segunda-feira, agosto 03, 2026

XVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM







Deve-se notar alguns aspectos importantes nesse episódio: o limite humano de Jesus, perturbado pela morte de João Batista; o limite das multidões, que se deslocam das suas cidades e passam o dia com Jesus, revelando fome e cansaço; e o limite dos discípulos, que, pela falta de fé, interpelam Jesus para que deixe-as ir. Contudo, é exatamente diante dessas limitações que a potência de Deus se manifesta de forma favorável e generosa. Há apenas cinco pães e dois peixes, mas Jesus está com eles. Nada mais importa. A limitação de espaço, de tempo e de comida não é um problema, porque é precisamente esses limites que permitem a ação de Deus acontecer através de Jesus. Ao se colocar, nas mãos de Jesus, a matéria disponível, a solução de fé acontece. Do lugar deserto se passa ao local com muita grama. Do olhar voltado para a terra se passa para o céu. Das mãos dos discípulos, os cinco pães e os dois peixes passam para as mãos de Jesus e são abençoados. Das mãos de Jesus os pães passam novamente para as mãos dos discípulos, que os distribuem às multidões. Assim, o que antes eram limitações se convergem no mistério profundo que reside em Jesus, tornando-se uma fonte inesgotável de bem, de paz, de curas e de saciedade, ao ponto de os pedaços que sobraram encherem doze cestos. Nada que vem de Deus deve ser desperdiçado. Além disso os cestos, na verdade, são uma referência ao íntimo dos discípulos transformado, pois também passaram da incredulidade à fé. O episódio quer recordar que Jesus Cristo é a realidade que permite ao fiel enfrentar os próprios limites, olhar para estes com confiança, sabendo que só Jesus pode transformar o nosso pouco em muito para que todos sejam saciados.

Estamos diante de indicações que permitem colher o sentido positivo do empenho e da ação cristã no mundo. Se, por um lado, o fiel deve reconhecer os seus limites, por outro lado, é chamado a colocar em Deus a sua fé, pela qual supera todo estado de necessidades. Há realidades que o fiel sozinho não supera, mas é possível com Jesus Cristo. Todas as vezes que nos encontramos diante de limites, e o maior de todos é a morte, mas os aceitamos, abraçamos, reconhecemos e os apresentamos a Deus, por Jesus Cristo, tornam-se a matéria do prodígio. Todas as vezes que agimos com generosidade, partilhando os próprios dons diante dos nossos limites, oferecendo e se dando, do pouco que se tem e do pouco que se é, Deus age em nossa existência e faz a sua graça superabundar na realidade.

Se nos dispusermos a seguir Jesus pelo deserto da nossa existência e se confiarmos em sua proposta restauradora, presente na sua Boa Nova, nós assistiremos ao prodígio que ele nos ensina a fazer: Não foi ele quem multiplicou os pães e os peixes, pois, apenas passados por suas mãos e feita a ação de graças a Deus, foram novamente entregues aos discípulos. O prodígio ocorreu no momento em que os discípulos começaram a distribuir os pães à multidão que estava assentada não no deserto, mas na grama. A sentença de Gn 3,18-19 foi revertida por Jesus para a humanidade. Assim, somos nós que devemos nos deixar guiar pela proposta renovadora de Jesus; então veremos o prodígio: a mudança de mentalidade e de comportamento em cada um de nós, que faz nascer um mundo belo e querido por Deus. Um mundo não mais marcado por raciocínios mesquinhos, como propuseram os discípulos, mas um mundo onde a compaixão encontra o seu devido lugar em nossas mentes e em nossos corações. A lógica humana é revertida. Se não desperdiçássemos tantos bens (alimentos, água, energia, roupas, etc.), não haveria tanta miséria no mundo.