todos os dias, o novo céu e a nova terra.

A alegria que brilha nos olhos e nos corações desses discípulos que testemunham a entrada definitiva de Jesus na vida de Deus tem de ser uma realidade que transparece na nossa vida. Os seguidores de Jesus, iluminados pela fé, têm de testemunhar, com a sua alegria, a certeza de que os espera, no final do caminho, a vida em plenitude; e têm de testemunhar, com a sua alegria, a certeza de que o projeto salvador e libertador de Deus está atuando no mundo, transformando  os corações e as mentes,fazendo  nascer, dia a dia, o Homem Novo.
















Capela São José de Anchieta