segunda-feira, setembro 28, 2026

XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM
















Um pai, dois filhos, uma vinha que pede trabalho. O primeiro recebe a ordem e responde com brutal franqueza: “Não quero”. Palavras duras, rebeldia aberta. Contudo, algo se move em seu interior. Arrepende-se e vai trabalhar. O segundo filho, ao contrário, responde com prontidão respeitosa: “Sim, senhor, eu vou”. Suas palavras soam bem aos ouvidos. Mas seus pés nunca pisam o chão da vinha. A obediência foi apenas verbal, mero ruído de lábios.

Cristo força seus interlocutores a julgar. Qual dos dois fez a vontade do pai? A resposta é óbvia, e eles mesmos a pronunciam: o primeiro. Neste momento, a parábola se transforma em espelho. Jesus desvela a verdade terrível: publicanos e prostitutas entram no Reino antes daqueles que se julgam justos. Porque os primeiros, ao ouvirem João Batista, creram e se converteram. Os segundos, porém, disseram “sim” com a boca, mas seu coração permaneceu endurecido como pedra.

A parábola nos coloca diante do mistério da conversão e da hipocrisia. Santo Agostinho, em seus sermões, medita frequentemente sobre esta passagem. O bispo de Hipona nos ensina que Deus não julga pelas palavras iniciais, mas pelo movimento final do coração. O primeiro filho representa aqueles que vivem abertamente no pecado, mas que, tocados pela graça, se voltam para Deus com sinceridade. O segundo filho figura os hipócritas, cuja religiosidade é puro teatro.

Ezequiel, na primeira leitura, proclama a mesma verdade sob outra luz. Quando o justo abandona a justiça e pratica o mal, morre espiritualmente. Quando o ímpio se arrepende e pratica o direito, vive. Deus não está preso ao nosso passado. Sua misericórdia se derrama sobre o coração contrito, não sobre a fachada religiosa. Não basta dizer “Senhor, Senhor”; é preciso fazer a vontade do Pai que está nos céus.

São João Crisóstomo, com sua habitual clareza, adverte: muitos frequentam os templos, recitam orações, ostentam devoções, mas seus corações permanecem apegados ao mundo, à vanglória, à avareza. Estes são como o segundo filho. Outros, porém, começaram longe de Deus, viveram em desordem manifesta, mas encontraram Cristo e mudaram radicalmente de vida. Estes são como o primeiro filho. A conversão autêntica se manifesta nos frutos, não nas palavras.

A Igreja sempre distinguiu entre fé viva e fé morta, entre graça santificante e mera observância externa. O Concílio de Trento ensinou que a justificação não vem da presunção de ser justo, mas da cooperação livre com a graça que transforma. Podemos enganar os homens com nossas palavras piedosas. Jamais enganaremos a Deus, que sonda os rins e os corações.

Queridos irmãos, esta parábola nos interroga pessoalmente. A qual filho nos assemelhamos? Quantas vezes dissemos “sim” a Deus na oração da manhã, na Missa dominical, na confissão, mas ao longo do dia nossas escolhas concretas revelaram um “não” prático? Prometemos perdoar, mas cultivamos ressentimentos. Prometemos pureza, mas alimentamos os olhos com imagens impuras. Prometemos caridade, mas fechamos o coração ao necessitado. Prometemos justiça, mas trapaceamos nos negócios.

Cristo nos chama à coerência radical. Não basta a ortodoxia verbal, a frequência aos sacramentos, o conhecimento doutrinal. Tudo isso é necessário, mas insuficiente se não produz transformação real. A vinha do Senhor é este mundo, são nossas famílias, nossos locais de trabalho, nossas comunidades. Deus nos chama hoje, agora, para trabalhar. A resposta verdadeira não se mede pelas primeiras palavras, mas pela obediência perseverante.

Examinemos nossa consciência com sinceridade. Peçamos ao Espírito Santo a graça da conversão contínua, aquela metanoia profunda que transforma não apenas os lábios, mas o coração e as mãos. Confiemos na misericórdia divina: nunca é tarde para ir à vinha. Mesmo que tenhamos dito “não” durante anos, podemos agora arrepender-nos e trabalhar. Deus não se cansa de nos esperar. Mas não nos iludamos: Ele espera frutos, não discursos. Senhor Jesus, convertei-nos verdadeiramente. Fazei que vos sirvamos com obras, não apenas com palavras.