O
mistério que hoje estamos celebrando – a Paixão e Morte do Senhor – e vamos
celebrar de modo mais pausado e contemplativo nesses dias da Grande Semana, foi
resumido de modo admirável na segunda leitura desta Eucaristia: o Filho, sendo
Deus, tomou a forma de servo e fez-se obediente ao Pai por nós até a morte de
cruz. E o Pai o exaltou e deu-lhe um nome acima de todo nome, para nossa
salvação! Eis o mistério! Eis a salvação que nos foi dada!
Mas
isso custou ao Senhor! É sempre assim: os ideais são lindos; coloca-los na
vida, na carne de nossa existência, requer renúncia, lágrimas, sangue! O Filho,
para nos salvar, teve que aprender como um discípulo, teve que oferecer as
costas aos verdugos e o rosto às bofetadas! Que ideal tão alto; que caminho tão
baixo! Que ideal tão sublime, que meios tão trágicos!
Foi
assim com o nosso Jesus; é assim conosco! É na dor da carne da vida que o
Senhor nos convida a participar da sua cruz e caminhar com ele para a
ressurreição. Infelizmente, nós, que aqui nos sentamos à mesa com ele, tantas
vezes o deixamos de lado: “Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão no
prato!” – Eis! É para nós esta palavra! Comemos o seu Pão ao redor deste Altar
sagrado e, no entanto, o abandonamos nas horas de cruz: “Esta noite vós
ficareis decepcionados por minha causa!” – Que pena! Queríamos um Messias
fácil, um Messias que nos protegesse contra as intempéries da vida, que fosse
bonzinho para o mundo atual. Mas, não!
Esse Messias prefere morrer a matar, esse Messias exige que o sigamos
radicalmente, esse Messias nos convida a receber a mesma rejeição que ele
recebe do mundo: Minha alma está triste até à morte. Ficais aqui e vigiai
comigo!”
Irmãos,
que vos preparais para celebrar estes dias sagrados, não vos acovardeis, não
renegueis o nosso Senhor, não o deixeis padecer sozinho, crucificado por um
mundo cada vez mais infiel e ateu, um mundo que denigre o nome de Cristo e de
sua Igreja católica! Cuidado, irmãos! Não é fácil, não será fácil a luta:
“Vigiai e orai, para não cairdes em tentação, pois o espírito está pronto, mas
a carne é fraca!” Que nos sustente a força daquele que por nós se fez fraco!
Que nos socorra a intercessão daquele que orou por Pedro para que sua fé não
desfalecesse! E se, como Pedro cairmos, ao menos, como Pedro, arrependamo-nos e
choremos!
















