terça-feira, setembro 19, 2017

SÃO MATEUS



A Igreja celebra no próximo dia 21 de setembro, de forma especial, a vida de São Mateus apóstolo e evangelista, cujo nome antes da conversão era Levi. Morava e trabalhava como coletor de impostos em Cafarnaum, na Palestina. Quando ouviu a Palavra de Jesus: “Segue-me” deixou tudo imediatamente, pondo de lado a vida ligada ao dinheiro e ao poder para um serviço de perfeita pobreza: a proclamação da mensagem cristã! Ele trocou de nome para Mateus, o “dom de Deus”.

Quando falam do episódio do coletor de impostos chamado a seguir Jesus, os outros evangelistas, Marcos e Lucas, falam de Levi. Mateus ao contrário prefere denominar-se com o nome mais conhecido de Mateus e usa o apelido de publicano, que soa como usuário ou avarento, “para demonstrar aos leitores – observa São Jerônimo – que ninguém deve desesperar da salvação, se houver conversão para vida melhor”.

Acredita-se, mesmo, que tal mudança não tenha realmente ocorrido dessa forma, mas sim pelo seu próprio e espontâneo entusiasmo no Messias. Na verdade, o que se imagina é que Levi havia algum tempo cultivava a vontade de seguir as palavras do profeta e que aquela atitude tenha sido definitiva para colocá-lo para sempre no caminho da fé cristã.

Daquele dia em diante, tornou-se um dos maiores seguidores e apóstolos de Cristo, acompanhando-o em todas as suas caminhadas e pregações pela Palestina. São Mateus foi o primeiro apóstolo a escrever um livro contando a vida e a morte de Jesus Cristo, ao qual ele deu o nome de Evangelho e que foi amplamente usado pelos primeiros cristãos da Palestina. Quando o apóstolo são Bartolomeu viajou para as Índias, levou consigo uma cópia.

Depois da morte e ressurreição de Jesus, os apóstolos espalharam-se pelo mundo e Mateus foi para a Arábia e a Pérsia para evangelizar aqueles povos. Porém foi vítima de uma grande perseguição por parte dos sacerdotes locais, que mandaram arrancar-lhe os olhos e o encarceraram para depois ser sacrificado aos deuses. Mas Deus não o abandonou e mandou um anjo que curou seus olhos e o libertou. Mateus seguiu, então, para a Etiópia, onde mais uma vez foi perseguido por feiticeiros que se opunham à evangelização. Porém o príncipe herdeiro morreu e Mateus foi chamado ao palácio. Por uma graça divina fez o filho da rainha Candece ressuscitar, causando grande espanto e admiração entre os presentes. Com esse ato, Mateus conseguiu converter grande parte da população. Na época, a Igreja da Etiópia passou a ser uma das mais ativas e florescentes dos tempos apostólicos.

São Mateus morreu por ordem do rei Hitarco, sobrinho do rei Egito, no altar da igreja em que celebrava o santo ofício da missa. Isso aconteceu porque não intercedeu em favor do pedido de casamento feito pelo monarca, e recusado pela jovem Efigênia, que havia decidido consagrar-se a Jesus. Inconformado com a atitude do santo homem, Hitarco mandou que seus soldados o executassem.

No ano 930, as relíquias mortais do apóstolo são Mateus foram transportadas para Salerno, na Itália, onde, até hoje, é festejado como padroeiro da cidade. A Igreja determinou o dia 21 de setembro para a celebração de são Mateus, apóstolo.

A Igreja também celebra hoje a memória dos santos: Ifigênia e Maura de Troyes.

segunda-feira, setembro 18, 2017

XXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM



Terapia do perdão 


Uma terapia da cura pelo perdão. Depois, você poderá retomar a leitura para meditá-la com mais calma. Eu destaco alguns pontos para mostrar o que meu amigo psicólogo quer dizer com terapia pelo perdão. A primeira frase fala do estrago que o rancor e a raiva produzem dentro da gente, a ponto de até mesmo quem vive no pecado querer se ver livre da raiva e do rancor. Coitada da pessoa que vive com raiva dentro de si. É alguém que vai se corroendo aos poucos e, por causa disso, fica doente não só psicologicamente, mas também corporalmente. Qual a terapia proposta? Duas indicações iniciais. A primeira, entrar no processo do perdão, não tanto por causa do outro, em primeiro lugar, mas por causa da gente mesmo. Quando perdoamos, tiramos quem nos ofendeu de dentro de nós. E isso é libertador. 


A força da oração para perdoar 

Um segundo elemento terapêutico, que aparece na 1ª leitura, é a oração. Quem perdoa a injustiça cometida, diz a 1ª leitura, abre o coração divino para ouvir e atender a oração que se faz a Deus. Ou seja, a última frase da 1ª leitura — para não se levar em conta a falta do outro — só é possível através da oração. É esse o sentido que Jesus dá quando ensina a rezar pelos nossos inimigos, a rezar por quem nos ofende. A oração, talvez, não mude a violência de quem nos ofende, mas muda o nosso coração e o deixa em paz para que a ofensa do agressor não machuque nossa vida. Ou seja, quando rezamos por quem nos ofendeu começa a acontecer um processo de cura dentro de nós, porque a bondade que desejamos a quem nos ofendeu, através da oração, tem o poder de curar o nosso coração. E disso, eu como padre sou testemunha em tantas e tantas situações. 


Como perdoar? 

Como em toda a terapia, também na terapia do perdão existe um “como”. Existe um modo para se perdoar; existe um modelo para aprender a perdoar. O modelo é o Coração de Deus, como exposto por Jesus no Evangelho. Diz a parábola que, diante do choro do devedor, o patrão (Deus) teve compaixão e perdoou-lhe a dívida. Se o modelo é o Coração divino, dele aprende-se a olhar quem nos ofendeu com compaixão. É pela compaixão que aparece outro elemento essencial para se perdoar: a misericórdia. Não no sentido de ter dó ou pena, mas no sentido de olhar a quem nos ofendeu com o mesmo olhar divino, que não condena, mas oferece a oportunidade para continuar a viver. O erro do empregado consistiu em não modelar o seu coração no Coração divino e, por isso, ele foi condenado. Quem não modela o seu coração no Coração de Deus não consegue perdoar e assim, diante de quem deve algo, não tem olhar misericordioso, mas olhar vingativo e, toda vingança é uma prisão. Perdoar, portanto, para se viver livre e libertado. Amém!








sexta-feira, setembro 15, 2017

PAPA FRANCISCO, FESTA DE NOSSA SENHORA DAS DORES



O primeiro compromisso do Papa Francisco na manhã desta sexta-feira (15/09) foi a celebração da missa na capela da Casa Santa Marta. Na sua homilia, o Pontífice convidou os fiéis a contemplarem Nossa Senhora das Dores, aos pés da Cruz, neste dia em que a Igreja recorda a sua memória:

“Contemplar a Mãe de Jesus, contemplar este sinal de contradição, porque Jesus é o vencedor, mas sobre a Cruz, sobre a Cruz. É uma contradição, não se compreende… É preciso fé para entender, pelo menos para se aproximar deste mistério”.

Maria sabia disso e “toda a vida viveu com a alma traspassada”. Seguia Jesus e ouvia os comentários das pessoas, às vezes a favor, às vezes contra, mas sempre esteve atrás de seu Filho. E “por isso dizemos que é a primeira discípula”, destacou Francisco. Maria tinha a inquietação que fazia nascer no seu coração este “sinal de contradição”.

No final, ficava ali, em silêncio, sob a Cruz olhando o Filho. Talvez, ouvia comentários do tipo: “Olha, aquela é a Mãe de um dos três delinquentes”. Mas Ela “mostrou o rosto pelo Filho”:

“Aquilo que digo agora são pequenas palavras para ajudar a contemplar, em silêncio, este mistério. Naquele momento, Ela deu à luz a todos nós: deu à luz a Igreja. 'Mulher’ – Lhe diz o Filho – ‘eis os teus filhos’. Não diz ‘mãe’: diz ‘mulher’. Mulher forte, corajosa; mulher que estava ali para dizer: ‘Este é meu Filho: não O renego’”.

Portanto, o trecho do Evangelho é mais para contemplar do que para reflectir. “Que seja o Espírito Santo - conclui - a dizer a cada um de nós aquilo de que precisamos”.


quinta-feira, setembro 14, 2017

NOSSA SENHORA DAS DORES



A imagem de Nossa Senhora das Dores apresenta-nos uma simbologia clara e bela sobre os sofrimentos pelos quais a Virgem Maria passou. Os sofrimentos da Mãe de Jesus a tornam uma grande intercessora diante de Deus em nosso favor. Foi num momento de sofrimento, durante a crucificação de Jesus, que o Mestre nos entregou sua mãe como 'Nossa Mãe'. Portanto, as Dores de Nossa Senhora são importantes e a tornam também 'Co-redentora' da humanidade. Vamos conhecer a simbologia.
O manto azul de Nossa Senhora das Dores

O manto azul de Nossa Senhora das Dores simboliza o céu. Este manto nos fala que esta Senhora está no céu, diante de Deus e que, de lá, ela pede ao Pai em nosso favor.
A Túnica avermelhada de Nossa Senhora das Dores

A Túnica avermelhada de Nossa Senhora das Dores simboliza sua maternidade. As mulheres judias usavam uma túnica com esta cor para simbolizar que eram mães. Como vimos, Maria nos foi dada como Mãe pelo próprio Jesus, conforme lemos no Evangelho de São João 19, 26-27: 'Mãe, eis aí o teu filho. Filho, eis aí tua mãe.'
O dourado e o branco em Nossa Senhora das Dores


Algumas representações de Nossa Senhora das Dores a apresentam com um véu branco branco sob o véu azul. Este branco simboliza sua virgindade e pureza. Em outras representações, a Virgem Maria tem dourado sob o véu, que simboliza sua realeza. Portanto, ela é Rainha, Mãe e Virgem.
A coroa e os cravos nas mãos de Nossa senhora das Dores

A coroa e os cravos nas mãos de Nossa senhora das Dores simbolizam a paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, o sofrimento máximo que Maria acompanhou, viveu e sofreu. São João nos relata que Maria 'estava de pé junto à cruz.' (Jo 19, 25)
As sete espadas no coração de Nossa Senhora das Dores

As sete espadas no coração de Nossa Senhora das Dores simbolizam as sete dores pelas quais a Virgem Maria passou em sua vida:
Primeira dor: A profecia de Simeão (Lucas 2, 28-35)

Maria e José vão ao Templo para apresentarem o menino Jesus ao Senhor Deus. Lá, o profeta Simeão vai ao encontro deles e diz a Maria: 'Uma espada de dor transpassará teu coração.' Num momento feliz, quando se apresenta um bebê ao Senhor, Maria recebe a notícia de uma 'espada de dor'. Certamente, junto com a alegria do bebê Jesus, estas palavras penetraram seu coração e a fizeram sofrer.
Segunda dor: A fuga para o Egito (Mt 2, 13-18)

E as dores de Maria não demoraram para começar. Pouco tempo depois de ter ouvido a profecia de Simeão, a Sagrada família teve que fugir para o Egito porque Herodes procurava o Menino Jesus para mata-lo. A Sagrada Família permaneceu 4 anos no Egito, vivendo num país diferente, com uma língua diferente, costumes diferentes, longe dos parentes e da terra natal.
Terceira dor: A perda do Menino Jesus aos 12 anos (Lc 2, 41-52)

Depois que voltaram do Egito, Jesus, Maria e José de Nazaré, como judeus piedosos, peregrinavam a Jerusalém todos os anos para celebrarem a Páscoa. Quando jesus completou 12 anos, fizeram esta peregrinação. A caravana de Nazaré voltou para casa. Porém, Jesus ficou no Templo discutindo com os Doutores da Lei, enquanto seus pais pensavam que ele estivesse com os meninos na caravana. Quando notaram sua falta, voltaram a Jerusalém aflitos e só o encontraram depois de três dias, quando Jesus lhes disse que 'Deveria cuidar das coisas de seu Pai.' A perda do Menino Jesus, sem dúvida, foi uma grande dor para o coração de Maria, e também uma grande lição que ela guardou em seu coração.
Quarta dor: o encontro com Jesus a caminho do calvário

Imagine a dor de Nossa Senhora ao ver seu filho carregando uma cruz, condenado como um bandido, rumo à morte. E, no caminho, o povo insultava e ofendia seu Filho, como se ele fosse realmente um mal feitor. Qual mãe não sofre ao presenciar isso'
Quinta dor: Maria vê seu Filho crucificado

A crucificação, com toda a crueldade e dor que envolvia, foi outra espada que transpassou o coração de Maria. Cada cravo que perfurava o corpo de seu Filho, perfurava também o seu coração. Cada chaga que abriam em seu Filho, abriam também em seu coração.
Sexta dor: um soldado perfura o coração de Jesus

Maria, de pé, presenciou a morte de seu filho. E, para certificar-se de que ele estava realmente morto, um soldado perfurou seu coração com uma lança, de onde jorrou sangue e água. Sétima dor: o sepultamento de JesusApós presenciar a morte de seu Filho, Maria presenciou também seu sepultamento, num túmulo emprestado por José de Arimatéia. Aqui encerram as sete dores de Nossa Senhora, com a aparente vitória da morte. Porém, Jesus ressuscitou e a vida venceu a morte. Mas as dores de Maria certamente fazem dela a Co-redentora da humanidade, junto com Jesus.
Oração a Nossa Senhora das Dores

'Ó Mãe de Jesus e nossa mãe, Senhora das Dores, nós vos contemplamos pela fé, aos pés da cruz, tendo nos braços o corpo sem vida do vosso Filho. Uma espada de dor transpassou vossa alma como predissera o velho Simeão. Vós sois a Mãe das dores. E continuais a sofrer as dores do nosso povo, porque sois Mãe companheira, peregrina e solidária. Recolhei em vossas mãos os anseios e as angústias do povo sofrido, sem paz, sem pão, sem teto, sem direito a viver dignamente. E com vossas graças, fortalecei aqueles que lutam por transformações em nossa sociedade. Permanecei conosco e dai-nos o vosso auxílio, para que possamos converter as lutas em vitórias e as dores em alegrias. Rogai por nós, ó Mãe, porque não sois apenas a Mãe das dores, mas também a Senhora de todas as graças. Amém!'


quarta-feira, setembro 13, 2017

FESTA DA EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ




VATICANO, 14 Set. 14 / 11:06 pm (ACI/EWTN Noticias).- Nas palavras pronunciadas antes da oração do Ângelus Dominical, o Papa Francisco recordou que hoje, 14 de setembro, a Igreja celebra a festa da Exaltação da Santa Cruz, e assegurou que “a Cruz de Jesus é a nossa única e verdadeira esperança”.

O Santo Padre assinalou que “algumas pessoas não-cristãs podem se perguntar: por que ‘exaltar’ a cruz? Podemos responder que nós não exaltamos uma cruz qualquer ou todas as cruzes: exaltamos a Cruz de Jesus Cristo, porque é nela que foi revelado o máximo amor de Deus pela humanidade”.

“É isto o que nos recorda o Evangelho de João na liturgia do dia: ‘Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único’. O Pai ‘deu’ o Filho para nos salvar, e isso resultou na morte de Jesus e na morte na cruz. Por que? Por que foi necessária a Cruz?”.

Francisco respondeu que foi “por causa da gravidade do mal que nos mantinha escravos. A Cruz de Jesus exprime duas coisas: toda a força negativa do mal e toda a suave onipotência da misericórdia de Deus”.



“A Cruz parece decretar o fracasso de Jesus, mas, na realidade, marca a sua vitória. No Calvário, aqueles que o injuriavam, diziam: ‘Se és Filho de Deus, desce da cruz’. Mas a verdade era o oposto: justamente porque era o Filho de Deus, Jesus estava ali, na cruz, fiel até o final ao desígnio do amor do Pai”.

“E exatamente por isso Deus ‘exaltou’ Jesus, dando-lhe uma realeza universal”.

O Santo Padre assinalou que “quando olhamos para a Cruz onde Jesus foi pregado, contemplamos o sinal do amor infinito de Deus para cada um de nós e a raiz da nossa salvação. ‘Daquela Cruz vem a misericórdia do Pai que abraça o mundo inteiro’”.

“Através da Cruz de Cristo, se venceu o mal, a morte foi derrotada, a vida nos foi doada e a esperança restituída. A Cruz de Jesus é nossa única e verdadeira esperança”.

“A Cruz de Jesus é nossa única e verdadeira esperança! É por isso que a Igreja ‘exalta’ a Santa Cruz, e é por isso que, nós, cristãos, nos abençoamos com o sinal da cruz”.

O Papa destacou que “nós não exaltamos as cruzes, mas ‘a’ Cruz gloriosa de Jesus, sinal do amor imenso de Deus. Sinal da nossa salvação, e caminho para a Ressurreição. E esta é a nossa esperança”.

O Santo Padre pediu também que “enquanto contemplamos e celebramos a Santa Cruz, pensamos comovidos por tantos nossos irmãos e irmãs que são perseguidos e mortos por causa da sua fidelidade a Cristo. Isso acontece, em particular, lá onde a liberdade religiosa ainda não é garantida ou plenamente realizada”.

“Acontece, porém, mesmo nos países e ambientes em que, em princípio, protegem a liberdade e os direitos humanos, mas onde concretamente os fiéis e, especialmente, os cristãos, encontram limitações e discriminações”.

Por isso, continuou o Papa, “hoje recordamos e rezamos em modo todo especial por eles.”.

“No Calvário, aos pés da cruz, estava a Virgem Maria. É a Virgem Dolorosa, que amanhã celebraremos na liturgia. A Ela, confio o presente e o futuro da Igreja, para que todos sempre saibamos descobrir e acolher a mensagem de amor e de salvação da Cruz de Jesus”.

“Encomendo-lhe de modo particular os casais de esposos que tive a alegria de unir em matrimônio nesta manhã na Basílica de São Pedro”, concluiu.

Homilia Papa Francisco em 14 de setembro de 2014


terça-feira, setembro 12, 2017

CAPELA DOS OSSOS NO INTERIOR DA CAPELA DE SÃO FRANCISCO EM ÉVORA



A Capela dos Ossos é um dos mais conhecidos monumentos de Évora, em Portugal. Está situada na Igreja de São Francisco. Foi construída no século XVII por iniciativa de três monges franciscanos que, dentro do espírito da altura (contra-reforma religiosa, de acordo com as normativas do Concílio de Trento), pretendeu transmitir a mensagem da transitoriedade da vida, tal como se depreende do célebre aviso à entrada: "Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos". Além da questão espiritual, também havia uma questão física, qual seja; existiam, na região de Évora, quarenta e dois cemitérios monásticos que estavam a ocupar demasiado espaço e locais estratégicos que muitos pretendiam utilizar para outros fins. Assim, decidiram retirar os esqueletos da terra e usá-los para construir e decorar a capela.

A capela, construída no local do primitivo dormitório fradesco é formada por 3 naves de 18,70 m de comprimento e 11m de largura, entrando a luz por três pequenas frestas do lado esquerdo.

As suas paredes e os oito pilares estão "decorados" com ossos e crânios ligados por cimento pardo. As abóbadas são de tijolo rebocado a branco, pintadas com motivos alegóricos à morte. É um monumento de uma arquitectura penitencial de arcarias ornamentadas com filas de caveiras, cornijas e naves brancas. Foi calculado à volta de cinco mil ossos, entre crânios, vértebras, fémures e outros, provenientes dos cemitérios, situados em igrejas e conventos da cidade, e que foram ligados com cimento pardo e estão dispostos pelas paredes, teto, colunas e mesmo no exterior. Há, ainda dois esqueletos inteiros pendurados por correntes em uma das paredes, sendo um deles, o de uma criança.

A capela era dedicada ao Senhor dos Passos, imagem conhecida na cidade como Senhor Jesus da Casa dos Ossos, que impressiona pela expressividade com que representa o sofrimento de Cristo, na sua caminhada com a cruz até ao calvário.

Entre julho de 2014 e outubro de 2015, a capela passou uma reforma avaliada em €3,5 milhões, para restauração de danos ocorridos com o tempo e construção de um museu de arte sacra e outro para exposições temporárias.



Poemas dentro da capela


Poema sobre as caveiras


As caveiras descarnadas

São a minha companhia,

Trago-as de noite e de dia

Na memória retratadas

Muitas foram respeitadas

No mundo por seus talentos,

E outros vãos ornamentos,

Que serviram à vaidade,

E talvez…na eternidade

Sejam causa de seus tormentos.
Poema sobre a existência

Aonde vais, caminhante, acelerado?

Pára…não prossigas mais avante;

Negócio, não tens mais importante,

Do que este, à tua vista apresentado.

Recorda quantos desta vida tem passado,

Reflecte em que terás fim semelhante,

Que para meditar causa é bastante

Terem todos mais nisto parado.

Pondera, que influído d'essa sorte,

Entre negociações do mundo tantas,

Tão pouco consideras na morte;

Porém, se os olhos aqui levantas,

Pára…porque em negócio deste porte,

Quanto mais tu parares, mais adiantas.

Este soneto é atribuído ao Padre António da Ascensão Teles, pároco da freguesia de São Pedro (na igreja de São Francisco) entre 1845 e 1848.


O SANTÍSSIMO NOME DE MARIA




A Igreja celebra no dia 12 de setembro a festa do Santo Nome de Maria. Deus sempre valorizou o nome das pessoas e esses nomes estiveram ligados à identidade e à missão delas. Por exemplo, Jesus mudou o nome de Simão (cf. Jo 1, 40s) para Képhas (= Pedro); uma vez que ele seria a Pedra sobre a qual o Senhor edificaria a sua Igreja (cf. Mt 16,18). “Tu és Pedro…”

A Sagrada Escritura sempre valorizou muito o nome dos personagens do povo de Deus. O próprio nome de Jesus indica a sua identidade: “Deus salva”, e o Anjo Gabriel o deu a Maria e a José: “Ela dará à luz um filho a quem tú porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados” (Mt 1, 21).

Certamente, devemos concluir que o santo nome da Virgem Maria não foi dado sem um sentido, e certamente foi dado por Deus por inspiração a seus pais Santa Ana e São Joaquim. E o Arcanjo Gabriel pronuncia o seu nome: “Não temas Maria, porque achaste graça diante do Senhor” (Lc 1,30).

Segundo os etimologistas, o nome Maria pode ter vindo da raiz mery, da língua egípcia que significa mui amada. Outros dizem que provém do siríaco e quer dizer senhora. Mas, a probabilidade maior é a que veio do hebraico, e pode ter vários significados: “Estrela do Mar; Esperança; Excelsa; ou Sublime”, entre outros.

Não importa, contudo, o real significado, mas o que se tornou a partir do momento que a Mãe do Redentor o recebeu. Poderoso é este nome que deve ser invocado sempre.

Todo católico ama e pronuncia muitas vezes o santo nome de sua Mãe Santíssima, Virgem, Imaculada e Assunta ao céu. Quando rezamos o santo Rosário o pronunciamos sem cessar, clamando a sua ajuda e poderosa intercessão. “Ave Maria, cheia de graça…” , “Santa Maria Mãe de Deus…” E o bom povo brasileiro gosta de colocar em suas filhas este sagrado nome: Maria Isabel, Maria Aparecida, Maria do Socorro, Maria das Dores, Maria do Carmo, Maria… Maria… Maria… Que povo devoto à Virgem Maria!

O Padre Antônio Vieira, em um dos seus mais inspirados escritos, diz:

“Só vos digo que invoqueis o nome de Maria quando tiverdes necessidade dele; quando vos sobrevier algum desgosto, alguma pena, alguma tristeza; quando vos molestarem os achaques do corpo, ou vos molestarem os da alma; quando vos faltar o necessário para a vida…;

Quando os pais, os filhos, os irmãos, os parentes se esquecerem das obrigações do sangue; quando vo-lo desejarem beber a vingança, o ódio, a inveja; quando os inimigos vos perseguirem, os amigos vos desampararem, e donde semeastes benefícios, colherdes ingratidões e agravos;

Quando os maiores vos faltarem com a justiça, os menores com o respeito, e todos com a proximidade; quando vos inchar o mundo, vos lisonjear a carne, e vos tentar o demônio, que será sempre e em tudo; quando vos virdes em alguma dúvida ou perplexidade, em que vós não saibais resolver nem tomar conselho;

Quando amanhecer o dia, sem saberdes se haveis de anoitecer, e quando vos recolherdes à noite, sem saber se haveis de chegar à manhã; finalmente, em todos os trabalhos, em todas as aflições, em todos os perigos, em todos os temores, e em todos os desejos e pretensões, porque nenhum de nós conhece o que lhe convém; em todos os sucessos prósperos ou adversos, e em todos os casos e acidentes súbitos da vida, da honra, e, principalmente, nos da consciência, que em todos anda arriscada, e com ela a salvação.

E como em todas estas coisas, em cada uma delas necessitamos de luz, alento e remédio mais que humano, se em todas e cada uma recorrermos à proteção e amparo da mãe das misericórdias, não há dúvida que, obrigados da mesma necessidade, não haverá dia, nem hora, nem momento em que não invoquemos o nome de Maria”.

São Bernardo, Doutor da Igreja, dizia de Maria:

“Ó tu, que te sentes, longe da terra firme, levado pelas ondas deste mundo, no meio dos temporais e das tempestades, não desvies o olhar da luz deste Astro, se não quiserdes perecer.

Se o vento das tentações se elevar, se o recife das provações se erguer na tua estrada, olha para a Estrela, chama por Maria.

Se fores sacudido pelas vagas do orgulho, da ambição, da maledicência, do ciúme, olha para a Estrela, chama por Maria.

Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria. Que seu nome nunca se afaste de teus lábios, que não se afaste de teu coração; e, para obter o auxílio da sua oração, não te descuides do seu exemplo de vida.

Seguindo-a, terás a certeza de não te desviares; suplicando-lhe, de não desesperar; consultando-a, de não te enganares. Se ela te segurar, não cairás; se te proteger, nada terás de temer; se te conduzir, não sentirás cansaço; se te for favorável, atingirás o objetivo”.

Todos os santos, sem exceção, engrandeceram o sagrado nome da Virgem Maria e por isso a Igreja celebra a festa do seu santo nome.

Santa Maria, rogai por nós!

Prof. Felipe Aquino

segunda-feira, setembro 11, 2017

IGREJA DE SÃO FRANCISCO EM ÉVORA



Igreja de São Francisco em Évora é uma igreja de arquitetura gótico-manuelina. Construída entre 1480 e 1510 pelos mestres de pedraria Martim Lourenço e Pero de Trilho e decorada pelos pintores régios Francisco Henriques, Jorge Afonso e Garcia Fernandes, está intimamente ligada aos acontecimentos históricos que marcaram o período de expansão marítima de Portugal. Isso fica patente nos símbolos da monumental nave de Abóbadaogival: a cruz da Ordem de Cristo e os emblemas dos reis fundadores, D. João II e D. Manuel I.

Segundo a tradição, o Convento de São Francisco de Évora terá sido a primeira casa da Ordem Franciscana em Portugal, tendo sido fundada no século XIII. Segundo os cânones da Regra de São Francisco, a primitiva igreja monástica tinha três naves, com capelas comunicantes entre si. Neste primitivo edifício se realizaram várias cerimónias importantes, tais como o casamento de D. Pedro I com D. Constança Manuel. Desse período restam alguns vestígios, como atestam as frestas trilhadas que ladeiam o pórtico principal. A igreja seria remodelada no final do século XV, tendo-se construído o magnífico templo que hoje subsiste e que é uma das mais impressionantes igrejas portuguesas. Respeitando os limites originais, as três naves foram substituídas pela nave única subsistente, coberta pela arrojada abóbada gótico-manuelina que atinge vinte e quatro metros de altura. O Convento de São Francisco viveu então os seus momentos áureos, quando a corte do Rei D. Afonso V se começou a instalar no espaço conventual durante as suas estadias em Évora. Desta forma, a igreja de São Francisco foi elevada à categoria de Capela Real, daí os múltiplos emblemas régios de D.João II e D. Manuel I. Nesta época, recebeu o mosteiro o título de Convento de Ouro, tal a riqueza com que a Família Real o decorava.

A estes anos de esplendor (que de alguma forma contrariavam a espiritualidade franciscana (de pobreza e simplicidade), seguiu-se um período menos glorioso, acentuado pela perda da independência (em 1580). Neste período se construiu a curiosa Capela dos Ossos, para que a comunidade reflectisse a propósito da efemeridade da vida humana. No século XVIIIconstruíram-se vários retábulos de talha dourada e de mármore (grande parte deles subsidiados pelos donatários das respectivas capelas, onde tinham sepultura privada). No século XIX uma nova crise se abateria sobre o Convento: a extinção das ordens religiosas, em 1834. Toda a parte monástica foi nacionalizada, tendo-se nela instalado o Tribunal da cidade, até cerca de 1895, data em que, sob grave ruína, se demoliu praticamente toda a parte conventual (dormitórios, parte do claustro, etc.). Salvou-se porém a magnífica igreja porque em 1840, para ali se transferiu a sede da freguesia de São Pedro.

Destacam-se em toda a igreja as características da arquitectura gótico-manuelina, particularmente nas ameias e torres das fachadas, no pórtico principal e na magnífica abóbada da nave.
Nave da igrejaEditar


Na extensa nave do templo, abrem-se dez capelas laterais, compostas por retábulos de talha dourada e policromada (século XVIII) e de estuques (século XIX). Alguns são provenientes da igreja do Convento da Graça, de onde foram salvos da ruína. No Baptistério está a pia baptismal da antiga igreja de São Pedro e uma curiosa representação do Baptismo de Cristo no Jordão, em cortiça, proveniente do antigo convento de Santa Mónica.

O retábulo da capela-mor substituiu o Políptico do Convento de São Francisco de Évora, um conjunto de pintura renascentista (presentemente disperso pelos Museus de Évora e da Arte Antiga). O retábulo actual é da segunda metade do século XVIII, em mármore, obra que contrasta com o ambiente manuelino do espaço. Nele se expõem as grandes imagens de São Francisco e São Domingos, como era hábito nas igrejas franciscanas. Nos alçados da capela estão duas belíssimas janelas marmóreas renascentistas, de onde a Família Real assistia aos ofícios religiosos (no século XVI) e um grande órgão de tubos setecentista (de Pascoal Caetano Oldovini). O cadeiral dos monges está decorado com representações de vários santos franciscanos. Os altares colaterais têm ainda várias pinturas do período renascentista.

Particularmente majestoso é o conjunto artístico da Capela da venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência (constituída por leigos), nela se conjugam harmoniosamente todo o esplendor da talha barroca do período joanino com os azulejos e telas representativos de temáticas franciscanas.

Pequena dependência renascentista, de abóbada nervurada, outrora independente do templo franciscano, erguida na face norte do transepto. Foi a primitiva sede da Santa Casa da Misericórdia de Évora e sob a sua portada está a escultura do anjo da Anunciação, em mármore do século XVI.
Sala do CapítuloEditar

Da destruição da parte conventual salvou-se a antiga sala do capítulo, que no século XIX foi transformada em Capela do Senhor dos Passos da Casa dos Ossos (imagem de grande devoção local, representando o sofrimento de Cristo no caminho do calvário). O camarim onde se expõe a imagem é a maquete da capela-mor da Sé de Évora, tendo sido construída por ordem de J. F. Ludwig, mais conhecido por Ludovice, o arquitecto que a projectou no século XVIII.

A Capela dos Ossos é uma das curiosidades deste grande monumento, sendo um dos ex-libris da cidade de Évora. A capela foi construída nos séculos XVI e XVII, no lugar do primitivo dormitório dos frades. A sua construção partiu da iniciativa de três frades franciscanos que queriam proporcionar uma melhor reflexão acerca da brevidade da vida humana. A capela é constituída por ossadas provenientes das sepulturas da igreja do convento e de outras igrejas e cemitérios da cidade. As paredes e parte das abóbadas da capela estão revestidas de milhares de ossos humanos, que ilustram a ideia dos monges fundadores, expressa na frase que encima o pórtico da capela: Nós ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos.

A frase: Nós ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos.

A igreja é ainda rica em estatuária religiosa e pintura renascentista e barroca, patente nas capelas e demais dependências que chegaram aos nossos dias.


XXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM


A 1ª leitura destaca uma atividade específica da vocação profética: “ser vigia para a casa de Israel”; ser uma sentinela para o povo. Qual é a função de uma sentinela do povo? Convenhamos, inicialmente, que não se trata de algo prazeroso, mesmo sendo uma missão que se afina com aquilo que Deus pretende para o seu povo: “logo que ouvires alguma palavra de minha boca, tu os deves advertir em meu nome”(1L). Uma palavra para advertir, portanto. Isso torna a sentinela uma pessoa não simpática.

Sentinela é uma atividade que o profeta exerce em âmbito comunitário, chamando atenção para as ilusões do povo que deixa de se importar com a presença divina. Mas, é também uma função a ser exercida em contexto pessoal, quando alguém é atingido por decepções e desânimos ao perceber seu futuro comprometido. É uma atividade incômoda, esta de precisar chamar atenção e apresentar o erro cometido sem meios-termos. É a atividade profética que interroga, perturba, fecha as possibilidades de arrumar desculpas, de fugir ou se esconder. Incomodamente apresenta a proposta divina que, em caso de desvio de conduta, objetiva desmascarar o pecado e o pecador.

Algum motivo para isso? O motivo principal é reconhecer Deus como aquele pastor que deseja o bem do seu povo e não quer que o povo repita a atitude de fechar o seu coração a este pastor, como fez em Meriba, em Massa, no deserto (SR), porque o fechamento da vida para Deus é um caminho de morte. Da parte do profeta, trata-se de uma atitude de responsabilidade para com o povo, mas também de fidelidade à resposta vocacional e, principalmente, resposta ao amor divino, que sempre busca o bem do outro, como ensina Paulo, na 2ª leitura. É o amor fraterno em vista do bem do outro.

A proposta de viver o amor fraterno é decisiva na vida cristã, no sentido que somente quem pratica a fraternidade cumpre plenamente a Lei (2L). É um dado que merece ser considerado: a Lei divina não se cumpre em fazer ou deixar de fazer alguma coisa, mas em relacionar-se fraternalmente com todos, especialmente com aquele que é mais próximo. A teologia paulina dá a entender que o amor fraterno é um débito em relação ao outro: “não fiqueis devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo” (2L). No pensamento de Paulo, se fomos amados gratuitamente por Deus, este amor se reverte também gratuitamente aos irmãos. Ou seja, em termos de amor fraterno, ninguém tem crédito, uma vez que grande foi o amor com que fomos amados por Deus. Assim, o amor fraterno é o modo perfeito do cumprimento da Lei. Papa Francisco dizia na homilia de Corpus Christi (2017), que muitas devoções, profundamente sentimentais, são vazias por não conduzir e nem produzir amor fraterno.

O Evangelho deste Domingo é denominado como “discurso eclesial”, não tanto por mencionar a palavra “Igreja”, mas por considerar o estatuto fundamental da comunidade que quer ser reconhecida como Igreja de Jesus Cristo: o estatuto do amor fraterno. De um lado, Jesus apresenta a lei do amor e, do outro lado, apresenta o pecado que mancha a comunidade inteira e a impede de crescer por não se cultivar, na comunidade, a fraternidade.

Muitos comentadores deste texto o classificam como um procedimento disciplinar da comunidade eclesial. É bem provável que assim fosse, mas com um diferencial: o acento não está tanto nas normas e nas penas imputadas ao pecador, mas no desejo de recuperá-lo como irmão para a comunidade. À luz deste pensamento, as várias tentativas para a recuperação de quem pecou não tem caráter punitivo, mas se pauta na parábola da ovelha perdida, recuperada pelo Bom Pastor, que não deseja que ninguém se perca. A finalidade última, portanto, é a reconciliação e não a punição.

Serve para isso, não somente o apelo à correção, mas também a oração, como conclui o Evangelho deste Domingo. O texto grego usa o termo “syn-phôneô”, que significa sinfonia de vozes. É, portanto, a oração afinada de várias vozes, nascidas de diferentes corações, suplicando uma única intenção, que chega de modo agradável aos ouvidos divinos, por se estar reunidos em nome de Jesus para interceder alguma coisa. Nisto, não podemos esquecer, a comunidade conta também com a presença orante do Senhor.

Missa das crianças celebrada pelo Padre Juan Pablo








Missa das 10 horas celebrada pelo Padre Manuel







Padre Marcos celebra em Évora-Portugal











domingo, setembro 10, 2017

O PAPA AOS SACERDOTES: LEVAI AO MUNDO A ALEGRIA DO ENCONTRO COM JESUS



O último compromisso do Papa Francisco em Medellín foi o encontro com os sacerdotes, os consagrados, os seminaristas e os seus familiares no Centro de Eventos La Macarena. Depois dos testemunhos de um sacerdote, uma religiosa de clausura e uma família, o Papa tomou a palavra inspirando-se no Evangelho da videira e os ramos: a verdadeira vocação é permanecer sempre unidos a Cristo, disse e, citando o Documento de Aparecida, acrescentou:

"Como diz o Documento de Aparecida, conhecer Jesus é o mais belo presente que qualquer pessoa pode receber, tê-lo encontrado é a melhor coisa que nos aconteceu na vida, e fazê-lo conhecer com palavras e obras é para nós uma alegria”.

O Papa dirigiu-se em seguida aos jovens: "Muitos de vós" – diz ele - "descobristes Jesus vivo nas vossas comunidades; comunidades com um fervor apostólico contagioso, que entusiasmam e suscitam atracção. Onde há vida, fervor, desejo de levar Cristo aos outros, nascem vocações genuínas; a vida fraterna e fervorosa da comunidade é aquela que suscita o desejo de se consagrar inteiramente a Deus e à evangelização":

Mas Francisco falou também dos jovens capturados e destruídos pela droga e rezou pela conversão daqueles que devastam tantas vidas. No entanto – sublinhou o Papa - "são muitos os jovens que se mobilizam em conjunto perante os males do mundo e se dedicam a várias formas de militância e voluntariado. Quando o fazem por amor de Jesus, sentindo-se parte da comunidade, eles se tornam "mensageiros da fé", felizes de levar Jesus em cada estrada, em cada praça, em cada ângulo da terra”.

O Papa Francisco lembrou, assim, da videira mencionada por Jesus no texto proclamado no encontro, que é a videira do “povo da aliança”: às vezes expressa uma alegria, outras, uma desilusão, mas jamais o desinteresse. O Pontífice, então, questionou:

“Como é a terra, o alimento, o suporte onde cresce esta videira na Colômbia? Em que contextos são gerados os frutos das vocações de especial consagração? Certamente em ambientes cheios de contradições, de luzes e sombras, de situações relacionais complexas. Gostaríamos de contar com um mundo de famílias e vínculos mais serenos, mas somos parte desta crise cultural; e é no meio dela, contando com ela, que Deus continua a chamar".

Desde o início, foi assim, observou Francisco, Deus manifesta a sua proximidade e a sua eleição, Ele muda o curso dos acontecimentos, chamando homens e mulheres na fragilidade da história pessoal e comunitária. Não tenhamos medo! Nesta terra complexa, Deus sempre fez o milagre de gerar cachos bons, como as torradas para o café da manhã. Que não faltem vocações em nenhuma comunidade, em nenhuma família de Medellín!”

A videira, disse o Papa, tem a característica de ser verdadeira. “Ora, a verdade não é algo que recebemos, como o pão ou a luz, mas brota de dentro. Somos povo eleito para a verdade, e a nossa vocação deve acontecer na verdade”, prosseguiu.

Mas os percursos podem ser manifestados pela “secura e pela morte”, impedindo o fluxo da seiva que alimenta e dá vida. Por isso, o Papa recomenda atenção para que a condição religiosa não seja aproveitada para se obter benefícios próprios e materiais:

“As vocações de especial consagração morrem quando querem nutrir-se de honrarias, quando são impelidas pela busca de tranquilidade pessoal e promoção social, quando a motivação é ‘subir de categoria’, apegar-se a interesses materiais chegando mesmo ao erro da avidez de lucro. Como já disse noutras ocasiões, o diabo entra pela carteira. Isto não diz respeito apenas ao início, todos nós devemos estar atentos porque a corrupção nos homens e mulheres que estão na Igreja começa assim, pouco a pouco".

E o Papa falou do veneno da mentira, da dissimulação, da manipulação e do abuso do povo de Deus, dos mais frágeis e especialmente dos idosos e das crianças não pode ter lugar na nossa comunidade; “são ramos que decidiram secar e que Deus nos manda cortar” – ressaltou Francisco.

Os bons exemplos colombianos foram citados pelo Papa Francisco, como o da Santa Laura Montoya, uma obra missionária a favor dos indígenas, e do Beato Mariano de Jesús Euse Hoyos, um dos primeiros alunos do Seminário de Medellín.

O Santo Padre convidou, então, a cortar todos os factores que distorcem a vocação e a “permanecer em Jesus”, o que não é uma “atitude meramente passiva”, mas pode ser efectiva de três maneiras: tocando a humanidade de Cristo; contemplando a sua divindade; e vivendo na alegria.

Tocar a humanidade, “com o olhar e os sentimentos de Jesus, que contempla a realidade não como juiz, mas como bom samaritano”, e também com “os gestos e palavras de Jesus, que expressam amor aos vizinhos e a busca dos afastados”.

Contemplar a divindade de Cristo, “suscitando e cultivando a estima pelo estudo, que aumenta o conhecimento de Cristo” e, assim, privilegiando “o encontro com a Sagrada Escritura”: “gastemos tempo numa leitura oral da Palavra, ouvindo nela o que Deus quer para nós e para o nosso povo”. Para contemplar a divindade, o Papa também sugere “fazer da oração a parte fundamental da nossa vida e do nosso serviço apostólico”:

“A oração nos liberta das escórias do mundanismo, ensina-nos a viver com alegria, a escolher a fuga do superficial, num exercício de liberdade autêntica. Arranca-nos da tendência a nos concentrar sobre nós mesmos, fechados numa experiência religiosa vazia e nos leva colocar-nos docilmente nas mãos de Deus para cumprir a sua vontade e corresponder ao seu plano de salvação. E, na oração, adorar. Aprender a adorar em silêncio”.

E, finalmente, permanecer em Cristo para viver na alegria, porque, segundo o Papa, “a nossa alegria contagiante deve ser o primeiro testemunho da proximidade e do amor de Deus”.

“Cabe-nos oferecer todo o nosso amor e serviço unidos a Jesus Cristo, nossa videira, e ser promessa dum novo início para a Colômbia, que deixa para trás um dilúvio de conflitos e violências, que quer produzir muitos frutos de justiça e paz, de encontro e solidariedade”. – concluiu Francisco.

sexta-feira, setembro 08, 2017

PAPA: A RECONCILIAÇÃO CONCRETIZA-SE COM A CONTRIBUIÇÃO DE TODOS



Villavicencio (RV) - O Papa Francisco presidiu a celebração eucarística, nesta sexta-feira (09/09), na esplanada de Catama, em Villavicencio, missa em que beatificou os Servos de Deus Jesús Emilio Jaramillo Monsalve, Bispo de Arauca, e Pedro María Ramírez Ramos, sacerdote diocesano. A visita papal a essa cidade teve como tema “Reconciliação com Deus, com os colombianos e com a criação”.

O Pontífice deixou Bogotá e se dirigiu de avião a essa cidade. Após 40 minutos, o avião papal aterrissou na Base Aérea Luis Gómez NiñoApiay, em Villavicencio. 

Ao chegar à esplanada de Catama, o Papa fez um giro de papamóvel entre os fiéis e a seguir se dirigiu para a sacristia. Participaram da missa cerca de um milhão de fiéis provenientes também das vastas regiões dos Llanos e povoados indígenas, além de vítimas da violência. 

Antes da homilia, teve lugar o rito de beatificação dos dois mártires colombianos.

"Com Nossa Autoridade Apostólica declaramos que os Veneráveis Servos de Deus Jesús Emilio Jaramillo Monsalve, do Instituto de Missões Estrangeiras de Yarumal, Bispo de Arauca, Pedro María Ramírez Ramos, sacerdote diocesano, Pároco de Armero, mártires, que, como pastores segundo o coração de Cristo e coerentes testemunhas do Evangelho, derramaram o sangue por amor ao rebanho que lhes foi confiado, de agora em diante, sejam chamados Beatos, e se poderá celebrar sua festa cada ano, nos lugares e no modo estabelecido pelo Direito, em 3 e 24 de outubro, respectivamente. 

Natividade de Maria

A Igreja celebra, nesta sexta-feira (09/09), a festa da Natividade de Nossa Senhora e o Papa se deteve, na homilia, sobre esse tema.

“O seu nascimento, Virgem Mãe de Deus, é a nova aurora que anunciou a alegria ao mundo inteiro, porque de você nasceu o Sol de Justiça, Cristo, nosso Deus.” 

“A festa da Natividade de Maria projeta a sua luz sobre nós, como se irradia a luz suave do amanhecer sobre a vasta planície colombiana, esta paisagem lindíssima da qual Villavicencio é a porta, bem como na rica diversidade dos seus povos indígenas. Maria é o primeiro esplendor que anuncia o fim da noite e, sobretudo, a proximidade do dia. O seu nascimento nos faz intuir a iniciativa amorosa, terna e compassiva do amor com que Deus Se inclina sobre nós e nos chama para uma aliança maravilhosa com Ele, que nada e ninguém poderá romper.”

Segundo Francisco, “Maria soube ser transparência da luz de Deus e refletiu o brilho desta luz na sua casa, que partilhou com José e Jesus, e também no seu povo, na sua nação e na casa comum de toda a humanidade que é a Criação”.

“No Evangelho, ouvimos a genealogia de Jesus, que não é uma mera lista de nomes, mas história viva, história dum povo com o qual Deus caminhou e, ao fazer-Se um de nós, quis anunciar que, no seu sangue, corre a história de justos e pecadores, que a nossa salvação não é uma salvação asséptica, de laboratório, mas concreta, de vida que caminha. Esta longa lista nos diz que somos uma pequena parte duma longa história e nos ajuda a não pretender protagonismos excessivos, nos ajuda a fugir da tentação de espiritualismos evasivos, a não abstrair das coordenadas históricas concretas em que nos cabe viver. E também integra, na nossa história de salvação, aquelas páginas mais obscuras ou tristes, os momentos de desolação e abandono comparáveis ao exílio.”

O "sim" de Maria

“A menção às mulheres – nenhuma das referidas na genealogia pertence à hierarquia das grandes mulheres do Antigo Testamento – permite-nos uma abordagem especial: na genealogia, são elas que anunciam que, pelas veias de Jesus, corre sangue pagão, que recordam histórias de marginalização e sujeição. Em comunidades onde ainda se arrastam estilos patriarcais e machistas, é bom anunciar que o Evangelho começa por salientar as mulheres que criaram tendência e fizeram história.”

No meio de tudo isto, Jesus, Maria e José. 

“Maria, com o seu «sim» generoso, permitiu que Deus cuidasse desta história. José, homem justo, não deixou que o orgulho, as paixões e os ciúmes o lançassem fora desta luz. Pela forma como aparece narrado, nós sabemos antes de José aquilo que aconteceu com Maria, e ele toma decisões em que se manifestam as suas qualidades humanas antes de ser ajudado pelo anjo e chegar a entender tudo o que estava acontecendo ao seu redor. A nobreza do seu coração fez subordinar à caridade aquilo que aprendera com a lei; e hoje, neste mundo onde é patente a violência psicológica, verbal e física contra a mulher, José se apresenta como figura de homem respeitoso, delicado que, mesmo não dispondo de todas as informações, se decide pela honra, dignidade e vida de Maria. E, na sua dúvida sobre o melhor a fazer, Deus o ajudou a escolher iluminando o seu discernimento.”

“Este povo da Colômbia é povo de Deus; também aqui podemos fazer genealogias cheias de histórias: muitas, cheias de amor e de luz; outras, de conflitos, ofensas, inclusive de morte. Quantos de vocês poderiam narrar experiências de exílio e desolação! Quantas mulheres, em silêncio, perseveraram sozinhas, e quantos homens de bem procuraram pôr de lado amarguras e rancores, querendo combinar justiça e bondade!”

"Que havemos de fazer para deixar entrar a luz? Quais são os caminhos de reconciliação? Como Maria, dizer «sim» à história completa, e não apenas a uma parte; como José, pôr de lado paixões e orgulho; como Jesus Cristo, cuidar, assumir, abraçar esta história, porque nela vos encontrais, todos os colombianos, nela está aquilo que somos e o que Deus pode fazer conosco se dissermos «sim» à verdade, bondade e reconciliação. E isto só é possível, se enchermos com a luz do Evangelho as nossas histórias de pecado, violência e conflito.”

Reconciliação

“A reconciliação não é uma palavra abstrata; se assim fosse, traria apenas esterilidade; antes, distância. Reconciliar-se é abrir uma porta a todas e cada uma das pessoas que viveram a realidade dramática do conflito. Quando as vítimas vencem a tentação compreensível da vingança, tornam-se protagonistas mais críveis dos processos de construção da paz. É preciso que alguns tenham a coragem de dar o primeiro passo nesta direção, sem esperar que os outros o façam. Basta uma pessoa boa, para que haja esperança. E cada um de nós pode ser esta pessoa! Isto não significa ignorar ou dissimular as diferenças e os conflitos. Não é legitimar as injustiças pessoais ou estruturais. O recurso à reconciliação não pode servir para se acomodar em situações de injustiça. Pelo contrário, como ensinou São João Paulo II, «é um encontro entre irmãos dispostos a vencer a tentação do egoísmo e a renunciar aos intentos duma pseudo-justiça; é fruto de sentimentos fortes, nobres e generosos, que levam a estabelecer uma convivência fundada sobre o respeito de cada indivíduo e dos valores próprios de cada sociedade civil».” “Por isso, a reconciliação concretiza-se e consolida-se com a contribuição de todos. Permite construir o futuro e faz crescer a esperança. Todo esforço de paz sem um compromisso sincero de reconciliação será um fracasso.”

Beatificação

O texto do Evangelho, que ouvimos, culmina chamando a Jesus de Emanuel, o Deus conosco. E como começa, assim termina Mateus o seu Evangelho: «Eu estarei sempre com vocês até ao fim dos tempos» (28, 20). Esta promessa se realiza também na Colômbia: Dom Jesús Emilio Jaramillo Monsalve, Bispo de Arauca, e o sacerdote Pedro Maria Ramírez Ramos, mártir de Armero, são sinal disso, expressão dum povo que quer sair do pântano da violência e do rancor.

Segundo o Papa, “neste ambiente maravilhoso, cabe a nós dizer «sim» à reconciliação; e, neste «sim», incluamos também a natureza. Não é por acaso que, inclusive sobre ela, se tenham desencadeado as nossas paixões possessivas, a nossa ânsia de domínio.” 

O Pontífice recordou as palavras de um cantor colombiano: “As árvores estão chorando, são testemunhas de tantos anos de violência. O mar aparece acastanhado, mistura de sangue com a terra”. 

Segundo o Papa, “a violência que existe no coração humano, ferido pelo pecado, se manifesta também nos sintomas de doença que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos. Cabe-nos dizer «sim» como Maria e cantar com Ela as «maravilhas do Senhor», porque, como prometeu aos nossos pais, ajuda a todos os povos e a cada povo, ajuda a Colômbia que hoje quer se reconciliar e à sua descendência para sempre”.

(MJ)