segunda-feira, julho 13, 2026

XV DOMINGO DO TEMPO COMUM

 







Vou iniciar minha reflexão com a mesma pergunta que os discípulos fizeram a Jesus: “por que falas ao povo em parábolas? A justificativa de Jesus é bem interessante e se concentra no início da sua resposta: “porque a vós foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos céus, mas a eles não é dado.” Quem conhece os mistérios do Reino? Aqueles que se tornam discípulos de Jesus. Mas, prestemos atenção. Jesus não compreende o discipulado como uma sala de aula, na qual um Mestre ensina e um grupo de pessoas aprende. A compreensão dos Mistérios do Reino acontece pelo seguimento de Jesus, pelo ACOLHIMENTO da sua mentalidade de vida, pelo modo como ele entende o que é a vida humana. Quem apenas acha bonito a parábola do semeador (e todas as demais parábolas de Jesus) faz parte daquele grupo de pessoas “do povo que se tornou insensível.” Ouvem, mas não compreendem com o coração. Quer dizer, não colocam a Palavra no centro de suas vidas. Para compreendermos a parábola do semeador é preciso ter uma atitude de acolhimento. Assim como o coração da terra é preparado para acolher a semente, assim é necessário que o coração esteja preparado para acolher a Palavra que irá iluminar a compreensão da vida.

Jesus fala do poder da Palavra comparando à uma semente, que é frágil, pequena e necessitada de ser cultivada. Onde se encontra, pois, a força da semente? Naquilo que ela contém dentro de si: ela contém um projeto de vida que produz ainda mais vida em forma de flores e frutos. A Palavra de Deus é uma semente que contém uma vida — a vida divina — que, sendo acolhida no terreno do coração produzirá flores e frutos do Reino de Deus, que são os valores da vida cristã. Isaias, na 1ª leitura, compara a Palavra com a chuva, dizendo que a chuva tem uma força de fecundar a terra para que nela produza frutos. Os símbolos são diferentes, mas a mensagem é a mesma: a Palavra é uma semente que contém dentro dela a vida divina; a Palavra é uma chuva que contém a vida divina. Interessante perceber, na parábola de Jesus, a prodigalidade do semeador: semeia em todas as partes, no chão duro, na beira do caminho e até sobre pedras. A chuva também cai no chão duro e sobre as pedras. São terrenos impróprios para o cultivo e precisam ser preparados. A este ponto da minha reflexão, convido cada um de nós a olhar para dentro de si e considerar se o meu coração — se a minha vida interior — está preparado e em condições de acolher a semente da Palavra de Deus.

 

Outro detalhe da parábola são as dificuldades. Jesus apresenta alguns obstáculos que impedem o acolhimento da Palavra: a superficialidade no modo de viver (vive de qualquer jeito), resistências com relação à Igreja, preocupações excessivas (ansiedades, medos, fobias...), dispersão pela perda de tempo (celular, TV, lazer...) são exemplos dados por Jesus que continuam impedindo o acolhimento da Palavra. Se a pessoa não é capaz de olhar para si mesma, olhar para seu modo de viver, nunca terá condição de crescer espiritualmente porque, como dizia Jesus no Evangelho, são pessoas insensíveis para com as coisas de Deus. O contrário disso é o coração acolhedor que escuta e compreende a Palavra não somente como explicações, mas compreende a Palavra a partir dos frutos que a Palavra produz em sua vida: paz interior, calma, paciência, serenidade... e dos frutos que produz na comunidade com relacionamentos fraternos, com a disposição de atuar em atividades pastorais da comunidade. Os frutos da Palavra não se medem pelo tanto de Teologia que se conhece, mas pelos frutos que produz dentro de si e nos relacionamentos com as pessoas. A vida cristã, na parábola de Jesus e na profecia de Isaías, nunca é vida parada, é sempre vida que produz flores e frutos do Reino de Deus.