segunda-feira, setembro 14, 2026

XXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM













A Liturgia propõe continuar o capítulo de Mt 18 que, como ouvimos, trata do perdão. Na primeira parte deste capítulo de Mt 18, no Domingo passado, ouvimos a importância da correção fraterna no sentido de cuidar para que o outro não perca a vida, mas a viva de modo pleno. O modo de fazer isso fundamenta-se no Mandamento Novo dado por Jesus. Hoje, ouvimos que uma atitude prática e bem concreta se encontra no perdão. Mas, temos uma questão inicial: por que é tão difícil perdoar? Talvez porque toda ferida carregue consigo a memória da dor, da decepção e, em alguns casos, carregue consigo até mesmo uma injustiça sofrida. Muitas vezes acreditamos que perdoar significa esquecer ou minimizar aquilo que aconteceu. Entretanto, o Evangelho nos conduz por outro caminho. Deus conhece profundamente as feridas humanas e sabe que um coração aprisionado pelo ressentimento perde a capacidade de experimentar a liberdade. Quando sofremos algum mal e ficamos ruminando dentro de nós o mal sofrido, então nos tornamos como que algemados pela raiva, pela ira, pela irritação... a ponto de alguns adoecerem por isso. A Liturgia deste Domingo nos convida a entrar na escola da misericórdia. Ali aprendemos que o perdão não nasce da força humana, mas da experiência de ter sido amado por Deus. Quem acolhe a misericórdia divina descobre um novo modo de olhar para si mesmo, para os outros e para a própria história. O perdão torna-se, então, um caminho de cura e de vida nova.

A Palavra de Deus que acabamos de ouvir apresenta um itinerário espiritual que conduz da misericórdia à reconciliação. O livro do Eclesiástico, na 1ª leitura, convidava a abandonar o rancor a ira e a vingança, lembrando que aquele que pede perdão a Deus também é chamado a perdoar. O sábio do Eclesiástico está propondo uma dinâmica terapêutica para viver de modo livre; em vez de ficar remoendo raiva, rancor, ira dentro do coração, ele diz que é melhor abandonar isso. Quem vive remoendo raivas fica doente. Por isso, na escola da misericórdia, se aprende não ruminar raivas, mas a perdoar. Se aprende a ter um coração como é o Coração de Deus, cantado no salmo responsorial: “compassivo e misericordioso, lento para a ira e rico em bondade”. Veja que estou falando de um itinerário espiritual, de um caminho que, pouco a pouco vai modelando nosso coração na compaixão, na misericórdia, no afastamento da ira e no enriquecimento da bondade. Tudo isso faz bem para o coração e para o corpo. Pessoas bondosas e perdoadoras vivem melhor e com poucas doenças. A resposta de Jesus sobre a pergunta de Pedro, no Evangelho, para saber quantas vezes perdoar, rompe toda lógica de cálculo ao responder: “setenta vezes sete”; perdoar sempre. A parábola do servo impiedoso revela que a misericórdia recebida precisa transformar as relações humanas. Deus perdoa para que aprendamos a perdoar. A graça recebida não permanece fechada no coração; ela não é dada somente para mim, em benefício próprio, mas para ser repartida em forma de perdão.

A Liturgia de hoje nos convida a identificar quais feridas ainda governam nosso coração. Perdoar não significa aprovar o mal e nem deixar “para lá” agressividades contra mim, mas impedir que as agressividades contra mim continuem produzindo destruição do coração. Por isso, o primeiro passo do perdão é tirar o inimigo dentro de nós. Não permitir que ele more conosco. Isso acontece, na maior parte das vezes, dando pequenos passos. O primeiro passo do perdão, repito, está em libertar-me do mal que me atingiu. Para isso é importante que eu faça experiência do perdão que eu recebi de Deus. Pode ser que isso demore, o que significa que oferecer o perdão pode demorar pouco tempo ou muitos anos. Perdão não é uma declaração de dizer que está “tudo bem” entre nós, mas é uma libertação que se realiza quando quem me ofendeu é retirado de dentro de mim.

 

Na sua primeira e recente encíclica “Magnifica Humanitas”, Papa Leão XIV considera também a necessidade do perdão social. Inclusive ele pede perdão nas vezes que a Igreja não cuidou e nem se ocupou da vida dos mais pobres, no decorrer da história. É uma encíclica, sobre a IA, que recomendo ler. O Papa recorda que nenhuma sociedade verdadeiramente humana, mesmo contanto com altas tecnologias, como a IA, pode ser construída sem misericórdia e sem a disposição de restaurar vínculos rompidos através do perdão. O perdão cristão revela precisamente essa vocação e missão cristã: tornar visível, nas relações humanas, o amor misericordioso de Deus que tudo renova e reconcilia. O perdão renova a vida pessoal de quem é perdoado e de quem perdoa e renova os relacionamentos sociais. Perdoar é um modo de amar. Amém!


terça-feira, setembro 08, 2026

XXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM











Jesus reúne os seus discípulos e lhes ensina como proceder quando um irmão peca. Não se trata de um pecado qualquer, mas de uma falta que fere a comunidade, que prejudica a vida comum. O Senhor não manda desprezar, não ordena condenar sumariamente. Pelo contrário: manda ir ao encontro, em particular, a sós. Imagina a cena, irmão. Tu vês alguém que amas cometer um erro grave. A primeira tentação é comentar com outros, talvez até justificar a tua indignação. Cristo te pede algo diferente: vai diretamente a ele, sem testemunhas, sem humilhação pública.

Se o irmão te ouvir, diz Jesus, tu o ganhaste. Que palavra admirável! Ganhar um irmão. Não é triunfar sobre ele, mas reconduzi-lo à vida, à graça, à comunhão. Se não te ouvir, leva contigo mais uma ou duas pessoas. Não para acusá-lo em coro, mas para que a palavra da verdade seja confirmada, para que ele perceba a gravidade do seu caminho. Se ainda assim recusar, diz à Igreja. E se nem mesmo à Igreja der ouvidos, seja tratado como pagão ou publicano. Palavras duras, mas de um amor que jamais abandona.

A primeira leitura nos apresenta Ezequiel constituído vigia da casa de Israel. Deus lhe diz: se não advertires o ímpio, pedirei contas de ti pela sua morte. Que responsabilidade tremenda! Mas é a mesma que Cristo confia aos seus discípulos. Somos vigias uns dos outros. A correção fraterna não é opcional na vida cristã, como diriam os modernos. É mandamento de caridade.

Santo Agostinho ensina que quem cala diante do erro do irmão é cúmplice dele. "Se amas, corrige", diz o Bispo de Hipona. Porque o amor verdadeiro deseja o bem do outro, e o maior bem é a sua salvação eterna. A correção fraterna é ato de misericórdia, uma das obras espirituais que a Igreja sempre ensinou. Não corriges para te sentires superior, mas porque amas.

Contudo, Cristo estabelece um método. Primeiro, em particular. Depois, com testemunhas. Por fim, à Igreja. Há aqui uma pedagogia da caridade e da justiça. A caridade exige discrição, respeito pela dignidade do irmão. A justiça exige clareza, verdade, firmeza. Quando a Igreja fala, fala com a autoridade que Cristo lhe deu: o que ligardes na terra será ligado no céu. Esta não é apenas autoridade disciplinar, mas sacramental, espiritual, divina.

A promessa final do Evangelho ilumina tudo. Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí. A correção fraterna não é obra humana apenas. Cristo está presente quando procuramos, em seu nome, a conversão do irmão. Ele age na palavra, na presença das testemunhas, na voz da Igreja. Porque a Igreja não é sociedade meramente humana, mas Corpo Místico de Cristo, animada pelo Espírito Santo.

Como viver isto hoje? Primeiramente, examinando a tua própria consciência. Tens corrigido quando devias, ou preferiste a covardia do silêncio? Quantas vezes viste alguém da tua família, do teu trabalho, da tua comunidade paroquial caminhar para o erro e te calaste por medo, por comodismo, por falsa caridade? Lembra: Deus te pedirá contas. Mas lembra também: corrige com mansidão, com humildade, sem arrogância. Quem corrige deve estar em estado de graça, deve ter examinado primeiro a trave do próprio olho.

Depois, aprende a receber a correção. Quão difícil é isto! O orgulho nos faz rejeitar qualquer advertência. Mas o santo teme mais ofender a Deus do que ser corrigido pelos homens. Se alguém te adverte em particular, com caridade, agradece a Deus. Ele te enviou um vigia, um amigo da tua alma. Se a correção vier por meio da Igreja, dos sacramentos, da confissão, recebe com docilidade filial. A Igreja é Mãe e Mestra.

 

Finalmente, confia na promessa de Cristo. Onde dois ou três se reúnem em seu nome, ele está presente. Reúne-te com outros para rezar, para buscar a santidade, para edificar a comunidade. A vida cristã não é individualista. Precisamos uns dos outros. Precisamos corrigir e ser corrigidos, ensinar e ser ensinados, amar e ser amados. Assim caminhamos juntos para a Pátria celeste. Que o Senhor nos conceda corações mansos e fortes, capazes de falar a verdade com amor. Senhor, fazei de mim instrumento da vossa paz.












segunda-feira, agosto 31, 2026

XXII DOMINGO DO TEMPO COMUM

 






O que Jesus nos ensina aqui? Ensina que o caminho da salvação passa pela Cruz. Não há atalho. Não há glória sem sofrimento, não há ressurreição sem morte. Santo Agostinho, meditando sobre esta passagem, recorda que Cristo quis sofrer não por necessidade, mas por amor. Ele escolheu a Cruz para nos mostrar o caminho. Se o Mestre passou pela Cruz, como o discípulo poderá evitá-la?

A lógica divina é oposta à lógica do mundo. O mundo diz: salva-te a ti mesmo, busca teu conforto, evita o sofrimento a todo custo. Cristo diz: "Quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim vai encontrá-la". Estas palavras não são poesia. São a lei fundamental do Reino de Deus. Quem se agarra à própria vida, aos próprios projetos, à própria vontade, perde tudo. Quem se entrega, quem se doa, quem aceita morrer para si mesmo, esse encontra a vida verdadeira.

Aceitar perder a vida, isto é, a sua psiquê, enquanto princípio vital, é muito mais do que perder uma mão, um pé ou um olho. Aceitar Jesus e a sua Boa Nova é encontrar a própria psiquê, aceitando ser para si mesmo e para o mundo uma “pedra de tropeço” no sentido positivo: ser uma chance de conversão diante do perigo e da sedução do sucesso, poder e vida fácil, que se concretizam nas injustiças, corrupção, fraudes, roubos e na ganância que fere a consciência, o coração e a fé dos mais fracos e simples.

(Obs , o que é PSIQUÊ ?

Mente humana: Ideal para contextos científicos, cognitivos ou cotidianos que enfatizam o pensamento e a razão. Alma humana: Perfeita para textos literários, filosóficos ou religiosos que buscam uma conotação mais profunda ou espiritual .Vida interior / Interioridade humana: Excelentes para abordagens humanistas ou poéticas que descrevem o mundo subjetivo de uma pessoa.)

Somos interpelados a refletir sobre a existência de duas fortes mentalidades, geralmente em oposição entre elas: a lógica humana e a lógica de Deus. A primeira aparece descrita nas figuras de Jeremias, que se lamenta por não ver resultados na missão, e de Pedro, que rejeita aceitar que seu Mestre sofra e seja vencido. A segunda, pelo comportamento de Deus assumido por Jesus Cristo. Em qual das duas nos encontramos?

Com base nisso, é preciso analisar, profundamente, essas duas mentalidades e suas características, a fim de compreender o caminho de conversão que devemos fazer diariamente no confronto com Deus e sua vontade. Se o verbo “negue-se”, expressão da mudança de mentalidade, pode nos causar certo constrangimento, devemos pensar nele como “escolha” livre e consciente, pois fazer a vontade de Deus é o que, de fato, nos importa. Somos felizes na obediência a Deus e à sua vontade, seguindo o exemplo de Jesus. A grande lição a ser percebida, refletida, assimilada e colocada em prática é a obediência da fé pela qual se experimenta no nosso modo de sentir, pensar e agir, a força da presença viva e operante do Novo Adão sobre o nosso velho Adão.

Renunciar a si mesmo não é desprezar-se. É colocar Deus em primeiro lugar. É preferir a vontade de Deus à nossa. Quantas vezes queremos um cristianismo sem Cruz! Queremos Jesus consolador, mas não Jesus crucificado. Queremos a bênção, mas não a renúncia. Porém, Cristo é claro: "Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga". Não há outro caminho.

Que adianta ganhar o mundo inteiro e perder a alma? Esta pergunta deve ressoar em nossos corações. Quantos vendem a alma por um prazer, por dinheiro, por aplausos! No fim, que lhes resta? Pois Cristo virá na glória de seu Pai e retribuirá a cada um segundo suas obras. Vivamos, portanto, com os olhos fixos na eternidade. Carreguemos a cruz de cada dia com amor. Assim, morreremos para nós mesmos e viveremos para Deus.











segunda-feira, agosto 24, 2026

XXI DOMINGO DO TEMPO COMUM










A pergunta de Jesus não nos pede simplesmente nossa opinião, mas nos interpela principalmente sobre a nossa atitude diante dele. E essa atitude não transparece só em nossas palavras, mas sobretudo em nosso seguimento concreto de Jesus. Como escreveu algum teólogo: "A breve proposição: 'eu creio que Jesus é o Filho de Deus' significa algo completamente diferente, se ela é pronunciada por Francisco de Assis ou por um dos atuais ditadores sul-americanos. O Deus desses homens não é o mesmo, ou, pelo menos, o Deus que cada um invoca para dirigir sua conduta".

As palavras de Jesus pedem uma opção radical. Ou Jesus é para nós um personagem a mais, ao lado de muitos outros da história, ou Ele é a Pessoa decisiva que nos traz a compreensão última da existência, a orientação decisiva para a nossa vida e nos oferece a esperança definitiva.

A pergunta "e vós, quem dizeis que Eu sou?" adquire então um conteúdo novo. Não é mais apenas uma questão sobre Jesus, mas sobre nós mesmos. Quem sou eu? Em quem eu creio? A partir de que oriento a minha vida? A que se reduz a minha fé?

Todos temos de lembrar sempre de novo que a fé não se identifica com as fórmulas que pronunciamos. Para compreender melhor o alcance "do que eu creio", é necessário verificar como vivo, a que aspiro, em que me comprometo.

Por isso, a pergunta de Jesus, mais do que um exame sobre nossa ortodoxia, deveria ser um apelo a um modo de vida cristão. Não se trata evidentemente de dizer ou crer qualquer coisa sobre Cristo. Mas também não de fazer solenes profissões de fé ortodoxa, para viver depois muito longe do espírito que essa mesma proclamação de fé exige e traz consigo.

 

ADESÃO VIVA A JESUS CRISTO

Não é fácil tentar responder com sinceridade a pergunta de Jesus: "E vós, quem dizeis que Eu sou?" Na verdade, quem é Jesus para nós? Sua pessoa nos chega através de vinte séculos de imagens, fórmulas, devoções, experiências, interpretações culturais... que vão desvelando e velando ao mesmo tempo sua riqueza insondável.

Mas, além disso, vamos revestindo Jesus do que somos cada um de nós. E projetamos nele nossos desejos, aspirações, interesses e limitações. E, quase sem dar-nos conta, o diminuímos e desfiguramos, inclusive quando tratamos de exaltá-lo.

Mas Jesus continua vivo. Nós cristãos não pudemos dissecá-lo com nossa mediocridade. Ele não permite que o disfarcemos. Não se deixa etiquetar nem reduzir a uns ritos, fórmulas ou costumes.

Jesus sempre desconcerta quem se aproxima dele com postura aberta e sincera. Sempre é diferente do que esperávamos. Sempre abre novas brechas em nossa vida, rompe nossos esquemas e nos atrai para uma vida nova. Quanto mais o conhecemos, mais sabemos que ainda estamos começando a descobri-lo.

Jesus é perigoso. Percebemos nele uma entrega aos seres humanos que desmascara nosso egoísmo. Uma paixão pela justiça sacode nossas seguranças, privilégios e egoísmos. Uma ternura que deixa a descoberto nossa mesquinhez. Uma liberdade que rompe nossas mil escravidões e sujeições.

E, sobretudo, intuímos nele um mistério de abertura e de proximidade a Deus que nos atrai e convida a também abrir nossa existência ao Pai. Vamos conhecendo a Jesus, na medida em que nos entregamos a Ele. Só há um caminho para aprofundar-nos em seu mistério: segui-lo.

Seguir humildemente seus passos, abrir-nos com Ele ao Pai, reproduzir seus gestos de amor e ternura, olhar a vida com seus olhos, compartilhar seu destino doloroso, esperar sua ressurreição. E, sem dúvida, rezar muitas vezes do fundo do coração: "Creio, Senhor, mas ajuda à minha incredulidade".










terça-feira, agosto 18, 2026

SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE MARIA






Imaginemos a cena: uma jovem de Nazaré, recém-visitada pelo Anjo, acaba de receber em seu seio virginal o Verbo Eterno. Poderia ter ficado em casa, guardando para si o segredo divino. Poderia ter-se recolhido, esperando que os meses passassem em silêncio. Mas não. O Evangelho nos diz que Maria partiu apressadamente para a região montanhosa da Judeia. Levava consigo o próprio Deus; por isso não podia demorar-se.

Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. Bastou aquela saudação, aquela voz portadora do Verbo, para que tudo se transfigurasse. O menino João, ainda no ventre materno, reconheceu a presença do seu Senhor e saltou de alegria. Isabel, cheia do Espírito Santo, proclamou a primeira bem-aventurança mariana da história: “Bendita és tu entre as mulheres”. Toda a criação se punha em júbilo diante da Mãe de Deus. Maria, humilde serva, tornara-se arca viva da Nova Aliança.

A antiga Arca foi levada por Davi para a montanha de Sião. A nova Arca sobe apressadamente à montanha da Judeia, levando em si o Rei dos reis. Davi dançou diante da Arca; João Batista saltou diante de Maria. A antiga Arca permaneceu três meses na casa de Obed-Edom; Maria ficou três meses na casa de Isabel. Tudo se cumpre, tudo se eleva, tudo se transfigura. A tipologia é perfeita. Deus preparou desde sempre esta Mulher bendita para ser o sacrário vivo de sua presença.

Por isso a Igreja, fiel à Tradição apostólica e guiada pelo Espírito Santo, proclama o dogma da Assunção. Maria, preservada do pecado original, não conheceu a corrupção do túmulo. Seu corpo virginal, que gerara o Corpo de Cristo, foi elevado à glória celeste. Como ensina o Catecismo, “a Imaculada, preservada imune de toda mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”. O que Cristo prometeu a todos os justos na ressurreição final, antecipou-o em sua Mãe Santíssima.

Santo Agostinho dizia que Maria concebeu Cristo primeiro na fé, depois no ventre. A Assunção é o coroamento dessa fé. Isabel proclamou: “Bem-aventurada aquela que acreditou”. Maria acreditou até o fim, até o Calvário, até o Cenáculo. Por isso foi glorificada até o fim, até o trono celeste, até a coroa de doze estrelas. A humildade que a fez serva mereceu-lhe a exaltação que a fez Rainha.

Amados, esta solenidade não é apenas festa de Maria. É festa de nossa esperança. Vendo a Mãe coroada no céu, sabemos que nosso destino não é o pó, mas a glória. Maria assunta é primicia  e penhor da ressurreição que nos aguarda. São Paulo ensina que Cristo é a primicia dos que dormem; Maria é a primeira dos redimidos a participar plenamente do triunfo pascal. O que nela se cumpriu antecipadamente, cumprir-se-á em todos os que perseveram na graça.

Como vivemos esta verdade no dia a dia? Imitando a pressa de Maria. Ela correu à montanha porque levava Cristo; nós também devemos correr, porque o recebemos na Eucaristia. Cada comunhão bem feita é um novo Magnificat:  Cristo habita em nós, e por Ele nossa alma engrandece o Senhor. Não podemos guardar a graça para nós mesmos. É preciso visitar, servir, consolar, santificar. Maria não pregou; bastou sua presença para santificar João Batista. Nossa presença cristã, se formos fiéis, também santificará o mundo.

Olhemos para o céu onde Maria reina. Ela intercede por nós, seus filhos. Combate o dragão infernal que quer devorar nossa alma. Prepara-nos um lugar no deserto deste mundo, onde possamos perseverar até o fim. Corramos, portanto, com pressa santa, levando Cristo aos irmãos. Guardemos a pureza do corpo e da alma, pois somos templos do Espírito Santo. Um dia, se formos fiéis, seremos também glorificados em corpo e alma, conforme a promessa. Maria Santíssima, Rainha assumpta ao céu, rogai por nós.














terça-feira, agosto 11, 2026

JUBILEU SACERDOTAL PADRE MARCOS











Um padre é um homem de Deus

Ele segue o caminho do Senhor Jesus e vive sua vida para o bem do Reino. Ele vê as coisas como Jesus as vê: é alguém que pensa antes de falar e que ora antes de pensar. Fala com o coração e coloca as suas palavras em prática. Ele é um homem para os outros, alguém que tenta servir ao invés de ser servido. Trata a todos como um irmão ou irmã. Ele é amigo dos pobres e marginalizados. Ele os procura e busca efetivamente o seu bem-estar.

 

Um padre defende o que é certo

Ele diz a verdade. Incentiva outras pessoas a fazer o mesmo. Celebra os sacramentos com dignidade simples. Batiza "em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo". Ele é chamado ao sacrifício e a oferecer sacrifício. Celebra a Eucaristia e convida outras pessoas a participarem do Corpo e Sangue de Jesus, ora pela comunidade e em nome dela.

Com os braços estendidos em oração, ele deseja abraçar o mundo inteiro e seu pequeno rebanho. É testemunha de Cristo na vida e na morte. Ele vê além das dimensões atuais de tempo e espaço. Ele anseia pela vinda do Reino e a busca tanto em seu coração quanto em sua vida.

 

Um padre celebra a vida

E também celebra a morte. Ele percebe a morte no meio da vida e a vida no meio da morte. Ajuda os outros a celebrar a vida e a chorar. Ajuda as pessoas a sofrerem com a perda daqueles a quem amam e a viver na esperança de vê-los novamente algum dia. Ele sabe quando ouvir, quando oferecer uma palavra de conforto e quando simplesmente sentar e ficar em silêncio ao lado de quem sofre.

Ele não tem medo de inclinar a cabeça, derramar uma lágrima ou segurar a mão de alguém em oração. Ele também não tem medo de sorrir, rir ou aliviar o coração das pessoas. Ele acredita que o amor é mais forte que a morte e que o amor é a única razão pela qual vale a pena viver. Ele é um homem de fé, um homem de esperança, um homem de amor, um homem de alegria.

 

Um padre é humano

Ele peca. Sabe o que significa ficar sozinho. O pecado e a solidão o humilham e o encorajam. Eles o pesam, mas o desafiam. Eles o fazem fraco, mas também forte. Eles o ajudam a sentir a dor dos outros e sofrem com eles em suas provações diárias. Eles o colocam de joelhos e à conversão do coração.

Confessa seus pecados e recebe o perdão de Deus, faz amizade com sua solidão e descobre a solidão do coração. Ele pede perdão, aprende a aceitá-lo e também como estendê-lo aos outros. Ele se faz amigo das pessoas, permite que outras pessoas sejam amigas e com elas constrói a família de Deus. É uma presença convidativa e acolhedora. Com ele, sempre há um assento extra à mesa do Senhor.

 

Um padre é um homem do povo

Ele vem deles e retorna a eles. Escuta suas histórias. Medita sobre elas. Os ajuda a encontrar a voz de Deus e a descobrir o significado de sua vida, mostrando-lhes como reconhecer a mão de Deus em tudo o que acontece. Viaja com eles pela vida, lembrando-os de suas origens e seu destino em Deus, ensina-os a orar e a ouvir.

Ele compartilha sua vida com eles e permite que eles compartilhem suas vidas com ele. Ele compartilha sua vida com eles. Busca fazer parte de sua história e os convida a se tornar parte da sua. Ama a sua companhia. Reconhece seus dons e os incentiva a se colocarem no serviço de outras pessoas. Ele vive para servir os outros e oferecer sua vida por eles.

 

Um padre é um homem de Cristo

Ele é pai, professor, médico e líder. Usa seus talentos para o bem das pessoas. Ele busca não chamar a atenção para si mesmo, mas para Deus: é um apóstolo, um discípulo, um seguidor de Cristo. A cruz é seu símbolo; a tumba vazia, sua esperança; a igreja, sua casa; o povo de Deus, sua família.

É o sal da terra. Dá sabor à vida das pessoas e sabores aos momentos que a preenchem. Ele é amigo deles e amigo de Deus, vive o evangelho e está disposto a morrer por ele. Para ele existe apenas Cristo. Nada mais importa. Nada mais o preocupa.

Ele é um sacerdote, um homem de Deus, um amigo dos pobres, uma pessoa em quem confiar e contar, um outro Cristo. Quer amar e ser amado. Ele está disposto a deixar sua vida por seus amigos. Ele é um sacerdote, um homem de Deus e segue o caminho do Senhor Jesus.

 

 

Fonte: Portal A 12