É
compreensível por que ela foi preparada, desde sua imaculada conceição, para
ser digna morada do Filho de Deus. Ela o gerou segundo a carne. Ela se preparou
com fé, esperança e amor para acolhê-lo. Encheu-se de expectativa e transbordou
alegria como qualquer gestante.
Por
isso, repetimos o entusiasmo materno de seu coração e de lábios agradecidos:
”Minha alma engrandece o Senhor e meu espírito exulta em Deus” (Lc 1, 46).
Assim, os sentimentos marianos correspondem à espiritualidade dos que celebram
e vivem o Advento.
Diz-nos
o Beato Isaac da Estrela, citado pelo Papa Francisco: “No tabernáculo do ventre
de Maria, Cristo habitou durante nove meses; no tabernáculo da fé da Igreja,
permanecerá até ao fim do mundo, no conhecimento e amor da alma fiel habitará
pelos séculos dos séculos” (Evangelii Gaudium, 285). Com tal citação, o Papa
salientou a ligação entre Maria, a Igreja e cada fiel, “enquanto de maneira
diversa geram Cristo”. Quer dizer que a vinda do Senhor na história, nas
pessoas e no mundo atual, supõe que sejamos semelhantes à Maria. De fato, “há
um estilo mariano na atividade evangelizadora da Igreja” (Id. 288). Tal estilo
é retomado neste tempo litúrgico, rico de promessas e de significados.
Recebe-se Jesus para comunicá-lo com amabilidade.
O
Natal é mariano, pois não existe nascimento de Jesus sem Maria como não existe
vida humana sem maternidade. Paulo o afirma uma só vez, é verdade, mas
suficientemente: “nascido de mulher” (Gl 4, 4). Os Evangelhos da Infância o
fazem de modo narrativo. Basta citarmos a sobriedade e a ternura da cena do
Natal: “ela deu à luz o seu filho primogênito, envolveu-o com faixas e
reclinou-o numa manjedoura”(Lc 2, 7). O Papa contempla o cenário e descobre:
“Maria é aquela que sabe transformar um curral de animais na casa de Jesus, com
uns pobres paninhos e uma montanha de ternura” (Id. 286). A amabilidade materna
faz a diferença.
A
mulher amável, esposa e mãe, transforma a casa em um lar. Por mais pobre que
seja, simples barraco ou mísera choupana, se torna um lar aquecido pelo amor da
mulher.
Quando falta a experiência do bem querer ou não é reconhecido ou valorizado seu amor e doação, esponsal ou materno, para que lhe servem as belas mansões e as suntuosas edificações? Até as flores murcham.
Quando falta a experiência do bem querer ou não é reconhecido ou valorizado seu amor e doação, esponsal ou materno, para que lhe servem as belas mansões e as suntuosas edificações? Até as flores murcham.
Podemos
afirmar que Maria, mãe amável, precisou pelas circunstâncias sociopolíticas da
ocasião transformar um curral de Belém em casa. Fez com amor. Brevemente, em Nazaré,
prepararia um lar também com amor. Por pouco tempo, faria de uma casa de
exílio, com muito amor outro lar, até que, voltando definitivamente a Nazaré
estabeleceria o convívio familiar, impregnado de amores.
A
sabedoria do homem bíblico compara a mulher amada ao sol que se levanta sobre
as montanhas e que brilha com seu encanto na casa bem arrumada (cf. Eclo 26,
16; Ct 6, 10) Igualmente, é comparável ao candelabro sagrado a irradiar a
beleza de seu rosto de mulher (cf. Eclo 26, 17). Tanta sublimidade poética é
expressão da amabilidade viril. Do homem agraciado e reconhecido.
Os
cristãos em meio às perseguições contemplam a Mulher, sinal celeste, vestida de
sol, a lua sob os pés e coroada de doze estrelas (cf. Ap 12, 1). Este
resplendor sinaliza para a fonte que a orna de beleza e de significados: dá a
luz um filho que corre risco de ser devorado e é vitoriosa contra o dragão de
maldade insaciável. Por tanta luz desta Mulher se vê adiante e mais além a
vitória final. É ela a “estrela da nova evangelização”, a indicar novos
caminhos com “santa ousadia” (Id. 288).
Por
tantos motivos, importa trazer Maria para participar de nosso Advento e de
nosso Natal. Com ela, a recepção de Jesus será mais acolhedora. Sua transmissão
mais entusiasmante e bem convincente.
arqrio.org
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