No
evangelho Jesus nos fala que se Deus cuida até dos pássaros, cuidará mais ainda
dos Apóstolos e de cada um de nós que somos seus filhos. Por isso Jesus conclui afirmando: “Quanto a
vós, até os cabelos da cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós
valeis mais do que muitos pardais” (v. 30s).
Se Deus cuida dos mais insignificantes seres de sua criação, como é o
caso de um humilde pardal, quanto mais se preocupará conosco, seus filhos.
Jesus
sabe que o medo é um grande impedimento ao anúncio do Evangelho e, por isso, é
necessário que os Apóstolos tenham coragem para superá-lo. Mesmo se a morte
vier alcançar o discípulo, por causa do testemunho, não deve ser temida, pois
Deus é o Senhor da vida. O mundo de hoje
é um mundo povoado de ameaças por todos os lados, mas quem caminha com Deus não
tem medo. Isso vale para nossa vida de
cada dia. Quem está com Deus não será
desamparado.
No
final de cada celebração Eucarística diz o Sacerdote: “Ide em paz e o Senhor vos acompanhe”. E
conhecemos ainda aquela nossa frase tão familiar: “Vá com Deus” ou “Deus o
acompanhe!”. Quem caminha com Deus não
caminha no escuro, por isso não tem medo.
E o próprio salmista nos ensina a dizer: “O Senhor é minha luz e minha
salvação. De quem terei medo?” (Sl
26,1).
Também
não devemos ter medo de dar um testemunho da nossa vida cristã, da nossa
fé. Entre os muitos medos que nos
invadem e nos atormentam, um deles é o medo religioso. São muitos, hoje em dia, os cristãos
dominados pela vergonha e são muitas vezes medrosos. Diante de um ambiente social pouco favorável
à fé cristã e inclusive difusamente hostil, uma das tentações mais frequentes
do cristão é o medo disfarçado, que se manifesta, por exemplo, em um silêncio
cauteloso.
O
Senhor não nos promete um caminho fácil.
Não nos promete êxito e sucesso, mas nos anuncia o mesmo caminho que ele
próprio percorreu: Contradições, incompreensões, perseguições. Na realidade, se olharmos bem o caminho de
Cristo e como Ele chegou até a morte de cruz, ao sermos perseguidos por sua
causa é sinal evidente de que vamos por seu caminho, não pelo nosso caminho;
uma vez que Ele mesmo disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo
14,6). E se quisermos seguir pelo Seu
caminho, como Ele nos pediu, é necessário lembrarmo-nos sempre do seu
ensinamento: “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua
cruz e siga-me” (Mt 16,24).
Peçamos
ao Senhor o dom da perseverança no seguimento do Cristo para, com coragem e sem
medo, demonstrarmos a nossa fé para a sociedade em que vivemos, que tanto
necessita do nosso autêntico testemunho. Assim como Maria, que esteve fiel ao
seu filho até mesmo no momento da cruz, possamos também nós mantermos a
fidelidade a Ele a todo instante. Assim
seja.










