Meus
irmãos e minhas irmãs, hoje a Igreja nos convida, antes de tudo, a contemplar
um mistério que não cabe inteiro nas palavras, mas que sustenta toda a nossa
fé. Maria é Mãe de Deus. Portanto, quando pronunciamos esse título, não
exaltamos apenas Maria, mas confessamos quem é Jesus. Ao dizer Mãe de Deus, a
Igreja proclama que o Filho que ela gerou é verdadeiro Deus e verdadeiro homem,
sem divisão, sem confusão, sem meio-termo.
Além
disso, esse mistério nos leva diretamente ao coração da encarnação. Deus não
entrou na história como ideia, teoria ou força invisível. Pelo contrário, Ele
entrou pelo corpo, pelo tempo, pela carne, pelo ventre de uma mulher. Maria não
gerou uma aparência de Deus, nem um profeta qualquer. Ela gerou o próprio Filho
eterno do Pai, que aceitou depender dela, aprender com ela, ser embalado por
ela. E aqui já aparece algo que desmonta o nosso orgulho, porque Deus escolheu
o caminho da pequenez.
Por
isso, quando chamamos Maria de Mãe de Deus, afirmamos que Deus confiou
totalmente nela. Ele não ficou distante, não ficou no controle aparente, não se
protegeu. Ao contrário, Ele se colocou nas mãos de Maria, no silêncio de
Nazaré, na rotina simples de uma casa comum. E, desse modo, Deus nos ensina que
a salvação não nasce do barulho, mas da obediência, não vem da pressa, mas da
escuta atenta.
Maria
não compreendeu tudo de uma vez. Ela caminhou na fé. Ela guardou as coisas no
coração, ruminou os acontecimentos, atravessou a alegria e a dor sem abandonar
a confiança. Quando segurou o Menino nos braços, ela não segurou apenas um
filho, mas o Mistério. E mesmo sem entender tudo, ela disse sim. Esse, sim,
sustentou o céu e a terra.
Por
conseguinte, Maria se torna modelo para nós. Ela não fala muito, mas vive
profundamente, e não se coloca no centro, mas aponta sempre para o Filho. Maria
não exige explicações, mas confia. E, assim, nos ensina que a verdadeira fé não
nasce da segurança humana, mas da entrega. Quem aprende com Maria descobre que
seguir Deus não significa entender tudo, mas caminhar mesmo quando o caminho
parece escuro.
Ao
mesmo tempo, Maria como Mãe de Deus também se torna nossa Mãe. Porque, se
Cristo é a Cabeça e nós somos o Corpo, a maternidade de Maria se estende a
todos nós. Ela não cuida apenas do Filho perfeito, mas cuida também dos filhos
feridos, confusos, cansados. Ela não abandona quando erramos, mas permanece
quando o coração vacila. E isso consola profundamente, porque sabemos que não
caminhamos sozinhos.
Por
fim, celebrar Santa Maria, Mãe de Deus, nos obriga a olhar para a nossa própria
vida. Se Deus quis morar no ventre de Maria, Ele também deseja morar em nós. Se
Maria gerou Cristo para o mundo, nós somos chamados a levá-lo aos outros com
nossas palavras, gestos e escolhas. Cada vez que acolhemos a vontade de Deus,
algo de Cristo nasce novamente no mundo.
Portanto,
hoje não celebramos apenas um título bonito. Celebramos um mistério vivo.
Celebramos um Deus que se fez pequeno e uma mulher que confiou sem reservas.
Que Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, nos ensine a guardar Cristo no coração, a
oferecê-lo ao mundo e a viver uma fé simples, firme e verdadeira.








