segunda-feira, maio 18, 2026

SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR JESUS












Hoje a Igreja celebra a Ascensão do Senhor, e talvez muita gente olhe para esse mistério pensando apenas em Jesus subindo aos céus. Entretanto, a Ascensão não fala de distância. Pelo contrário. Ela fala de presença. Cristo não abandona os seus. Ele inaugura uma nova maneira de permanecer conosco. Antes, os discípulos viam Jesus com os olhos do corpo. Agora, precisam enxergá-Lo com os olhos da fé.

Além disso, existe algo profundamente humano nessa cena. Os discípulos olham para o céu enquanto Jesus sobe, como quem tenta segurar os últimos instantes de alguém amado. Dá pra imaginar aquele silêncio cortando o coração deles. O vento batendo nas vestes. O céu aberto diante dos olhos. E, ao mesmo tempo, uma pergunta queimando por dentro: “E agora?” Porque a Ascensão encerra uma etapa, mas também abre outra. Cristo sobe, mas envia os discípulos ao mundo.

Por isso, a Ascensão não representa fuga da terra. Jesus não despreza o mundo. Ele leva a humanidade para dentro da glória de Deus. Isso muda tudo. Nosso corpo, nossa história, nossas lágrimas, nossas lutas, nada disso ficou abandonado no chão. Quando Cristo sobe aos céus, Ele carrega consigo a nossa natureza humana. O céu, a partir desse momento, não é mais um lugar estranho. O céu agora tem marcas de mãos furadas, tem cicatrizes de amor, tem rosto humano.

Enquanto isso, os discípulos precisam aprender uma lição difícil: não podem ficar parados olhando para cima. O Evangelho da Ascensão sempre traz um chamado à missão. Cristo envia os seus discípulos para anunciar o Evangelho até os confins da terra. E aqui está algo forte: Jesus confia a continuidade da sua obra a homens frágeis, inseguros e limitados. Ele olha para pescadores assustados e enxerga apóstolos capazes de incendiar o mundo.

Consequentemente, a Ascensão revela também a maturidade da fé cristã. Criança precisa segurar a mão o tempo inteiro. O discípulo amadurecido aprende a caminhar mesmo sem ver. Cristo deseja tirar os seus da dependência infantil para levá-los à confiança profunda. A ausência visível de Jesus não significa abandono. Significa crescimento. Significa que agora a Igreja precisa viver guiada pelo Espírito Santo.

Entretanto, muitos cristãos ainda vivem como os discípulos antes de Pentecostes: parados, assustados, olhando para o céu, esperando que Deus faça tudo sozinho.

Porém, Cristo não chamou a Igreja para contemplar apenas. Ele chamou para agir. O Senhor sobe aos céus, mas deixa nossos pés firmes na terra, porque alguém precisa continuar levando esperança aos cansados, alimento aos famintos e luz aos corações escurecidos.

Ao mesmo tempo, a Ascensão nos lembra algo essencial: nossa pátria definitiva não está aqui. O mundo passa. O sucesso passa. A beleza passa. O dinheiro passa. Tudo passa. Porém, quem vive unido a Cristo caminha para aquilo que não termina. O coração humano sente isso. Existe dentro de nós uma fome que nada deste mundo consegue saciar completamente. Nenhuma conquista preenche o vazio da eternidade. E sabe por quê? Porque fomos criados para o alto.

Mesmo assim, Jesus não nos manda desprezar a vida presente. Pelo contrário. Quem espera o céu aprende a viver melhor na terra. Quem acredita na eternidade valoriza mais cada gesto de amor, cada reconciliação, cada pequeno ato de bondade. A Ascensão não aliena o cristão. Ela dá direção. O céu deixa de ser sonho distante e se transforma em meta concreta.

Finalmente, irmãos, Cristo sobe, mas permanece. Permanece na Eucaristia, na Palavra, Igreja, no pobre que sofre. Permanece no coração de quem crê. E enquanto o mundo vive perdido entre medos e incertezas, a Ascensão nos recorda que existe um trono ocupado no céu. Não pelo poder da violência, mas pelo amor crucificado. Jesus reina. E porque Ele reina, nossa esperança nunca morre.