segunda-feira, abril 27, 2026

IV DOMINGO DA PÁSCOA









Hoje, Jesus nos apresenta uma imagem simples, mas profundamente rica: Ele fala do pastor, das ovelhas, do redil, da porta. À primeira vista, parece uma cena do campo, tranquila, quase comum. No entanto, por trás dessa imagem, existe um chamado forte, direto, que toca o coração da nossa vida espiritual.

Logo no início, o Senhor faz uma distinção clara. Ele fala daquele que entra pela porta e daquele que pula o muro. Aqui já existe um critério. Quem vem pela porta age na verdade, não se esconde, não engana. Por outro lado, quem entra de outro jeito traz confusão, divisão, mentira. Isso nos leva a uma pergunta séria: quem tem guiado a nossa vida? Nem toda voz que fala bonito vem de Deus. Nem todo caminho fácil leva à vida.

Em seguida, Jesus diz algo muito forte: “As ovelhas escutam a sua voz.” Isso muda tudo. A relação entre o pastor e as ovelhas não se baseia na força, mas na intimidade. Ele chama cada uma pelo nome. Ele não conduz no grito, mas na proximidade. Aqui está um ponto central: Deus não nos trata como massa, mas como pessoas únicas. Ele conhece a sua história, suas dores, suas quedas, seus recomeços.

Porém, surge um detalhe importante. As ovelhas seguem o pastor porque reconhecem a voz. Isso significa que existe convivência. Quem não convive, não reconhece. Quem não escuta Deus no dia a dia, acaba confundindo Sua voz com tantas outras. E hoje, sejamos sinceros, quantas vozes disputam nossa atenção? Redes sociais, opiniões, medos, desejos… tudo fala alto. Nesse barulho, a voz de Deus não grita, ela chama. E só escuta quem silencia por dentro.

Além disso, Jesus dá um passo ainda mais profundo e afirma: “Eu sou a porta.” Não apenas o pastor, mas a própria entrada. Ou seja, não existe acesso à vida plena fora d’Ele. Ele não aponta um caminho, Ele é o caminho. Quem entra por Cristo encontra segurança, encontra alimento, encontra sentido. Quem tenta outros atalhos pode até achar algo, mas não encontra vida verdadeira.

Nesse ponto, o Evangelho nos confronta diretamente. Muitas vezes queremos Jesus como opção, mas não como porta. Queremos ouvir quando convém, seguir quando é fácil, mas manter outras “entradas” abertas. Só que Cristo é claro: ou entramos por Ele, ou nos perdemos em caminhos que não levam à vida.

Por fim, Ele revela o coração da sua missão: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância.” Veja que beleza. Deus não quer uma vida pela metade, uma fé morna, uma existência vazia. Ele quer plenitude. Quer vida que transborda, que tem sentido, que mesmo em meio à dor não perde a esperança.

E aqui está o contraste final: enquanto o ladrão vem para roubar, matar e destruir, Jesus vem para dar vida. O inimigo tira. Cristo entrega. O mundo promete muito e esvazia depois. Jesus, às vezes, pede tudo… mas preenche completamente.

Diante disso, fica uma pergunta que não dá pra fugir: qual voz você tem seguido? A voz do Pastor, que conduz com amor, ou vozes estranhas, que confundem e afastam?

Hoje, Jesus continua chamando. Não no barulho, mas no íntimo. Ele chama pelo nome. Ele espera resposta. E quem decide segui-Lo descobre, pouco a pouco, que não caminha perdido… caminha guiado.












sexta-feira, abril 24, 2026

SÃO JORGE








A Igreja celebra hoje (23) São Jorge, mártir. Ele viveu nos primeiros séculos do cristianismo e foi um soldado romano. Por se negar a cultuar os ídolos e falsos deuses, como lhe mandou o imperador, e se manter firme em sua fé cristã, foi martirizado.

Sua devoção se espalhou pelo mundo. São Jorge é o padroeiro da Inglaterra, dos escoteiros, protetor dos soldados, agricultores, arqueiros, ferreiros, prisioneiros. No Brasil, é conhecido por ser padroeiro do estado do Rio de Janeiro e do time de futebol Corinthians.

Segundo a Legenda Áurea, do beato Jacopo da Varazze, são Jorge nasceu em Capadócia, atual Turquia, então parte do Império Romano.

Diz o livro que eram imperadores na época Diocleciano e Maximiano e que, sob o governador Daciano houve uma grande perseguição aos cristãos. Diante disso, Jorge “ficou profundamente tocado”, distribuiu seus bens aos pobres e “trocou as vestes militares pelas dos cristãos”. Vivendo entre eles, dizia: “Todos os deuses dos gentios são demônio, foi o Senhor quem fez os Céus”.

O governador “ficou irado” e, como não conseguia demovê-lo, submeteu-o a várias torturas, das quais saia ileso. Por fim, teve a cabeça cortada.

Leganda Áurea cita santo Ambrósio, segundo quem, “Jorge, fidelíssimo guerreira de Cristo, professou com intrepidez o cristianismo enquanto muitos renegavam o Filho de Deus. Recebeu da graça divino tão grande constância, que desprezou as ordens do poder tirânico e não temeu as dores de incontáveis suplícios. Ó feliz e ínclito paladino do Senhor, que não foi seduzido pelas promessas de um reino temporal, e enganando o perseguidor precipitou no abismo as falsas divindades”.

 

São Jorge e o dragão

A Legenda Áurea conta que, certa vez, Jorge foi para Silena, cidade da província da Líbia. Próximo à cidade havia um grande lago, onde vivia “um pestífero e enorme dragão, que muitas vezes afugentou o povo armado que tentara atacá-lo”. Para acalmá-lo e evitar que ele se aproximasse da cidade, os moradores lhe davam diariamente dois carneiros. Quando os carneiros começaram a ficar escassos, foram substituídos por vítimas humanas escolhidas por sorteio.

Chegou então a vez da filha do rei ser dada ao dragão. Quando ela se aproximava do bicho, Jorge passou pela região e atacou o dragão para salvá-la. Ele recomendou que a filha do rei coloca-se seu cinto no pescoço do dragão. Assim ela fez e o dragão a seguiu manso.

Quando chegaram à cidade, o povo ficou assustado. Mas, Jorge disse: “Nada temam, o Senhor me enviou para que eu os libertasse das desgraças causadas por esse dragão. Creiam em Cristo e recebam o batismo, que eu matarei o dragão”.

Segundo a Legenda Áurea, nesse dia, 20 mil homens foram batizados, sem contar mulheres e crianças.

“Em homenagem à bem-aventurada Maria e ao beato Jorge, o rei mandou construir uma enorme igreja, sob cujo altar surgiu uma fonte de água curativa para todos os enfermos. O rei ofereceu ao bem-aventurado Jorge imensa quantidade de dinheiro, mas ele não aceitou e mandou doá-lo aos pobres. Jorge deu então ao rei quatro breves conselhos: cuidar das igrejas de Deus, honrar os padres, ouvir com atenção o ofício divino e nunca esquecer os pobres”, conta a Legenda Áurea.

Em sua imagem, o santo é representado muitas vezes com sua armadura romana, montado no cavalo e, com uma lança, atingindo um dragão.

  

Fonte ACI Digital 









quarta-feira, abril 22, 2026

III DOMINGO DA PÁSCOA









Queridos irmãos e irmãs, precisamos entrar nessa cena com calma, porque o Evangelho de hoje não acontece só na estrada de Emaús, ele acontece dentro de cada um de nós, especialmente nos dias em que a fé parece esfriar e a esperança vai embora devagarzinho, quase sem fazer barulho. Dois discípulos caminham tristes, conversam sobre a morte de Jesus, tentam entender o que deu errado, e no meio desse cansaço todo, Cristo se aproxima, mas eles não o reconhecem.

Enquanto isso, a caminhada deles revela algo muito humano, porque eles falam de Deus, lembram de Jesus, discutem os acontecimentos, mas continuam cegos para a presença viva do Ressuscitado que já caminha ao lado deles, e aqui está um ponto decisivo: nem sempre a ausência de Deus é real, muitas vezes é apenas incapacidade nossa de perceber.

Então, Jesus toma a iniciativa, entra na conversa e começa a explicar as Escrituras, reorganiza a história, recoloca sentido onde só havia confusão, e pouco a pouco o coração deles começa a mudar, não porque viram um milagre, mas porque ouviram a Palavra sendo explicada com autoridade e verdade. A transformação começa por dentro, silenciosa, como brasa que reacende.

Além disso, o Evangelho nos mostra que a fé não nasce do que vemos, mas do que escutamos com o coração aberto, porque aqueles homens só vão reconhecer Jesus mais tarde, mas já sentem algo diferente antes, já experimentam um fogo interior, já percebem que aquela presença mexe com a alma. Por isso eles dizem: “Não ardia o nosso coração quando Ele nos falava pelo caminho?”

Nesse momento, algo decisivo acontece, pois eles chegam ao destino e Jesus faz menção de seguir adiante, e aqui aparece um detalhe importante: Cristo nunca se impõe, Ele espera convite. Quando eles dizem “Fica conosco”, a história muda completamente, porque quem convida Deus para entrar na própria vida começa a enxergar o que antes não via.

Logo depois, à mesa, no gesto simples de partir o pão, os olhos se abrem. Não foi na estrada, não foi na explicação, mas no partir do pão. Isso não é acaso, isso é sinal. Jesus se revela plenamente na fração do pão, ou seja, na Eucaristia. Quem escuta a Palavra prepara o coração, mas quem participa do pão partido encontra o Senhor vivo.

Por outro lado, assim que reconhecem Jesus, Ele desaparece. Isso pode parecer estranho, mas revela algo profundo: agora eles já não precisam vê-lo com os olhos do corpo, porque aprenderam a reconhecê-lo com os olhos da fé. A presença visível dá lugar à presença interior.

A partir daí, tudo muda. Aqueles homens que caminhavam tristes agora correm de volta, deixam o cansaço para trás, atravessam a noite e voltam para Jerusalém, porque quem encontra Cristo não consegue ficar parado. A fé verdadeira sempre gera movimento, sempre empurra para a missão, sempre transforma tristeza em anúncio.

Diante disso, vale a pena perguntar com sinceridade: em qual momento desse caminho nós nos encontramos? Talvez estejamos desanimados como no início, talvez estejamos ouvindo sem compreender, talvez sintamos o coração arder sem entender o porquê, ou talvez já tenhamos experimentado esse encontro que muda tudo.

Por fim, o Evangelho nos convida a uma decisão concreta, porque Jesus continua caminhando ao nosso lado, continua explicando a vida à luz da Palavra, continua se oferecendo no pão, mas precisa ser acolhido. Se o convidarmos de verdade, Ele entra, transforma, ilumina e nos envia de volta ao mundo com um coração novo.


segunda-feira, abril 13, 2026

II DOMINGO DA PÁSCOA











Logo no início deste Evangelho, encontramos os discípulos trancados. Eles fecharam as portas, mas não apenas por segurança. O medo fechou o coração deles. A dor da cruz ainda estava fresca, a esperança parecia quebrada, e o futuro parecia um vazio silencioso. No entanto, é justamente nesse cenário que Jesus entra. Sem pedir licença. Sem arrombar. Ele simplesmente aparece no meio deles e diz: “A paz esteja convosco.”

Em seguida, percebemos algo essencial para a nossa vida espiritual. Jesus não começa com cobrança, nem com correção. Ele oferece paz. Não qualquer paz, mas a paz que nasce da vitória sobre a morte. Aquela paz que não depende das circunstâncias. Aquela que acalma a alma quando tudo ao redor ainda parece bagunçado. E então, mostrando as mãos e o lado, Ele revela que não esconde as feridas. Ao contrário, Ele transforma as feridas em sinal de amor.

Depois disso, o Senhor faz algo ainda mais profundo. Ele envia. Ele diz: “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio.” Ou seja, não basta experimentar a paz, é preciso levá-la. Não basta encontrar Cristo, é necessário testemunhá-Lo. E junto com esse envio, Ele sopra o Espírito Santo. Esse sopro não é detalhe. Esse sopro recria. Assim como no início da criação, Deus soprou vida, agora Cristo sopra vida nova nos discípulos.

Entretanto, o Evangelho nos apresenta Tomé. E aqui a história ganha um rosto muito humano. Tomé não estava presente. Tomé não viu. E por isso, Tomé duvida. Mas, sejamos sinceros, quantas vezes nós também somos Tomé? Quantas vezes precisamos ver para crer? Quantas vezes colocamos condições para acreditar em Deus? Ele diz que só acreditará se tocar, quer prova. Ele quer controle, segurança.

Porém, oito dias depois, Jesus volta. Ele não rejeita Tomé e não o humilha. Ele vai ao encontro da dúvida de Tomé. E novamente diz: “A paz esteja convosco.” Logo depois, convida: “Coloca o teu dedo aqui.” Cristo entra na ferida da incredulidade com paciência. Ele não destrói o coração ferido. Ele reconstrói. E naquele instante, Tomé deixa de exigir provas e faz a mais bela profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus!”

Assim sendo, compreendemos algo fundamental. A fé não nasce da prova, nasce do encontro. Tomé não acredita porque tocou. Ele acredita porque foi tocado por dentro, e se deixa alcançar. Ele se rende. E Jesus então diz algo que atravessa os séculos e chega até nós: “Felizes os que creram sem terem visto.”

Portanto, este Evangelho nos provoca profundamente. Onde estão as portas fechadas da nossa vida? O que o medo ainda tranca dentro de nós? Quais são as dúvidas que insistem em nos afastar? Cristo continua entrando. Ele continua dizendo: “A paz esteja contigo.” Ele continua mostrando as feridas, não para causar dor, mas para provar amor.

 































sexta-feira, abril 10, 2026

PÁSCOA DE JESUS












Permito-me partilhar com você minha reflexão sobre a Páscoa de Jesus Cristo que iniciei ontem, na Vigília Pascal, mais precisamente dando continuidade à conclusão da homilia, quando eu dizia que quem compreende o dom da ressurreição de Jesus na sua vida não caminha na estrada do pecado, mas na estrada de Jesus. Existem duas estradas: a aquela do pecado e aquela de Jesus. A estrada do pecado impede-nos de participar da vida divina, da vida eterna, oferecida por Deus na ressurreição de Jesus. Deus, na ressurreição de Jesus, oferece a cada um de nós a vida eterna, a vida que nunca termina com uma única condição: caminhar na estrada de Jesus, pautar a vida, iluminar a vida com a luz do Evangelho. Da ressurreição de Jesus brota a vida nova para toda a humanidade. Quem comunga a ressurreição de Jesus, como nós estamos fazendo neste momento, se compromete a viver iluminado com a luz da vida divina.

A primeira atitude, portanto, diante da ressurreição de Jesus, consiste em adotar um estilo de vida de quem caminha na “estrada de Jesus”, de quem ilumina a sua vida no Evangelho. Quem caminha no discipulado de Jesus começa a participar da vida nova que vem da sua ressurreição. Uma segunda atitude, ouvimos no salmo responsorial com a expressão “pedra angular”. É a pedra mais importante do fundamento de uma construção. É a pedra que sustenta toda a construção, por isso é uma pedra, um fundamento sólido e firme. Essa “pedra angular” é Jesus Cristo com seu Evangelho. Para se participar da vida nova que vem da ressurreição de Jesus é necessário construir a minha existência em Jesus Cristo e no seu Evangelho. Jesus ressuscitado é o fundamento de todas as coisas e, especialmente, é o fundamento da minha vida. Se construímos nossas vidas em outros fundamentos não existe condição para se participar da vida nova oferecida por Jesus em sua ressurreição.

A Palavra que ouvimos, na 2ª leitura mais especificamente, propõe ainda um terceiro elemento para participarmos da vida nova que nasce da ressurreição de Jesus: o direcionamento da vida. A pergunta que São Paulo, na 2ª leitura, coloca é: para onde você está direcionando a sua vida? É o próprio Paulo que orienta a direção existencial de quem deseja participar da vida nova brotada da ressurreição de Jesus: “esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo”. Duas atenções: o esforço e onde Cristo se encontra. Participar da vida nova da ressurreição exige atitude de nossa parte marcada pelo esforço. Exige igualmente conhecer o endereço onde se encontra Jesus, no alto e, por isso, não viver direcionando a vida para coisas rasteiras, para valores que são passageiros e, pior ainda, para valores que podem nos afastar da “estrada de Jesus”. Na celebração desta Páscoa, procure compreender que o dom da vida nova que vem da ressurreição de Jesus é graça para que possamos ter em nós a vida divina que, sendo divina, é vida eterna. Mas, ao mesmo tempo, é esforço, é empenho e decisão de viver na fidelidade de caminhar com o ressuscitado, (a exemplo de Emaús). Feliz e santa Páscoa a você e a toda sua família. Aleluia!










segunda-feira, abril 06, 2026

VIGÍLIA DA PÁSCOA







“O Senhor ressuscitou; verdadeiramente ressuscitou!” Esta é a grande e mais alegre notícia que a Igreja comunica ao mundo. Sempre a comunicou e sempre continua e continuará comunicando em todos os tempos históricos da humanidade. Este é o grande Evangelho da Igreja: anunciar que Jesus ressuscitou. Por isso, com alegria e juntamente com a Igreja presente no mundo inteiro, hoje cantamos: “aleluia”, o Senhor verdadeiramente ressuscitou. Deus demonstra, pela ressurreição de Jesus, que sua fidelidade existe antes de tudo existir e continuará existindo por todo sempre. É assim que cantávamos no salmo responsorial da 1ª leitura (Sl 32): “reta é a Palavra do Senhor e tudo que ele diz merece fé”. Tudo que Deus promete merece fé, porque Deus é fiel. Prometeu que seu Filho não seria esquecido na morte e, por isso a ressurreição é a maior de todas as provas da fidelidade divina. Eis um motivo forte o bastante para colocarmos toda nossa confiança na promessa divina porque Deus é fiel e sua fidelidade é para todo sempre.

Por que a ressurreição de Jesus é tão importante? Porque pela ressurreição Deus destrói o poder da morte. Graças a ressurreição de Jesus nunca mais morreremos. Este corpo no qual vivemos sofrerá a velhice e, certamente, desaparecerá, mas essa morte corporal não é forte suficiente para matar a vida que recebemos de Deus; graças a ressurreição de Jesus, a morte perdeu o seu poder. Por causa da ressurreição de Jesus, nós viveremos para sempre, somos destinados a participar da vida divina, que é vida eterna. A fidelidade de Jesus até a morte proporcionou esse grande presente de eternidade para cada um de nós e para toda a humanidade: a morte não pode nos matar porque Jesus a destruiu. O símbolo da destruição da morte, ouvimos no Evangelho, encontra-se na sepultura vazia e na mensagem do anjo às mulheres com uma única orientação: “alegrai-vos!” Alegrar-se porque o Senhor ressuscitou e por isso eu não morrerei, mas viverei eternamente com Deus.

Minha mensagem pascal quer ser bem clara nesta Solene e alegre Vigília: a fidelidade do Pai, revelada e demonstrada na ressurreição de Jesus, trouxe para a vida de cada um de nós a graça da eternidade. Isso, em modo de reconhecimento, exige de nós uma vida marcada pela fidelidade, como refletimos nos dias do Tríduo, uma vida marcada pela gratidão que se traduza praticamente em ser fiel ao projeto divino. Diante do Mistério da ressurreição de Jesus, especialmente naquilo que causa em nossas vidas — essa impossibilidade de sermos atingidos pela morte — a vida cristã se caracteriza em viver na fidelidade ao Evangelho e dando graças a Deus pelo dom da eternidade. São Paulo, na epístola, incentiva e orienta-nos como viver na fidelidade e em ação de graças com três atitudes: viver de modo novo, viver como Jesus viveu e morrer para o pecado, como condição de viver em Deus porque temos em nós a semente da vida eterna. Quem compreende o dom da ressurreição de Jesus na sua vida caminha na estrada de Jesus, que é caminho de vida plena. Feliz Páscoa, quer dizer, feliz vida nova; vida que vem da ressurreição de Jesus e, por isso dom da vida eterna na sua vida pessoal, na vida da sua família, na vida da nossa comunidade. Aleluia!