terça-feira, junho 02, 2026

SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE












Neste domingo que se segue ao Pentecostes, a Igreja celebra a Solenidade da Santíssima Trindade: Deus Pai, Filho e Espírito Santo: Um só Deus em três Pessoas. Acreditamos e adoramos um Deus que é Uno e Trino, que é Pai e criou todas as coisas visíveis e invisíveis, conforme professamos na oração do credo; e fez de nós homens, a mais predileta de todas as suas criaturas; pois só a nós foi dada a dignidade de sermos chamados filhos de Deus. Encontramos no Novo Testamento explícitas fórmulas trinitárias, onde manifestam as três Pessoas divinas, como no momento da anunciação do Anjo Gabriel a Maria (cf. Lc 1,32-35), no Batismo de Jesus (cf. Mt 3,16) e no momento da Transfiguração (cf. Lc 17,1-5).

O domingo da Santíssima Trindade, de certa maneira, recapitula a revelação de Deus que aconteceu nos mistérios pascais: morte e ressurreição de Cristo, a sua ascensão à direita do Pai e a efusão do Espírito Santo.  É também uma oportunidade para a reflexão sobre a nossa vida de batizados. Fomos batizados “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, conforme a missão confiada por Jesus aos seus apóstolos: “Ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19). Pelo Batismo é lavado o pecado original e, com isto, nos tornamos filhos de Deus e, concomitantemente, recebemos a graça santificante; e passamos a ser herdeiros do trono da graça divina.

A Trindade divina começa a habitar em nós no dia do Batismo: “Eu te batizo – diz o ministro – em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”, o que recordamos todas as vezes que fazemos em nós mesmos o sinal da cruz. Fazemos este sinal antes da oração, para que nos coloquemos espiritualmente em ordem; somos chamados a concentrar em Deus o nosso pensamento, para que, pela oração, permaneça em nós o que Deus nos doou.

Através do sinal da cruz expressamos as três verdades fundamentais da nossa fé.  Quando falamos: “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, proclamamos o mistério da Santíssima Trindade e levamos as pontas dos dedos da mão direita aberta, dizendo: “Em nome do Pai”, em seguida descemos com a mão na vertical e tocamos na altura do coração, continuando: “…e do Filho”; com isto ressaltamos o mistério da Encarnação: o Filho de Deus que desceu ao seio da virgem Maria. Em seguida, levando a mão direita em cada ombro, fazemos referência ao Espírito Santo.  Com isto, completamos a cruz, para indicar o modo como Jesus morreu: numa cruz, formada por uma haste vertical e uma haste horizontal.

No sinal da cruz está contido o anúncio que gera a fé e inspira a oração.  Assim, a Santíssima Trindade ocupa o centro da nossa fé. Todas as vezes que fazemos o sinal da Cruz, estamos relembrando e fazendo memória, à fé que professamos: a fé no Pai, no Filho e no Espírito Santo. Os cristãos têm também o costume de persignar-se, fazendo três cruzes com o dedo polegar da mão direita, uma vez na testa, outra na boca e outra no peito. Existe uma explicação que nos diz que a cruz na testa é para Deus nos livrar dos maus pensamentos; na boca, para nos livrar das más palavras; e, no peito, para nos livrar das más ações.

Mas existe um sentindo Litúrgico mais abrangente e expressivo: A cruz na testa lembra que o Evangelho deve ser entendido, estudado, conhecido; a cruz nos lábios lembra que o evangelho deve ser proclamado, anunciado, que é a missão de todo cristão; e a cruz no peito, à altura do coração, nos indica que o evangelho, acima de tudo, deve ser guardado em nós, mas também deve ser vivido, pregado e testemunhado por todos.

Também o diácono ou o sacerdote, ao proclamar o Evangelho, deve fazer o sinal da cruz no texto a ser lido e, em seguida, persignar-se, indicando, com isso, que cada palavra pronunciada seja um despertar para cada cristão tornar-se luz e sal para o mundo. Neste momento também os fiéis repetem este mesmo gesto, para que possam se preparar para ouvir, com dignidade, a Palavra de Deus. Devemos nos colocar de pé, indicando, com essa posição, que estamos prontos para seguir, dispostos a caminhar com Jesus, para onde Ele nos levar.

Amados, como traduzir este mistério sublime em nossa vida diária? Toda vez que fazemos o sinal da Cruz, invocamos as três Pessoas divinas. Este gesto não é mero costume, mas profissão de fé. Ao despertar, ao sair de casa, ao começar uma refeição, ao enfrentar uma dificuldade, traçamos sobre nós o sinal da nossa redenção e invocamos o Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Vivamos este gesto com consciência e reverência.

A fé na Trindade ilumina nossos relacionamentos. Se Deus é comunhão de Pessoas, também nós fomos criados para a comunhão. Na família, no trabalho, na paróquia, somos chamados a viver o amor que se doa, que não busca o próprio interesse, que perdoa e acolhe. Quando perdoamos o cônjuge que nos feriu, quando ajudamos o colega que nos inveja, quando oramos pelo filho que se afastou da fé, participamos do mistério trinitário, pois amamos como Deus ama. A vida cristã não é solitária, mas eclesial, fraterna, aberta ao outro.

Que esta solenidade renove em nós a gratidão pelo dom da fé. Cremos no Deus vivo e verdadeiro, que não permaneceu distante, mas veio habitar entre nós e dentro de nós. Busquemos a vida sacramental com fervor, pois nos sacramentos a Trindade age em nós. Cultivemos a oração, dirigindo-nos ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo. Vivamos de modo que nossa existência seja louvor à Santíssima Trindade. Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.