Meus
irmãos e minhas irmãs, quando Jesus soube que João Batista foi preso, Ele não
recuou nem se escondeu. Pelo contrário, deu um passo decisivo. Então deixou a
Judeia e foi para a Galileia, uma terra misturada, desprezada, marcada por
sombras. Ali, onde muitos não esperavam nada de bom, a luz começou a brilhar.
Isso já nos diz muito. Deus não foge dos lugares feridos. Ele entra neles e
começa exatamente onde a esperança parece fraca.
Além
disso, o Evangelho afirma que Jesus foi morar em Cafarnaum, à beira do mar. O
mar, na Bíblia, nunca é só água. Ele representa instabilidade, medo, risco.
Mesmo assim, Jesus escolhe esse cenário. Com isso, Ele mostra que o Reino de
Deus não nasce no conforto, mas no movimento. Não cresce na segurança
excessiva, mas na confiança. Onde a vida oscila, ali Deus planta algo novo.
Em
seguida, Jesus começa a anunciar uma mensagem curta, direta e cortante como
lâmina bem afiada: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo.” Não
fala de teorias, nem de promessas distantes. Ele fala de agora. O Reino não vem
amanhã. Ele chega hoje. Conversão, portanto, não significa só mudar de
comportamento. Significa mudar de direção. Parar de andar em círculos e decidir
caminhar com Deus.
Logo
depois, Jesus passa à beira do mar e vê Simão e André lançando as redes. Eles
trabalham. Suam. Repetem gestos antigos. Então Jesus quebra a rotina com uma
frase simples e poderosa: “Segui-me.” Ele não explica tudo. Não oferece
garantias nem apresenta plano de carreira. Mesmo assim, algo acontece. Eles
deixam as redes. Deixam o que seguravam as mãos e também o que segurava o
coração.
Mais
adiante, o mesmo chamado alcança Tiago e João. Eles consertam as redes com o
pai. A cena é bonita, mas Jesus chama mesmo assim. E eles vão. Com isso, o
Evangelho deixa claro que seguir Cristo exige escolhas reais. Às vezes, seguir
Jesus pede deixar coisas boas, não só coisas ruins. Pede soltar o que é seguro
para abraçar o que é verdadeiro.
A
partir desse momento, Jesus percorre toda a Galileia. Ele ensina nas sinagogas,
anuncia o Reino, além disso, Ele cura toda doença e enfermidade. Palavra e ação
caminham juntas, pois O Senhor não fala de um Deus distante: Ele toca, cura,
restaura. Onde Jesus passa, a vida se levanta e Ele chega, o peso diminui.
Por
fim, multidões o seguem. Pessoas feridas, cansadas, confusas. Nenhuma delas
encontra um discurso vazio. Todas encontram sentido. Isso acontece porque o
Reino de Deus não cresce por propaganda, mas por transformação. Quando a luz
entra, não precisa gritar. Ela simplesmente ilumina.
Portanto,
este Evangelho nos provoca com força. Jesus continua passando pela beira da
nossa vida. Ele ainda chama, pede conversão, convida a deixar redes que prendem
e a segui-lo com confiança. A pergunta não é se Ele chama, mas se nós estamos
dispostos a largar o que nos ocupa as mãos para que Ele possa ocupar o coração.


