segunda-feira, novembro 16, 2020

XXXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

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O tema da segunda vinda de Jesus Cristo não causa grande interesse ao nosso momento histórico; é até mesmo considerado como algo muito distante de nós. Já houve tempos que esse tema foi assunto de grandes debates teológicos, mas não no nosso. Apesar das dificuldades, como a que vivemos neste tempo de pandemia, a humanidade se sente bem vivendo na terra; passa a impressão de pouco se importar com uma promessa feita há dois mil anos, mesmo sendo feita pela boca de Jesus.

Apesar do desinteresse que o mundo demonstra para com o tema da segunda vinda de Jesus Cristo, a Igreja celebra essa promessa do Senhor para avivar e preparar os celebrantes propondo a dinâmica de produzir mais vidas vivendo na sobriedade e na vigilância.

O convite da parábola conduz-nos para o terceiro servo, aquele que enterrou o talento. Jesus trata com normalidade os dois primeiros servos; é normal receber talentos e torná-los rentáveis. O anormal é receber e enterrar. O servo que enterra os talentos justifica-se como medo do patrão exigente. Uma justificativa que deixa transparecer três atitudes: medo, resistências mentais e protelação. Três atitudes impeditivas de produzir algo na vida.

Uma coisa é a prudência para não perder o que se tem e, coisa bem diferente, é o medo. O prudente avalia a situação e vai na segurança, mesmo correndo o risco de errar. O medroso sequer avalia a situação, simplesmente fica bloqueado nos seus temores e se impede de produzir. O medo de enterrar talentos produz o castigo de perder até mesmo aquilo que se tem. A resistência é a atitude do desconfiando. Não investe, não produz nada; o desconfiado não arrisca e vive enterrando possibilidades. Na prática, o talento é a vida que o desconfiado enterra, enterrando-se a si mesmo.

Quanto a protelação esta é atitude de quem não vive o presente. Pode até ter iniciativas, sabe o que precisa ser feito, mas sempre deixa para amanhã; é o comportamento do desmotivado, de quem espera um tempo para começar a viver uma vida com sentido. Um tempo que, talvez, nunca chegue.

Do que foi dito, entende-se que a proposta de Jesus quanto ao modo de esperar a segunda vinda não comporta medo, nem resistências e, menos ainda, protelação. Não sabemos o dia da segunda vinda (2L), mas isso não nos licencia para vivermos de qualquer jeito. É o que diz Paulo na 2ª leitura propondo a vigilância e a sobriedade.

Paulo chama atenção para o fato de não se enganar nem mesmo quando tudo conflui para dizer "paz e segurança"; para dizer "está tudo bem!"  A 1ª leitura cita a falácia do encanto e da beleza passageira; temas que nos colocam no chão de nossas vidas, que nos ajudam a perceber a finitude de tudo. Não se pode perder a vigilância em situações de calmaria; estava tudo bem quando apareceu a Covid 19. Não se pode passar a vida no sono ou na festa, é preciso produzir e lucrar talentos, é preciso produzir vida, é importante investir na vida para que o projeto divino aconteça na terra.