sexta-feira, abril 10, 2026

PÁSCOA DE JESUS












Permito-me partilhar com você minha reflexão sobre a Páscoa de Jesus Cristo que iniciei ontem, na Vigília Pascal, mais precisamente dando continuidade à conclusão da homilia, quando eu dizia que quem compreende o dom da ressurreição de Jesus na sua vida não caminha na estrada do pecado, mas na estrada de Jesus. Existem duas estradas: a aquela do pecado e aquela de Jesus. A estrada do pecado impede-nos de participar da vida divina, da vida eterna, oferecida por Deus na ressurreição de Jesus. Deus, na ressurreição de Jesus, oferece a cada um de nós a vida eterna, a vida que nunca termina com uma única condição: caminhar na estrada de Jesus, pautar a vida, iluminar a vida com a luz do Evangelho. Da ressurreição de Jesus brota a vida nova para toda a humanidade. Quem comunga a ressurreição de Jesus, como nós estamos fazendo neste momento, se compromete a viver iluminado com a luz da vida divina.

A primeira atitude, portanto, diante da ressurreição de Jesus, consiste em adotar um estilo de vida de quem caminha na “estrada de Jesus”, de quem ilumina a sua vida no Evangelho. Quem caminha no discipulado de Jesus começa a participar da vida nova que vem da sua ressurreição. Uma segunda atitude, ouvimos no salmo responsorial com a expressão “pedra angular”. É a pedra mais importante do fundamento de uma construção. É a pedra que sustenta toda a construção, por isso é uma pedra, um fundamento sólido e firme. Essa “pedra angular” é Jesus Cristo com seu Evangelho. Para se participar da vida nova que vem da ressurreição de Jesus é necessário construir a minha existência em Jesus Cristo e no seu Evangelho. Jesus ressuscitado é o fundamento de todas as coisas e, especialmente, é o fundamento da minha vida. Se construímos nossas vidas em outros fundamentos não existe condição para se participar da vida nova oferecida por Jesus em sua ressurreição.

A Palavra que ouvimos, na 2ª leitura mais especificamente, propõe ainda um terceiro elemento para participarmos da vida nova que nasce da ressurreição de Jesus: o direcionamento da vida. A pergunta que São Paulo, na 2ª leitura, coloca é: para onde você está direcionando a sua vida? É o próprio Paulo que orienta a direção existencial de quem deseja participar da vida nova brotada da ressurreição de Jesus: “esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo”. Duas atenções: o esforço e onde Cristo se encontra. Participar da vida nova da ressurreição exige atitude de nossa parte marcada pelo esforço. Exige igualmente conhecer o endereço onde se encontra Jesus, no alto e, por isso, não viver direcionando a vida para coisas rasteiras, para valores que são passageiros e, pior ainda, para valores que podem nos afastar da “estrada de Jesus”. Na celebração desta Páscoa, procure compreender que o dom da vida nova que vem da ressurreição de Jesus é graça para que possamos ter em nós a vida divina que, sendo divina, é vida eterna. Mas, ao mesmo tempo, é esforço, é empenho e decisão de viver na fidelidade de caminhar com o ressuscitado, (a exemplo de Emaús). Feliz e santa Páscoa a você e a toda sua família. Aleluia!










segunda-feira, abril 06, 2026

VIGÍLIA DA PÁSCOA







“O Senhor ressuscitou; verdadeiramente ressuscitou!” Esta é a grande e mais alegre notícia que a Igreja comunica ao mundo. Sempre a comunicou e sempre continua e continuará comunicando em todos os tempos históricos da humanidade. Este é o grande Evangelho da Igreja: anunciar que Jesus ressuscitou. Por isso, com alegria e juntamente com a Igreja presente no mundo inteiro, hoje cantamos: “aleluia”, o Senhor verdadeiramente ressuscitou. Deus demonstra, pela ressurreição de Jesus, que sua fidelidade existe antes de tudo existir e continuará existindo por todo sempre. É assim que cantávamos no salmo responsorial da 1ª leitura (Sl 32): “reta é a Palavra do Senhor e tudo que ele diz merece fé”. Tudo que Deus promete merece fé, porque Deus é fiel. Prometeu que seu Filho não seria esquecido na morte e, por isso a ressurreição é a maior de todas as provas da fidelidade divina. Eis um motivo forte o bastante para colocarmos toda nossa confiança na promessa divina porque Deus é fiel e sua fidelidade é para todo sempre.

Por que a ressurreição de Jesus é tão importante? Porque pela ressurreição Deus destrói o poder da morte. Graças a ressurreição de Jesus nunca mais morreremos. Este corpo no qual vivemos sofrerá a velhice e, certamente, desaparecerá, mas essa morte corporal não é forte suficiente para matar a vida que recebemos de Deus; graças a ressurreição de Jesus, a morte perdeu o seu poder. Por causa da ressurreição de Jesus, nós viveremos para sempre, somos destinados a participar da vida divina, que é vida eterna. A fidelidade de Jesus até a morte proporcionou esse grande presente de eternidade para cada um de nós e para toda a humanidade: a morte não pode nos matar porque Jesus a destruiu. O símbolo da destruição da morte, ouvimos no Evangelho, encontra-se na sepultura vazia e na mensagem do anjo às mulheres com uma única orientação: “alegrai-vos!” Alegrar-se porque o Senhor ressuscitou e por isso eu não morrerei, mas viverei eternamente com Deus.

Minha mensagem pascal quer ser bem clara nesta Solene e alegre Vigília: a fidelidade do Pai, revelada e demonstrada na ressurreição de Jesus, trouxe para a vida de cada um de nós a graça da eternidade. Isso, em modo de reconhecimento, exige de nós uma vida marcada pela fidelidade, como refletimos nos dias do Tríduo, uma vida marcada pela gratidão que se traduza praticamente em ser fiel ao projeto divino. Diante do Mistério da ressurreição de Jesus, especialmente naquilo que causa em nossas vidas — essa impossibilidade de sermos atingidos pela morte — a vida cristã se caracteriza em viver na fidelidade ao Evangelho e dando graças a Deus pelo dom da eternidade. São Paulo, na epístola, incentiva e orienta-nos como viver na fidelidade e em ação de graças com três atitudes: viver de modo novo, viver como Jesus viveu e morrer para o pecado, como condição de viver em Deus porque temos em nós a semente da vida eterna. Quem compreende o dom da ressurreição de Jesus na sua vida caminha na estrada de Jesus, que é caminho de vida plena. Feliz Páscoa, quer dizer, feliz vida nova; vida que vem da ressurreição de Jesus e, por isso dom da vida eterna na sua vida pessoal, na vida da sua família, na vida da nossa comunidade. Aleluia!





















































sábado, abril 04, 2026

SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO











O modo como Jesus viveu sua “hora” (refletimos ontem) foi oferecendo sua vida para que projeto do Pai se realizasse na terra. Que projeto é esse? Que cada ser humano tenha vida plena, vida abundante; vida divinizada. Jesus realiza o projeto do Pai na mais profunda FIDELIDADE. Aconteça o que acontecer, o projeto do Pai é a prioridade da vida de Jesus e, para que esse projeto seja realizado, ele enfrenta tudo, inclusive atravessar e caminhar na estrada do sofrimento mais profundo, envolto em dor corporal, dor psicológica e a dor espiritual. O grito de abandono, que ouvimos no Evangelho, manifesta a dor espiritual de Jesus. Mesmo assim, ele se mantém fiel. A Cruz é o local onde a FIDELIDADE de Jesus se realiza plenamente. Todo o sofrimento de Jesus, mas especialmente o momento supremo desse sofrimento, revela a coerente FIDELIDADE de Jesus ao projeto do Pai: Jesus sendo fiel viveu oferecendo sua vida ao projeto do Pai. E assim viveu até o momento da Cruz, momento último e momento ápice da sua oblação existencial.

A fidelidade de Jesus, portanto, se manifesta pelo oferecimento da sua vida atravessando o mais profundo sofrimento humano. A 1ª leitura apresenta o sofrimento de Jesus na profecia do Servo Sofredor. Só quem já passou pelo sofrimento psicológico de ser desprezado, como ouvimos na profecia, ser coberto de dores, ser invisível porque causa nojo olhar tantas feridas, sinais do sofrimento, em seu corpo entende um pouco como Jesus sofreu. Mesmo assim, ele se mantém na FIDELIDADE: não reclama, suporta a angustia e a condenação injusta. É a profecia da Paixão de Jesus presente na 1ª leitura. — Como Jesus é capaz de sofrer e passar por tudo isso? Qual é a sua força espiritual e psicológica para suportar tudo isso? A resposta é: FIDELIDADE. Jesus se mantém fiel ao projeto do Pai. Se para ser fiel é preciso atravessar o caminho do sofrimento, atravessa o caminho do sofrimento. Mesmo que se torne o opróbio do inimigo, a causa da zombaria, o motivo do abandono completo, como cantávamos no salmo, nada disso é forte o suficiente para abandonar a FIDELIDADE ao projeto do Pai. Se mantém fiel até o fim; até a morte e morte de Cruz.

A compreensão desse quadro de fidelidade (que não deixa de ser terrível e horroroso) foi proposta na 2ª leitura: diz que Jesus aprendeu o significado da obediência através do sofrimento. O modo de Jesus viver a obediência, de viver sua “hora” na mais profunda FIDELIDADE ao projeto do Pai é pelo acolhimento obediente do projeto divino. Isaias dizia que levado ao matadouro, ele não abria a boca. Não reage agressivamente, mas se abandona, se entrega totalmente nas mãos do Pai, que é consumado no seu grito final: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”, entrego a minha vida. Tudo isso pode passar a impressão de que a fidelidade produz passividade. Não é isso. A fidelidade é uma força, uma virtude, que existe dentro de nós e que nos garante viver a fé de modo tão coerente a ponto de passar pelo sofrimento mais terrível e se manter fiel. Jesus é muito claro no seu exemplo de fidelidade. Nada, nem o a forma de sofrimento mais profundo foi capaz de desviá-lo do projeto do Pai, de fazer a vontade do Pai. Como nós, eu e você, enfrentamos os desafios de nossas vidas? Com a força da FIDELIDADE ou com a fraqueza das reclamações diante dos desafios que a vida sempre nos oferece? Amém!