Neste
domingo que se segue ao Pentecostes, a Igreja celebra a Solenidade da
Santíssima Trindade: Deus Pai, Filho e Espírito Santo: Um só Deus em três
Pessoas. Acreditamos e adoramos um Deus que é Uno e Trino, que é Pai e criou
todas as coisas visíveis e invisíveis, conforme professamos na oração do credo;
e fez de nós homens, a mais predileta de todas as suas criaturas; pois só a nós
foi dada a dignidade de sermos chamados filhos de Deus. Encontramos no Novo
Testamento explícitas fórmulas trinitárias, onde manifestam as três Pessoas
divinas, como no momento da anunciação do Anjo Gabriel a Maria (cf. Lc
1,32-35), no Batismo de Jesus (cf. Mt 3,16) e no momento da Transfiguração (cf.
Lc 17,1-5).
O
domingo da Santíssima Trindade, de certa maneira, recapitula a revelação de
Deus que aconteceu nos mistérios pascais: morte e ressurreição de Cristo, a sua
ascensão à direita do Pai e a efusão do Espírito Santo. É também uma oportunidade para a reflexão
sobre a nossa vida de batizados. Fomos batizados “em nome do Pai, do Filho e do
Espírito Santo”, conforme a missão confiada por Jesus aos seus apóstolos: “Ide
e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho
e do Espírito Santo” (Mt 28,19). Pelo Batismo é lavado o pecado original e, com
isto, nos tornamos filhos de Deus e, concomitantemente, recebemos a graça
santificante; e passamos a ser herdeiros do trono da graça divina.
A
Trindade divina começa a habitar em nós no dia do Batismo: “Eu te batizo – diz
o ministro – em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”, o que recordamos
todas as vezes que fazemos em nós mesmos o sinal da cruz. Fazemos este sinal
antes da oração, para que nos coloquemos espiritualmente em ordem; somos
chamados a concentrar em Deus o nosso pensamento, para que, pela oração, permaneça
em nós o que Deus nos doou.
Através
do sinal da cruz expressamos as três verdades fundamentais da nossa fé. Quando falamos: “Em nome do Pai, do Filho e
do Espírito Santo”, proclamamos o mistério da Santíssima Trindade e levamos as
pontas dos dedos da mão direita aberta, dizendo: “Em nome do Pai”, em seguida
descemos com a mão na vertical e tocamos na altura do coração, continuando: “…e
do Filho”; com isto ressaltamos o mistério da Encarnação: o Filho de Deus que
desceu ao seio da virgem Maria. Em seguida, levando a mão direita em cada
ombro, fazemos referência ao Espírito Santo.
Com isto, completamos a cruz, para indicar o modo como Jesus morreu:
numa cruz, formada por uma haste vertical e uma haste horizontal.
No
sinal da cruz está contido o anúncio que gera a fé e inspira a oração. Assim, a Santíssima Trindade ocupa o centro
da nossa fé. Todas as vezes que fazemos o sinal da Cruz, estamos relembrando e
fazendo memória, à fé que professamos: a fé no Pai, no Filho e no Espírito
Santo. Os cristãos têm também o costume de persignar-se, fazendo três cruzes
com o dedo polegar da mão direita, uma vez na testa, outra na boca e outra no
peito. Existe uma explicação que nos diz que a cruz na testa é para Deus nos
livrar dos maus pensamentos; na boca, para nos livrar das más palavras; e, no
peito, para nos livrar das más ações.
Mas
existe um sentindo Litúrgico mais abrangente e expressivo: A cruz na testa
lembra que o Evangelho deve ser entendido, estudado, conhecido; a cruz nos
lábios lembra que o evangelho deve ser proclamado, anunciado, que é a missão de
todo cristão; e a cruz no peito, à altura do coração, nos indica que o
evangelho, acima de tudo, deve ser guardado em nós, mas também deve ser vivido,
pregado e testemunhado por todos.
Também o diácono ou o sacerdote, ao proclamar o Evangelho, deve fazer o sinal da cruz no texto a ser lido e, em seguida, persignar-se, indicando, com isso, que cada palavra pronunciada seja um despertar para cada cristão tornar-se luz e sal para o mundo. Neste momento também os fiéis repetem este mesmo gesto, para que possam se preparar para ouvir, com dignidade, a Palavra de Deus. Devemos nos colocar de pé, indicando, com essa posição, que estamos prontos para seguir, dispostos a caminhar com Jesus, para onde Ele nos levar.
Amados,
como traduzir este mistério sublime em nossa vida diária? Toda vez que fazemos
o sinal da Cruz, invocamos as três Pessoas divinas. Este gesto não é mero
costume, mas profissão de fé. Ao despertar, ao sair de casa, ao começar uma
refeição, ao enfrentar uma dificuldade, traçamos sobre nós o sinal da nossa
redenção e invocamos o Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Vivamos este
gesto com consciência e reverência.
A
fé na Trindade ilumina nossos relacionamentos. Se Deus é comunhão de Pessoas,
também nós fomos criados para a comunhão. Na família, no trabalho, na paróquia,
somos chamados a viver o amor que se doa, que não busca o próprio interesse,
que perdoa e acolhe. Quando perdoamos o cônjuge que nos feriu, quando ajudamos
o colega que nos inveja, quando oramos pelo filho que se afastou da fé,
participamos do mistério trinitário, pois amamos como Deus ama. A vida cristã
não é solitária, mas eclesial, fraterna, aberta ao outro.
Que
esta solenidade renove em nós a gratidão pelo dom da fé. Cremos no Deus vivo e
verdadeiro, que não permaneceu distante, mas veio habitar entre nós e dentro de
nós. Busquemos a vida sacramental com fervor, pois nos sacramentos a Trindade
age em nós. Cultivemos a oração, dirigindo-nos ao Pai, por Cristo, no Espírito
Santo. Vivamos de modo que nossa existência seja louvor à Santíssima Trindade.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.



