sexta-feira, setembro 29, 2017

A SEMANA NACIONAL DA VIDA



Por determinação da 43ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, em 2005,celebra-se, em todo o Brasil, de 1 a 7 de outubro, a Semana Nacional da Vida e no dia 8 de outubro o Dia do Nascituro, ou seja, o Dia pelo direito de nascer. “A Semana Nacional da Vida e o Dia do Nascituro são ocasiões para que toda a Igreja continue afirmando sua posição favorável à vida desde o seio materno até o seu fim natural, bem como a dignidade da mulher e a proteção das crianças” (Dom Leonardo Ulrich Steiner, secretário geral da CNBB). Neste ano, o subsídio Hora da Vida usa o tema “Bendito é o fruto do teu ventre”, relacionado com o Ano Nacional Mariano, pelos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida.
Foi escolhido o dia 8 de outubro, por ser próximo ao dia em que se celebra a Padroeira do Brasil (12 de outubro), cujo título, ao evocar a concepção, lembra o fruto correspondente: Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Mãe de Deus que se fez homem, Jesus Cristo, nascituro em seu seio, que faz João Batista exultar de alegria no ventre de Isabel (Lc 1,39-45).
A propósito, diante da atual banalização da vida e de opiniões favoráveis ao aborto, defendido por inúmeras pessoas influentes, é importante lembrar que a Igreja compreende as situações difíceis que levam mães a abortar, mas, por uma questão de princípios, defende com firmeza a vida do nascituro, como bem nos ensina S. João Paulo II na Carta Encíclica "Evangelium Vitae" (Sobre Valor e a Inviolabilidade da Vida Humana): “É verdade que, muitas vezes, a opção de abortar reveste para a mãe um caráter dramático e doloroso: a decisão de se desfazer do fruto concebido não é tomada por razões puramente egoístas ou de comodidade, mas porque se quereriam salvaguardar alguns bens importantes como a própria saúde ou um nível de vida digno para os outros membros da família. Às vezes, temem-se para o nascituro condições de existência tais que levam a pensar que seria melhor para ele não nascer. Mas essas e outras razões semelhantes, por mais graves e dramáticas que sejam,nunca podem justificar a supressão deliberada de um ser humano inocente” (n. 58). E, usando da prerrogativa da infalibilidade, o Papa define: “Com a autoridade que Cristo conferiu a Pedro e aos seus sucessores, em comunhão com os Bispos – que de várias e repetidas formas condenaram o aborto e que... apesar de dispersos pelo mundo, afirmaram unânime consenso sobre esta doutrina - declaro que o aborto direto, isto é, querido como fim ou como meio, constitui sempre uma desordem moral grave, enquanto morte deliberada de um ser humano inocente. Tal doutrina está fundada sobre a lei natural e sobre a Palavra de Deus escrita, é transmitida pela tradição da Igreja e ensinada pelo Magistério ordinário e universal” (n. 62).
Agradeçamos ao Criador pelo dom da vida que nos deu, e renovemos o nosso compromisso de lutar pela vida daqueles que, como nós fomos também, ainda não têm voz, mas que são chamados a um dia agradecerem a Deus por tão grande dom. Lutemos pela vida, contra o aborto.


Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

quinta-feira, setembro 28, 2017

ARCANJOS SÃO GABRIEL, SÃO RAFAEL E SÃO MIGUEL



Cidade do Vaticano (RV) - Satanás apresenta as coisas como se fossem boas, mas a sua intenção é destruir o homem, até mesmo com motivações “humanísticas”. Os anjos lutam contra o diabo e nos defendem. Isto foi, em síntese, o que disse o Papa Francisco na homilia da Missa celebrada esta manhã na Casa Santa Marta, no dia em que a Igreja celebra a Festa dos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael.

As leituras do dia nos apresentam imagens muito fortes: a visão da glória de Deus narrada pelo Profeta Daniel com o Filho do Homem, Jesus Cristo, diante do Pai; a luta do Arcanjo Miguel e os seus anjos contra “o grande dragão, a serpente antiga, aquele que é chamado diabo” e “seduz toda a terra habitada”, mas é derrotado, como afirma o Apocalipse; e o Evangelho em que Jesus diz a Natanael: ‘Verás o céu aberto e os anjos de Deus subir e descer sobre o Filho do homem”. O Papa Francisco fala da “luta entre o demônio e Deus”:

“Mas esta luta ocorre depois que Satanás procura destruir a mulher que está para parir o filho. Satanás sempre procura destruir o homem: o homem que Daniel via ali, na glória, e que Jesus dizia a Natanael que viria na gloria. Desde o início a Bíblia nos fala disto: desta sedução de Satanás para destruir. Por inveja. Nós lemos no Salmo 8: ‘Tu fizeste o homem superior aos anjos’, e esta inteligência tão grande do anjo não podia suportar esta humilhação, que uma criatura inferior fosse feita superior; e buscava destruí-la”.

Satanás, portanto, procura destruir a humanidade, a todos nós:

“Tantos projetos, exceto os próprios pecados, mas tantos projetos de desumanização do homem são obra dele; simplesmente porque odeia o homem. É astuto: está escrito na primeira página do Gênesis; é astuto. Apresenta as coisas como se fossem boas. Mas a sua intenção é a destruição. E os anjos nos defendem. Defendem o homem e defendem o Homem-Deus, o Homem superior, Jesus Cristo que é a perfeição da humanidade, o mais perfeito. Por isto a Igreja honra os anjos, porque são aqueles que estarão na glória de Deus – estão na gloria de Deus – porque defendem o grande mistério escondido de Deus, isto é, que o Verbo veio na carne”.

“A missão do povo de Deus – afirmou o Papa – é guardar em si mesmo o homem: o homem Jesus”, pois “é o Homem que dá vida a todos os homens”. Ao contrário, nos seus projetos de destruição, Satanás inventa “explicações humanísticas que vão justamente contra o homem, contra a humanidade e contra Deus”:

“A luta é uma realidade cotidiana, na vida cristã: no nosso coração, na nossa vida, na nossa família, no nosso povo, nas nossas igrejas... Se não se luta, seremos derrotados. Mas o Senhor deu esta missão principalmente aos anjos, de lutar e vencer. E o canto final do Apocalipse, após esta luta, é tão bonito: ‘Agora se cumpriu a salvação, a força e o Reino de nosso Deus e o poder do seu Cristo, porque foi precipitado o acusador dos nossos irmãos, aquele que os acusava diante do nosso Deus dia e noite”.

O Papa, por fim, convida a rezar aos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael e a recitar “aquela oração antiga, mas tão bonita, do Arcanjo Miguel, para que continue a lutar para defender o maior mistério da humanidade: que o Verbo se fez homem, morreu e ressuscitou. Este é o nosso tesouro. Que ele continue a lutar para guardá-lo”. (JE)


A cada 29 de setembro, a Igreja Católica celebra a festa de três Santos Arcanjos: São Miguel, São Gabriel e São Rafael. Confira a seguir sete coisas que talvez não sabia deles.


1. São os mais próximos aos humanos

Desde Pseudo-Dionisio, Padre da Igreja do século VI, está acostumado a se enumerar três hierarquias de anjos. Na primeira estão os Serafins, Querubins e Tronos. Depois vem as Dominações, Virtudes e Potestades. Enquanto que na terceira hierarquia estão os Principados, Arcanjos e Anjos. Estes últimos são os que estão mais próximos às necessidades dos seres humanos.

2. São mensageiros de anúncios importantes

A palavra Arcanjo provém das palavras gregas “Arc” que significa “principal” e “anjo” que é “mensageiro de Deus”. Vejamos o que diz São Gregório Magno:

“Deveis saber que a palavra ‘Anjo’ designa uma função, não uma natureza. Na verdade, aqueles santos espíritos da pátria celeste são sempre espíritos, mas nem sempre se podem chamar Anjos. Só são Anjos quando exercem a função de mensageiros. Os que transmitem mensagens de menor importância chamam-se Anjos; os que transmitem mensagens de maior transcendência chamam-se Arcanjos.

3. Existem sete Arcanjos segundo a Bíblia

No livro do Tobias (12,15), São Rafael se apresenta como “um dos sete anjos que estão diante da glória do Senhor e têm acesso a sua presença”. Enquanto que no livro do Apocalipse (8,2), São João descreve: “vi os sete Anjos que estavam diante de Deus, e eles receberam sete trombetas”. Por estas duas citações bíblicas, afirma-se que são sete Arcanjos.

4. Somente conhecemos três nomes

A Bíblia somente menciona o nome de três Arcanjos: Miguel, Rafael e Gabriel. Os outros nomes (Uriel, Barachiel ou Baraquiel, Jehudiel, Saeltiel) aparecem em livros apócrifos de Enoc, o quarto livro do Esdras e em literatura rabínica. Entretanto, a Igreja somente reconhece os três nomes que estão nas Sagradas Escrituras. Os outros podem servir como referência, mas não são doutrina.

5. Gabriel significa “a força de Deus”

No Antigo Testamento, São Gabriel Arcanjo aparece no livro sagrado de Daniel explicando ao profeta uma visão do carneiro e o cabrito (Det. 8), assim como instruindo-o nas coisas futuras (Det. 9,21-27). Nos Evangelhos, São Lucas (1,11-20) o menciona anunciando a Zacarias o nascimento de São João Batista e à Maria (Lucas 1,26-38) que conceberia e daria a luz Jesus.

São Gabriel Arcanjo é conhecido como o “anjo mensageiro”, representado com uma vara de perfumada açucena e é padroeiro das comunicações e dos comunicadores, pois através da Anunciação trouxe ao mundo a mais bela notícia.

6. Rafael em hebreu é “Deus cura”

O único livro sagrado que menciona a São Rafael Arcanjo é o de Tobias e figura em vários capítulos. Ali se lê que Deus envia este Arcanjo para que acompanhe a Tobias em uma viagem, na qual se casou com Sara.

Da mesma maneira, São Rafael indicou a Tobias como devolver a visão ao seu pai. Por esta razão é invocado para afastar doenças e conseguir terminar bem as viagens.

7. Miguel significa “Quem como Deus”

O nome do Arcanjo Miguel vem do hebreu “Mija-El” que significa “Quem como Deus ” e que, segundo a tradição, foi o grito de guerra em defesa dos direitos de Deus quando Lúcifer se opôs aos planos salvíficos e de amor do Criador.

A Igreja Católica teve sempre uma grande devoção ao Arcanjo São Miguel, especialmente a fim de pedir-lhe que nos liberte dos ataques do demônio e dos espíritos infernais. Costuma ser representado com a roupa de guerreiro ou soldado centurião pondo seu calcanhar sobre a cabeça do inimigo.


Fonte:http://br.radiovaticana.va/ e http://www.acidigital.com/

quarta-feira, setembro 27, 2017

SÃO VICENTE DE PAULO



Vicente de Paulo foi, realmente, uma figura extraordinária para a humanidade. Pertencia a uma família pobre, de cristãos dignos e fervorosos. Nasceu em Pouy, França, no dia 24 de abril de 1581.

Na infância, foi um simples guardador de porcos, o que não o impediu de ter uma brilhante ascensão na alta Corte da sociedade de sua época. Aos dezenove anos, foi ordenado padre e, antes de ser capelão da rainha Margarida de Valois, ficou preso durante dois anos nas mãos dos muçulmanos. O mais curioso é que acabou sendo libertado pelo seu próprio “dono”, que, ao longo desse período, Vicente conseguiu converter ao cristianismo.

Todos o admiravam e respeitavam: do cardeal Richelieu à rainha Ana da Áustria, além do próprio rei Luís XIII, que fez questão absoluta de que Vicente de Paulo estivesse presente no seu leito de morte.

Mas quem mais era merecedor da piedade e atenção de Vicente de Paulo eram mesmo os pobres, os menos favorecidos, que sofriam as agruras da miséria. Quando Mazarino, em represália às barricadas erguidas pela França, quis fazer o país entregar-se pela fome, Vicente de Paulo organizou, em São Lázaro, uma mesa popular para servir, diariamente, refeições a duas mil pessoas famintas.

Apesar de ter sempre pouco tempo para os livros, tinha-o muito quando era para tratar e dar alívio espiritual. Quando convenceu o regente francês de que o povo sofria por falta de solidariedade e de pessoas caridosas para estenderem-lhe as mãos, o rei, imediatamente, nomeou-o para ser o ministro da Caridade. Com isso, organizou um trabalho de assistência aos pobres em escala nacional. Fundou e organizou quatro instituições voltadas para a caridade: a “Confraria das Damas da Caridade”, os “Servos dos Pobres”, a “Congregação dos Padres da Missão”, conhecidos como padres lazaristas, em 1625, e, principalmente, as “Filhas da Caridade”, em 1633.

Este homem prático, firme, dotado de senso de humor, esperto como um camponês, e sobretudo realista, que dizia aos sacerdotes de São Lazaro: “Amemos Deus, irmãos meus, mas o amemos às nossas custas, com a fadiga dos nossos braços, com o suor do nosso rosto”, morreu em Paris no dia 27 de setembro de 1660.

Canonizado em 1737, são Vicente de Paulo é festejado no dia de sua morte, pelos seus filhos e sua filhas espalhados nos quatro cantos do mundo. E por toda a sociedade leiga cristã engajada em cuidar para que seu carisma permaneça, pela ação de suas fundações, que florescem, ainda, nos nossos dias, sempre a serviço dos mais necessitados, doentes e marginalizados.

A Igreja também celebra hoje a memória dos santos: Fidêncio e Florentino.


segunda-feira, setembro 25, 2017

IGREJA DE SÃO DOMINGOS (SANTA JUSTA)


Igreja São Domingos onde Padre Marcos concelebrou em Lisboa com o pároco Padre Vitor no 25º Domingo do Tempo Comum, em 24 de setembro de 2017.


A Igreja de São Domingos, do Convento de São Domingos de Lisboa ocupa a metade norte do lado oriental da Praça D. Pedro IV. Sendo limitada a Norte pela Rua Barros de Queirós, a Oeste pelo Largo de São Domingos, a Sul pela Praça da Figueira e a Este pela Rua de Dom Duarte.

Foi construída no século XIII, por ordem do rei D. Sancho II tendo a sua primeira pedra sido lançada em 1241. Desde então foi alvo de inúmeras campanhas de obras que lhe alteraram a sua traça medieval por completo. O convento foi acrescentado depois por D. Afonso IIIe novamente aumentado por D. Manuel I. Foi aqui que começou o Massacre de Lisboa de 1506. O terramoto de 1531 arruinou-o muito, o que obrigou a nova reedificação em 1536.

Neste terramoto, acontecido a 26 de Janeiro, tudo muda. Foram enormes os danos causados pelo sismo. Nas suas espessas paredes abriram-se fendas desde o teto até ao chão, chegando mesmo a ruír em alguns pontos. A sua reabertura foi possível graças às esmolas dos fiéis, às diversas congregações - destacando-se a companhia de Jesus - e de um subsídio proveniente do Rei. Serão conservadas as três naves e todos os seus ornamentos.

A velha Igreja de São Domingos ficava junto à ermida de Nossa Senhora da Escada, também conhecida por Nossa Senhora da Corredoura, por ficar próximo do sítio deste nome, atualmente a Rua das Portas de Santo Antão, e cuja construção datava dos princípios da monarquia.

Era notável a sua riqueza em alfaias preciosas, havendo uma imagem de prata maciça, que saía em procissão num andor do mesmo metal, alumiada por lâmpadas também de prata. As pinturas dos altares, os paramentos, os tesouros, tudo desapareceu durante o terramoto de 1755, salvando-se unicamente a sacristia e a capela-mor, mandada fazer por D. João V e riscada pelo arquitecto João Frederico Ludovice, em 1748 - homem que projectou o colossal Convento de Mafra. A capela-mor, toda de mármore negro, e em cujas colunas se vêem, junto à base, medalhões delicadamente cinzelados, que também avultam sobre os nichos laterais.

Na sua reconstrução, o arquiteto Carlos Mardel (1696-1763) tentou preservar ao máximo o estilo da capela-mor projetada pelo arquiteto João Frederico Ludovice (1676-1752). O arquiteto acrescentou também magnificas colunas de mármore em todos os altares. No que concerne ao coro-alto este é constituído por uma planta retangular sobre o travejamento de madeira, assente em duas majestosas colunas, sendo iluminado pelas três entradas de luz que se encontram num registo superior, assim como pelo óculo da janela principal. A sua reabertura deu-se em 1834 conseguindo albergar mais de 2000 fiéis.

A igreja acabou por ser reconstruída por Manuel Caetano de Sousa, sob direcção de Carlos Mardel. O portal foi reaproveitado e veio da capela real do Palácio da Ribeira, assim como a sacada que encima o portal.

Sendo uma das igrejas mais vasta de Lisboa, nela se realizaram todas as grandes cerimónias religiosas, as exéquias nacionais e reais, assim como as solenidades dos baptizados e casamentos reais.

Em 13 de agosto de 1959, um violento incêndio destruiu por completo a decoração interior da igreja, onde constavam altares em talha dourada, imagens valiosas e pinturas de Pedro Alexandrino de Carvalho. A igreja recebeu obras e reabriu ao público em 1994, sem esconder as marcas do incêndio, como as colunas rachadas. Ainda que destruída, é uma igreja que sobressai pela policromia dos seus mármores.

Actualmente é a igreja paroquial da freguesia de Santa Justa e Santa Rufina, em plena Baixa Pombalina e foi classificada como Monumento Nacional. Expõe metade do lenço usado por Lúcia no dia 13 de Outubro de 1917 (a outra metade encontra-se no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Fátima) e ainda o terço usado por Jacinta Marto no mesmo dia.

De traço predominantemente barroco, de planta em cruz latina, tem uma fachada muito simples e o interior, mesmo depois do terramoto e do fogo, evidencia ainda grande beleza e ecletismo. É uma igreja de uma só nave, majestosa. A sacristia e a portaria ainda mostram um pouco de sabor maneirista, denotando as várias campanhas de obras de que foi alvo na sua história. O mesmo estilo pode ser visto nos túmulos e lambris de azulejos de ponta de diamante na sacristia.

Na casa-forte, por trás do altar, existe o túmulo de D. Afonso, filho de D. Afonso III. Numa passagem para a sacristia, com entrada pela Rua da Palma, encontram-se os túmulos do grande pregador dominicano Fr. Luís de Granada (m. 1588) e do reformador da ordem Fr. João de Vasconcelos (m. 1652). Esta igreja tem ainda uma cripta abobadada e dotada de lambris de azulejos, onde está o túmulo de D. João de Castro, capelão de D. João.




O incêndio na Igreja de São Domingos


XXV DOMINGO DO TEMPO COMUM



A bela profecia de Isaias (1L) apela para uma necessidade de nossas vidas: "buscai o Senhor, enquanto pode ser achado". É um apelo que abre uma janela para percebermos o estado psicológico do povo exilado, no momento histórico da profecia de Isaias. Sim, havia uma promessa de libertação, que era conhecida pelo povo, mas a desconfiança começa a superar a esperança, fazendo com que muitos membros do povo entrassem no caminho da iniquidade; no caminho do pecado. A desconfiança do povo — que neste caso tem mais força e mais poder que a palavra do profeta — fazia surgir um novo modo de pensar, diferente do pensamento divino. À medida que o povo perde a esperança passa a descrever uma nova figura de Deus: aquele que promete, mas não realiza a promessa. E isso não é nada bom.

É contra este pensamento e mentalidade de um Deus desinteressado pelo seu povo, que Isaias lança um apelo diferente, ajudando o povo a perceber que a verdade de Deus não se encontra no passado, mas no futuro, na libertação do povo. Um apelo profético para ressaltar a necessidade do povo pensar e a criar uma mentalidade diferente, a abrir-se a uma outra lógica, pois os pensamentos divinos são diferentes dos nossos pensamentos (1L). Este é o motivo pelo qual o povo não pode ceder à desconfiança, mas precisa alimentar a esperança, buscando o Senhor e invocando-o neste tempo que ele se faz mais próximo de nós.

A questão da liberdade divina se apresenta de modo ainda mais vivo e pertinente na parábola de Jesus (E). Dizem os estudiosos do Evangelho de Mateus que o texto apresenta a fotografia de uma comunidade cristã dividida em dois grupos. O grupo daqueles que vieram do judaísmo e se converteram ao Evangelho e, o grupo dos publicanos e dos pagãos, que não pertenciam ao povo eleito. O primeiro grupo considerava-se trabalhadores da primeira hora, aqueles que suportaram o peso do calor de um dia de trabalho, o peso do início da Igreja. O segundo grupo, era considerado aqueles que vieram depois e já encontraram a comunidade “pronta”. Diante disso, o choque da parábola é destacar que a lógica divina é diferente da nossa lógica humana. Deus não se prende ao critério da lógica retributiva, mas se mostra livre para fazer da riqueza da sua graça o que deseja — e aqui está um dado importante — para o bem da vida humana. Ou seja, a meritocracia não pertence à linguagem do amor, porque é própria de quem trabalha por salário. Diante de Deus, que convida por pura gratuidade, não existe primeiros e últimos, grandes e pequenos, merecedores ou indignos, mas existe aquilo que é tipicamente divino: fazer o bem, como canta o salmista: "misericórdia e piedade é o Senhor, ele é amor, é paciência, é compaixão. O Senhor é muito bom para com todos, sua ternura abraça toda criatura" (SR).

Paulo é exemplo de quem se dedicou desde a primeira hora ao duro trabalho na messe do Senhor, mas não se queixa diante do bem que o Evangelho promove aos da última hora (2L). Sua recompensa consiste em confirmar que ele deixou de ser ele mesmo, pois é Jesus que vive nele. No contexto de nossa reflexão, a frase de Paulo — "se o viver na carne significa que meu trabalho será frutuoso" — demonstra que não existe lugar para a inveja na vida de quem se dedica por mais tempo no trabalho evangelizador e na construção de comunidades. O importante, percebe-se isso facilmente no pensamento de Paulo, não consiste em suportar o trabalho de todo o peso do dia ou somente algumas horas do mesmo dia, mas em ter alguém que possa colher os frutos da evangelização.




















sexta-feira, setembro 22, 2017

A RELIGIÃO DA PALAVRA ,POR DOM FERNANDO RIFAN



No próximo domingo, dia 24, celebraremos o dia nacional da Bíblia, dedicado a despertar e promover entre os fiéis o conhecimento e o amor dos Livros Sagrados, a Palavra de Deus escrita, redigida sob a moção do Divino Espírito Santo, motivando-os para sua leitura cotidiana, atenta e piedosa e, ao mesmo tempo, premunindo-os contra os erros correntes com relação à Bíblia mal interpretada.
“Na Igreja, veneramos extremamente as Sagradas Escrituras, apesar da fé cristã não ser uma ‘religião do Livro’: o cristianismo é a ‘religião da Palavra de Deus’, não de ‘uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo’” (Verbum Domini – Bento XVI -, 7)
É de São Jerônimo, o grande tradutor dos Livros Santos, a célebre frase: “Ignorar a Sagrada Escritura é ignorar o próprio Cristo”. Portanto, o conhecimento e o amor às Escrituras decorrem do conhecimento e do amor que todos devemos a Nosso Senhor.
O ponto central da Bíblia, convergência de todas as profecias, é Jesus Cristo. O Antigo Testamento é preparação para a sua vinda e o Novo, a realização do seu Reino. “O Novo estava latente no Antigo e o Antigo se esclarece no Novo” (Santo Agostinho).
Dizemos que a Bíblia é um livro divino e humano: inspirada por Deus, mas escrita por homens, por Deus movidos e assistidos enquanto escreviam.
A Bíblia não é um livro só, mas um conjunto de 73 livros, redigidos por autores diferentes em épocas, línguas, estilos e locais diversos, num espaço de tempo de cerca de mil e quinhentos anos. Sua unidade se deve ao fato de terem sido todos eles inspirados por Deus, seu autor principal e garantia da sua inerrância.
Mas a Bíblia não é um livro de ciências humanas. Por isso a Igreja Católica reprova a leitura fundamentalista da Bíblia, que teve sua origem na época da Reforma Protestante e que pretende dar a ela uma interpretação literal em todos os seus detalhes, o que não é correto.
Além disso, a Bíblia não é um livro fácil de ser lido e interpretado. São Pedro, falando das Epístolas de São Paulo, nos diz que “nelas há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras” (II Pd 3, 16).
Por isso, o mesmo São Pedro nos adverte: “Sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus” (2Pd 1, 20-21). Assim, o ofício de interpretar autenticamente a Palavra de Deus escrita (a Bíblia Sagrada) ou transmitida oralmente (a Sagrada Tradição) foi confiado unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo, que disse aos Apóstolos e seus sucessores “até a consumação dos séculos”: “Ide e ensinai a todos os povos tudo o que vos ensinei... quem vos ouve a mim ouve”.


Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

CARTA APOSTÓLICA "SUMMA FAMILIAE CURA"




Foi publicada nesta terça-feira (19/09) a Carta Apostólica "Summa Familiae Cura" do Papa Francisco em forma de Motu Proprio, com a qual se institui o Pontificio Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimónio e da Família


Com a “Summa familiae Cura”, o Papa institui o Pontifício Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimnio e da Família que, ligado à Pontifícia Universidade Lateranense, substitui o Pontifício Instituto João Paulo II para os Estudos sobre o Matrimônio e Família.

Portanto, o que era “Estudo” agora se torna “Ciência”, pois, para Francisco, é importante prosseguir a intuição de João Paulo II, ampliando o raio de pesquisa sobre a família, seja no que diz respeito à sua dimensão pastoral e eclesial, seja no campo da cultura antropológica.

O Papa considera que a mudança antropológico-cultural da sociedade requer uma análise analítica e diversificada da questão familiar, que não se limite a práticas pastorais e missionárias que reflectem formas e modelos do passado. “No límpido propósito de permanecer fiéis ao ensinamento de Cristo, devemos portanto olhar, com intelecto de amor e com sábio realismo, para a realidade da família hoje em toda a sua complexidade, nas suas luzes e sombras”, escreve o Pontífice.

O novo Instituto constituirá, no âmbito das instituições pontifícias, um centro académico de referência, ao serviço da missão da Igreja universal, no campo das ciências que dizem respeito ao matrimónio e à família e acerca dos temas relacionados com a fundamental aliança do homem e da mulher para o cuidado da geração e da criação.

O Instituto Teológico tem a faculdade de conferir “iure proprio” aos seus estudantes os seguintes graus académicos: Doutorado, Licenciatura e Bacharelado em Ciências sobre o Matrimónio e a Família.




quinta-feira, setembro 21, 2017

SÃO PIO DE PIETRELCINA


"Se o demônio não dorme para nos perder, Nossa Senhora não nos abandona nem um instante sequer."

Herdeiro espiritual de São Francisco de Assis, o Padre Pio de Pietrelcina foi o primeiro sacerdote a ter impresso sobre o seu corpo os estigmas da crucificação. Ele é conhecido em todo mundo como o “Frei” estigmatizado.
O Padre Pio, a quem Deus deu dons particulares e carismas, se empenhou com todas as suas forças pela salvação das almas. Os muito testemunhos sobre a grande santidade do Frei, chegam até os nossos dias, acompanhados de sentimentos de gratidão. Suas intercessões providencias junto a Deus foram para muitos homens causa de cura do corpo e motivo de renovação do espírito.
Alguns ensinamentos de Padre Pio que irão “sacudir” sua vida:
1. Não se preocupe com o amanhã. Faça o bem hoje.
2. Se Jesus nos faz assim felizes na Terra, como será no Céu?
3. Se o temor o deixa angustiado, exclame como São Pedro: “Senhor, salve-me!” Ele lhe estenderá a mão: aperte-a com força e caminhe alegremente”.
4. Procure fazer sempre melhor: hoje melhor do que ontem, amanhã melhor do que hoje.
5. Se o demônio não dorme para nos perder, Nossa Senhora não nos abandona nem um instante sequer.
6. Quando desperdiça o tempo, você despreza o dom de Deus, o presente que Ele, infinitamente bom, abandona ao seu amor e à sua generosidade.
7. Sejam como pequenas abelhas espirituais, que levam para sua colmeia apenas mel e cera. Que, por meio de sua conversa, sua casa seja repleta de docilidade, paz, concórdia, humildade e piedade.
8. Faça sempre o bem, assim dirão: “Este é um cristão”. Suporte tribulações, enfermidades e dores por amor a Deus e pela conversão dos pobres pecadores.
9. Um convertido exprimiu o receio de tornar a cair. Padre Pio disse-lhe: “Eu estarei com você. Você poderia pensar, meu filho, que eu deixaria recair uma alma que levantei? Vá em paz e tenha confiança!”
10. Quem tem tempo não espera pelo tempo. Não deixemos para amanhã o que podemos fazer hoje. As sepulturas transbordam de boas ações deixadas para depois… E, além disso, quem nos diz que viveremos até amanhã? Escutemos a voz de nossa consciência, a voz do real profeta: “Se ouvirdes a voz do Senhor hoje, não queirais fechar vossos ouvidos”. Devemos renascer e acumular somente as riquezas que nos pertencem, lembrando de que somente o instante que escapa está sob nosso domínio. Não podemos intercalar tempo entre um instante e outro, pois esse não nos pertence.


quarta-feira, setembro 20, 2017

PAPA REZA PELAS VÍTIMAS DE TERRÍVEL TERREMOTO NO MÉXICO



Lisboa, 20 set 2017 (Ecclesia) – O Papa rezou hoje no Vaticano pelas vítimas do «terrível terramoto» que assolou o México esta terça-feira.

“[O sismo] Causou numerosas vítimas e danos materiais. Neste momento de dor, quero manifestar a minha proximidade e oração a toda a querida população”, disse, perante milhares de peregrinos, incluindo vários mexicanos, reunidos na Praça de São Pedro, para a audiência geral

Várias equipas de salvamento e voluntários procuram sobreviventes nos escombros dos edifícios que ruíram na sequência do tremor de terra, que já provocou mais de 240 mortes.

“Elevemos todos juntos a nossa oração a Deus para que acolha no seu seio os que perderam a vida, conforte os feridos, os seus familiares e todos os atingidos”, pediu o Papa Francisco, na sua audiência pública semanal.

O pontifíce rezou por todos os que estão envolvidos nas operações de socorro e dirigiu a sua oração à Virgem de Guadulape, para que “com muita ternura, esteja junto da querida nação mexicana”.

A Conferência Episcopal do México (CEM) também manifestou o seu pesar pelas vítimas do sismo que atingiu o país.

Os bispos católicos reagiram em comunicado após o terramoto magnitude 7,1 que abalou o centro do México, provocando numerosas vítimas e elevados danos materiais, face ao desabamento de vários edifícios.

A CEM elogia a “solidariedade” do povo mexicano, que formou “cadeias de vida” para procurar resgatar pessoas entre os escombros e reagir perante a calamidade.

As autoridades informaram que, na sequência do abalo sísmico, 45 edifícios ruíram, temendo-se que haja pessoas sob os escombros.

“Hoje, mais do que nunca, convidamos o Povo de Deus, a unir-se à solidariedade pelos nossos irmãos que estão a sofrer com as várias calamidades que atingiram o país”, escrevem os bispos católicos do México.

A Igreja Católica adianta estar em “coordenação” com vários grupos e organismos de solidariedade para promover uma resposta à tragédia.

Fonte:http://www.agencia.ecclesia.pt/home/



terça-feira, setembro 19, 2017

SÃO MATEUS



A Igreja celebra no próximo dia 21 de setembro, de forma especial, a vida de São Mateus apóstolo e evangelista, cujo nome antes da conversão era Levi. Morava e trabalhava como coletor de impostos em Cafarnaum, na Palestina. Quando ouviu a Palavra de Jesus: “Segue-me” deixou tudo imediatamente, pondo de lado a vida ligada ao dinheiro e ao poder para um serviço de perfeita pobreza: a proclamação da mensagem cristã! Ele trocou de nome para Mateus, o “dom de Deus”.

Quando falam do episódio do coletor de impostos chamado a seguir Jesus, os outros evangelistas, Marcos e Lucas, falam de Levi. Mateus ao contrário prefere denominar-se com o nome mais conhecido de Mateus e usa o apelido de publicano, que soa como usuário ou avarento, “para demonstrar aos leitores – observa São Jerônimo – que ninguém deve desesperar da salvação, se houver conversão para vida melhor”.

Acredita-se, mesmo, que tal mudança não tenha realmente ocorrido dessa forma, mas sim pelo seu próprio e espontâneo entusiasmo no Messias. Na verdade, o que se imagina é que Levi havia algum tempo cultivava a vontade de seguir as palavras do profeta e que aquela atitude tenha sido definitiva para colocá-lo para sempre no caminho da fé cristã.

Daquele dia em diante, tornou-se um dos maiores seguidores e apóstolos de Cristo, acompanhando-o em todas as suas caminhadas e pregações pela Palestina. São Mateus foi o primeiro apóstolo a escrever um livro contando a vida e a morte de Jesus Cristo, ao qual ele deu o nome de Evangelho e que foi amplamente usado pelos primeiros cristãos da Palestina. Quando o apóstolo são Bartolomeu viajou para as Índias, levou consigo uma cópia.

Depois da morte e ressurreição de Jesus, os apóstolos espalharam-se pelo mundo e Mateus foi para a Arábia e a Pérsia para evangelizar aqueles povos. Porém foi vítima de uma grande perseguição por parte dos sacerdotes locais, que mandaram arrancar-lhe os olhos e o encarceraram para depois ser sacrificado aos deuses. Mas Deus não o abandonou e mandou um anjo que curou seus olhos e o libertou. Mateus seguiu, então, para a Etiópia, onde mais uma vez foi perseguido por feiticeiros que se opunham à evangelização. Porém o príncipe herdeiro morreu e Mateus foi chamado ao palácio. Por uma graça divina fez o filho da rainha Candece ressuscitar, causando grande espanto e admiração entre os presentes. Com esse ato, Mateus conseguiu converter grande parte da população. Na época, a Igreja da Etiópia passou a ser uma das mais ativas e florescentes dos tempos apostólicos.

São Mateus morreu por ordem do rei Hitarco, sobrinho do rei Egito, no altar da igreja em que celebrava o santo ofício da missa. Isso aconteceu porque não intercedeu em favor do pedido de casamento feito pelo monarca, e recusado pela jovem Efigênia, que havia decidido consagrar-se a Jesus. Inconformado com a atitude do santo homem, Hitarco mandou que seus soldados o executassem.

No ano 930, as relíquias mortais do apóstolo são Mateus foram transportadas para Salerno, na Itália, onde, até hoje, é festejado como padroeiro da cidade. A Igreja determinou o dia 21 de setembro para a celebração de são Mateus, apóstolo.

A Igreja também celebra hoje a memória dos santos: Ifigênia e Maura de Troyes.

segunda-feira, setembro 18, 2017

XXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM



Terapia do perdão 


Uma terapia da cura pelo perdão. Depois, você poderá retomar a leitura para meditá-la com mais calma. Eu destaco alguns pontos para mostrar o que meu amigo psicólogo quer dizer com terapia pelo perdão. A primeira frase fala do estrago que o rancor e a raiva produzem dentro da gente, a ponto de até mesmo quem vive no pecado querer se ver livre da raiva e do rancor. Coitada da pessoa que vive com raiva dentro de si. É alguém que vai se corroendo aos poucos e, por causa disso, fica doente não só psicologicamente, mas também corporalmente. Qual a terapia proposta? Duas indicações iniciais. A primeira, entrar no processo do perdão, não tanto por causa do outro, em primeiro lugar, mas por causa da gente mesmo. Quando perdoamos, tiramos quem nos ofendeu de dentro de nós. E isso é libertador. 


A força da oração para perdoar 

Um segundo elemento terapêutico, que aparece na 1ª leitura, é a oração. Quem perdoa a injustiça cometida, diz a 1ª leitura, abre o coração divino para ouvir e atender a oração que se faz a Deus. Ou seja, a última frase da 1ª leitura — para não se levar em conta a falta do outro — só é possível através da oração. É esse o sentido que Jesus dá quando ensina a rezar pelos nossos inimigos, a rezar por quem nos ofende. A oração, talvez, não mude a violência de quem nos ofende, mas muda o nosso coração e o deixa em paz para que a ofensa do agressor não machuque nossa vida. Ou seja, quando rezamos por quem nos ofendeu começa a acontecer um processo de cura dentro de nós, porque a bondade que desejamos a quem nos ofendeu, através da oração, tem o poder de curar o nosso coração. E disso, eu como padre sou testemunha em tantas e tantas situações. 


Como perdoar? 

Como em toda a terapia, também na terapia do perdão existe um “como”. Existe um modo para se perdoar; existe um modelo para aprender a perdoar. O modelo é o Coração de Deus, como exposto por Jesus no Evangelho. Diz a parábola que, diante do choro do devedor, o patrão (Deus) teve compaixão e perdoou-lhe a dívida. Se o modelo é o Coração divino, dele aprende-se a olhar quem nos ofendeu com compaixão. É pela compaixão que aparece outro elemento essencial para se perdoar: a misericórdia. Não no sentido de ter dó ou pena, mas no sentido de olhar a quem nos ofendeu com o mesmo olhar divino, que não condena, mas oferece a oportunidade para continuar a viver. O erro do empregado consistiu em não modelar o seu coração no Coração divino e, por isso, ele foi condenado. Quem não modela o seu coração no Coração de Deus não consegue perdoar e assim, diante de quem deve algo, não tem olhar misericordioso, mas olhar vingativo e, toda vingança é uma prisão. Perdoar, portanto, para se viver livre e libertado. Amém!








sexta-feira, setembro 15, 2017

PAPA FRANCISCO, FESTA DE NOSSA SENHORA DAS DORES



O primeiro compromisso do Papa Francisco na manhã desta sexta-feira (15/09) foi a celebração da missa na capela da Casa Santa Marta. Na sua homilia, o Pontífice convidou os fiéis a contemplarem Nossa Senhora das Dores, aos pés da Cruz, neste dia em que a Igreja recorda a sua memória:

“Contemplar a Mãe de Jesus, contemplar este sinal de contradição, porque Jesus é o vencedor, mas sobre a Cruz, sobre a Cruz. É uma contradição, não se compreende… É preciso fé para entender, pelo menos para se aproximar deste mistério”.

Maria sabia disso e “toda a vida viveu com a alma traspassada”. Seguia Jesus e ouvia os comentários das pessoas, às vezes a favor, às vezes contra, mas sempre esteve atrás de seu Filho. E “por isso dizemos que é a primeira discípula”, destacou Francisco. Maria tinha a inquietação que fazia nascer no seu coração este “sinal de contradição”.

No final, ficava ali, em silêncio, sob a Cruz olhando o Filho. Talvez, ouvia comentários do tipo: “Olha, aquela é a Mãe de um dos três delinquentes”. Mas Ela “mostrou o rosto pelo Filho”:

“Aquilo que digo agora são pequenas palavras para ajudar a contemplar, em silêncio, este mistério. Naquele momento, Ela deu à luz a todos nós: deu à luz a Igreja. 'Mulher’ – Lhe diz o Filho – ‘eis os teus filhos’. Não diz ‘mãe’: diz ‘mulher’. Mulher forte, corajosa; mulher que estava ali para dizer: ‘Este é meu Filho: não O renego’”.

Portanto, o trecho do Evangelho é mais para contemplar do que para reflectir. “Que seja o Espírito Santo - conclui - a dizer a cada um de nós aquilo de que precisamos”.


quinta-feira, setembro 14, 2017

NOSSA SENHORA DAS DORES



A imagem de Nossa Senhora das Dores apresenta-nos uma simbologia clara e bela sobre os sofrimentos pelos quais a Virgem Maria passou. Os sofrimentos da Mãe de Jesus a tornam uma grande intercessora diante de Deus em nosso favor. Foi num momento de sofrimento, durante a crucificação de Jesus, que o Mestre nos entregou sua mãe como 'Nossa Mãe'. Portanto, as Dores de Nossa Senhora são importantes e a tornam também 'Co-redentora' da humanidade. Vamos conhecer a simbologia.
O manto azul de Nossa Senhora das Dores

O manto azul de Nossa Senhora das Dores simboliza o céu. Este manto nos fala que esta Senhora está no céu, diante de Deus e que, de lá, ela pede ao Pai em nosso favor.
A Túnica avermelhada de Nossa Senhora das Dores

A Túnica avermelhada de Nossa Senhora das Dores simboliza sua maternidade. As mulheres judias usavam uma túnica com esta cor para simbolizar que eram mães. Como vimos, Maria nos foi dada como Mãe pelo próprio Jesus, conforme lemos no Evangelho de São João 19, 26-27: 'Mãe, eis aí o teu filho. Filho, eis aí tua mãe.'
O dourado e o branco em Nossa Senhora das Dores


Algumas representações de Nossa Senhora das Dores a apresentam com um véu branco branco sob o véu azul. Este branco simboliza sua virgindade e pureza. Em outras representações, a Virgem Maria tem dourado sob o véu, que simboliza sua realeza. Portanto, ela é Rainha, Mãe e Virgem.
A coroa e os cravos nas mãos de Nossa senhora das Dores

A coroa e os cravos nas mãos de Nossa senhora das Dores simbolizam a paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, o sofrimento máximo que Maria acompanhou, viveu e sofreu. São João nos relata que Maria 'estava de pé junto à cruz.' (Jo 19, 25)
As sete espadas no coração de Nossa Senhora das Dores

As sete espadas no coração de Nossa Senhora das Dores simbolizam as sete dores pelas quais a Virgem Maria passou em sua vida:
Primeira dor: A profecia de Simeão (Lucas 2, 28-35)

Maria e José vão ao Templo para apresentarem o menino Jesus ao Senhor Deus. Lá, o profeta Simeão vai ao encontro deles e diz a Maria: 'Uma espada de dor transpassará teu coração.' Num momento feliz, quando se apresenta um bebê ao Senhor, Maria recebe a notícia de uma 'espada de dor'. Certamente, junto com a alegria do bebê Jesus, estas palavras penetraram seu coração e a fizeram sofrer.
Segunda dor: A fuga para o Egito (Mt 2, 13-18)

E as dores de Maria não demoraram para começar. Pouco tempo depois de ter ouvido a profecia de Simeão, a Sagrada família teve que fugir para o Egito porque Herodes procurava o Menino Jesus para mata-lo. A Sagrada Família permaneceu 4 anos no Egito, vivendo num país diferente, com uma língua diferente, costumes diferentes, longe dos parentes e da terra natal.
Terceira dor: A perda do Menino Jesus aos 12 anos (Lc 2, 41-52)

Depois que voltaram do Egito, Jesus, Maria e José de Nazaré, como judeus piedosos, peregrinavam a Jerusalém todos os anos para celebrarem a Páscoa. Quando jesus completou 12 anos, fizeram esta peregrinação. A caravana de Nazaré voltou para casa. Porém, Jesus ficou no Templo discutindo com os Doutores da Lei, enquanto seus pais pensavam que ele estivesse com os meninos na caravana. Quando notaram sua falta, voltaram a Jerusalém aflitos e só o encontraram depois de três dias, quando Jesus lhes disse que 'Deveria cuidar das coisas de seu Pai.' A perda do Menino Jesus, sem dúvida, foi uma grande dor para o coração de Maria, e também uma grande lição que ela guardou em seu coração.
Quarta dor: o encontro com Jesus a caminho do calvário

Imagine a dor de Nossa Senhora ao ver seu filho carregando uma cruz, condenado como um bandido, rumo à morte. E, no caminho, o povo insultava e ofendia seu Filho, como se ele fosse realmente um mal feitor. Qual mãe não sofre ao presenciar isso'
Quinta dor: Maria vê seu Filho crucificado

A crucificação, com toda a crueldade e dor que envolvia, foi outra espada que transpassou o coração de Maria. Cada cravo que perfurava o corpo de seu Filho, perfurava também o seu coração. Cada chaga que abriam em seu Filho, abriam também em seu coração.
Sexta dor: um soldado perfura o coração de Jesus

Maria, de pé, presenciou a morte de seu filho. E, para certificar-se de que ele estava realmente morto, um soldado perfurou seu coração com uma lança, de onde jorrou sangue e água. Sétima dor: o sepultamento de JesusApós presenciar a morte de seu Filho, Maria presenciou também seu sepultamento, num túmulo emprestado por José de Arimatéia. Aqui encerram as sete dores de Nossa Senhora, com a aparente vitória da morte. Porém, Jesus ressuscitou e a vida venceu a morte. Mas as dores de Maria certamente fazem dela a Co-redentora da humanidade, junto com Jesus.
Oração a Nossa Senhora das Dores

'Ó Mãe de Jesus e nossa mãe, Senhora das Dores, nós vos contemplamos pela fé, aos pés da cruz, tendo nos braços o corpo sem vida do vosso Filho. Uma espada de dor transpassou vossa alma como predissera o velho Simeão. Vós sois a Mãe das dores. E continuais a sofrer as dores do nosso povo, porque sois Mãe companheira, peregrina e solidária. Recolhei em vossas mãos os anseios e as angústias do povo sofrido, sem paz, sem pão, sem teto, sem direito a viver dignamente. E com vossas graças, fortalecei aqueles que lutam por transformações em nossa sociedade. Permanecei conosco e dai-nos o vosso auxílio, para que possamos converter as lutas em vitórias e as dores em alegrias. Rogai por nós, ó Mãe, porque não sois apenas a Mãe das dores, mas também a Senhora de todas as graças. Amém!'


quarta-feira, setembro 13, 2017

FESTA DA EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ




VATICANO, 14 Set. 14 / 11:06 pm (ACI/EWTN Noticias).- Nas palavras pronunciadas antes da oração do Ângelus Dominical, o Papa Francisco recordou que hoje, 14 de setembro, a Igreja celebra a festa da Exaltação da Santa Cruz, e assegurou que “a Cruz de Jesus é a nossa única e verdadeira esperança”.

O Santo Padre assinalou que “algumas pessoas não-cristãs podem se perguntar: por que ‘exaltar’ a cruz? Podemos responder que nós não exaltamos uma cruz qualquer ou todas as cruzes: exaltamos a Cruz de Jesus Cristo, porque é nela que foi revelado o máximo amor de Deus pela humanidade”.

“É isto o que nos recorda o Evangelho de João na liturgia do dia: ‘Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único’. O Pai ‘deu’ o Filho para nos salvar, e isso resultou na morte de Jesus e na morte na cruz. Por que? Por que foi necessária a Cruz?”.

Francisco respondeu que foi “por causa da gravidade do mal que nos mantinha escravos. A Cruz de Jesus exprime duas coisas: toda a força negativa do mal e toda a suave onipotência da misericórdia de Deus”.



“A Cruz parece decretar o fracasso de Jesus, mas, na realidade, marca a sua vitória. No Calvário, aqueles que o injuriavam, diziam: ‘Se és Filho de Deus, desce da cruz’. Mas a verdade era o oposto: justamente porque era o Filho de Deus, Jesus estava ali, na cruz, fiel até o final ao desígnio do amor do Pai”.

“E exatamente por isso Deus ‘exaltou’ Jesus, dando-lhe uma realeza universal”.

O Santo Padre assinalou que “quando olhamos para a Cruz onde Jesus foi pregado, contemplamos o sinal do amor infinito de Deus para cada um de nós e a raiz da nossa salvação. ‘Daquela Cruz vem a misericórdia do Pai que abraça o mundo inteiro’”.

“Através da Cruz de Cristo, se venceu o mal, a morte foi derrotada, a vida nos foi doada e a esperança restituída. A Cruz de Jesus é nossa única e verdadeira esperança”.

“A Cruz de Jesus é nossa única e verdadeira esperança! É por isso que a Igreja ‘exalta’ a Santa Cruz, e é por isso que, nós, cristãos, nos abençoamos com o sinal da cruz”.

O Papa destacou que “nós não exaltamos as cruzes, mas ‘a’ Cruz gloriosa de Jesus, sinal do amor imenso de Deus. Sinal da nossa salvação, e caminho para a Ressurreição. E esta é a nossa esperança”.

O Santo Padre pediu também que “enquanto contemplamos e celebramos a Santa Cruz, pensamos comovidos por tantos nossos irmãos e irmãs que são perseguidos e mortos por causa da sua fidelidade a Cristo. Isso acontece, em particular, lá onde a liberdade religiosa ainda não é garantida ou plenamente realizada”.

“Acontece, porém, mesmo nos países e ambientes em que, em princípio, protegem a liberdade e os direitos humanos, mas onde concretamente os fiéis e, especialmente, os cristãos, encontram limitações e discriminações”.

Por isso, continuou o Papa, “hoje recordamos e rezamos em modo todo especial por eles.”.

“No Calvário, aos pés da cruz, estava a Virgem Maria. É a Virgem Dolorosa, que amanhã celebraremos na liturgia. A Ela, confio o presente e o futuro da Igreja, para que todos sempre saibamos descobrir e acolher a mensagem de amor e de salvação da Cruz de Jesus”.

“Encomendo-lhe de modo particular os casais de esposos que tive a alegria de unir em matrimônio nesta manhã na Basílica de São Pedro”, concluiu.

Homilia Papa Francisco em 14 de setembro de 2014